segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Discussão única e estéril

O Brasil está tomado por uma discussão única, quebrada momentaneamente pelas tragédias: continuar ou mudar a política de ajuste fiscal, gerando crises políticas e econômicas.  Enquanto não se resolve, a economia vai afundando e o desemprego aumentando.
Essa discussão toma conta dos diversos encontros ou seminários que reúnem pessoas, setores empresariais, categorias trabalhistas e outros. 
Em um seminário de metalúrgicos, o tema principal não foi outro. 
A divisão é entre otimistas e pessimistas, mas ninguém tem propostas objetivas. 

Dentro da dinâmica econômica, expressa na equação do PIB, a retomada da economia terá que ser puxada pela demanda. 
O que limita as alternativas a três caminhos básicos:
  1. consumo das famílias, mediante transferência de renda pública, ampliação do crédito, etc;
  2. investimento, através das concessões e PPPs na infraestrutura;
  3. exportação, cuja principal dificuldade - dólar baixo - foi superada.
O debate nacional precisa focar a discussão sobre as prioridades e viabilidades desses caminhos.
 

domingo, 15 de novembro de 2015

E o que será de Mariana?

A tragédia de Mariana traz comoção e prioriza as ações emergenciais de salvamento e atendimento aos desabrigados. Além das medidas de remediação ambiental e identificação das causas do acidente.

Mas também é necessário se pensar sobre o futuro de Mariana, sem a sua maior fonte de renda e de emprego. Como Mariana irá se sustentar econômicamente sem a exploração das suas minas?

Deverá voltar a ser apenas uma cidade histórica? Nesse caso como irá se posicionar com Ouro Preto, para a captação de turistas? Ser concorrente ou ter uma ação conjunta para que os turistas visitem as duas cidades? Hospedem-se, façam refeições e gastem nas cidades.

A outra base de renda será a "massa salarial" dos inativos, aposentados e pensionistas da SAMARCO. Os gastos dessa população, desde que permaneçam no Municipio, poderão ser a base da sua sustentação econômica e gerar uma nova dinamização.

Dependerá do espírito empreendedor da população desempregada na busca de uma fonte alternativa de renda.

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A crise da cadeia do aço


Hà cerca de 30 anos atrás os analistas e futurólogos decretaram o fim da era do aço.

O Brasil acreditou nessa balela, suspendeu os investimentos em expansão e promoveu a privatização das suas empresas estatais.

Os asiáticos não acreditaram e continuaram investindo.

Os brasileiros estavam equivocados, os asiáticos certos, ou mudaram o curso da história do aço no mundo.

A siderurgia brasileira que tinha se tornado competitiva, em relação à tradicional siderurgia ocidental, a perdeu com a expansão da nova siderurgia asiática.

No mercado mundial de commodities, com grandes cartéis, esses provocam a aceleração das quedas para tirar do mercado os menos eficientes. Em minério de ferro o Brasil tem uma das líderes do cartel. Em petróleo e siderurgia o Brasil está entre os menos eficientes e sofre a pressão  dos novos líderes que querem tirá-lo do mapa de grandes produtores.

Para coroar a conjuntura de crise na siderurgia e nos seus setores demandantes, rompe a barragem de rejeitos da SAMARCO liberando uma lama destruidora e contaminante.

O rio de lama que os capixabas e os ambientalistas temem é apenas um córrego contaminado diante do amazônico rio de lama que a corrupção montou, represou e que a Operação Lava-Jato rompeu.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cadeias globais (2)

A multinacional ao estabelecer uma unidade produtiva no país pode fazer segundo três concepções:
  1.  uma unidade para suprir a demanda nacional - com eventuais exportações de excedentes - como uma etapa final da cadeia produtiva;
  2. uma plataforma de produção supranacional, atendendo ao mercado doméstico e a mercados externos, preferencialmente regionais;
  3. uma plataforma de exportação, quando o mercado interno é fraco, mas tem condições de custo menores, tanto de logística, como de mão-de-obra e tributários.
 No Brasil a opção preferencial é pela primeira o que resulta numa ampla inserção nas cadeias produtivas e na baixa inserção nas cadeias globais de suprimento. 


As razões principais estão nas políticas industriais promotoras do conteúdo nacional e na resistência da esquerda e dos trabalhadores contra as plataformas de exportação. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cadeias globais (1)

Cadeias globais de suprimento são realidades decorrentes de decisões empresariais. Cadeias produtivas globais também são realidades. Decorrem também de decisões empresariais. 

Já cadeia global de valor é uma construção acadêmica formulada a partir da verificação das cadeias reais e da estatisticatização desses fenômenos reais.

Cadeias de suprimento são organizadas por um comprador principal, que para suprir as necessidades do seu negócio, seja industrial, comercial ou de serviços, estabelece contratos de longo prazo com um fornecedor.

Com a terceirização, duas importantes mudanças ocorreram, com a fragmentação da cadeia produtiva:
  1. as indústrias passaram a comprar de terceiros partes e componentes assumindo apenas a montagem final dos produtos;
  2. as empresas migraram o seu negócio principal para a formulação do produto, associado a uma marca terceirizando toda cadeia produtiva industrial. Nike e Apple são dois casos típicos e emblemáticos.
A par dessa reestruturação da cadeia produtiva, ocorreu a descentralização geográfica, em escala mundial. Dentro do processo de outsourcing a escolha dos fornecedores ou terceiros se fez em âmbito mundial e não apenas regional ou nacional. As empresas industriais passaram a contratar os fornecedores de qualquer lugar do mundo. As cadeias de suprimento passaram a ser globais.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O aquipélago eleitoral

Na eleição presidencial vence o candidato que obtém a maioria dos votos válidos dos eleitores, em dois turnos. É efetivamente uma eleição nacional. 

Nas eleições parlamentares são eleitos os mais votados em cada Estado. Marginalmente são eleitos aqueles que, embora não sejam os com mais votos, se beneficiam do coeficiente partidário. 

Teoricamente, o partido ou a coligação partidária do candidato a Presidente deveria ser  a mesma proporção de votos na eleição parlamentar.  Poderá até ter, mas isso não significa que a composição na Congresso seja a mesma. O peso de cada voto não é igual, mas ponderado. 
 
avidepa.org.br

A eleição parlamentar é feito por ilhas que formam arquipélagos. 

Dentro desse modelo, os partidos nacionais formam maiores bancadas. Os partidos subnacionais bancada menores. E os regionais não chegam a formar bancadas, com representações unitárias. 


Não adianta a um partido dominar uma ilha ou mesmo o arquipélago. Precisa conjugar os diversos arquipélagos e, no momento, apenas um partido o consegue. Com isso controla o parlamento mas não o Executivo.  E gera os impasses.

 

domingo, 8 de novembro de 2015

Haddad 2024

O acadêmico e aprendiz de político Fernando Haddad é um raro caso de gestor público eleito com pretensões de estadista. Não tem com objetivo a sua reeleição imediata. Mas de retorno, para usufruir e completar a sua missão. 


Comete muitos erros, principalmente porque quer implantar logo e ir corrigindo no caminho. E abusa dos factoides e do marketing.

Mas está preparando a cidade para um futuro melhor.

O problema é que a sua cidade não é o município todo, mas o centro expandido, com alguma extensão.

Essa parte da cidade estará melhor em 2024, mais verticalizada, com polos altamente adensados, mas com menos população e trabalho no seu conjunto. Com menos congestionamentos e maior utilização do transporte coletivo. E, acima de tudo, com predomíno da movimentação a pé. Mais equilibrada em termos de uso e infraestrutura. 

Com as suas estratégias deliberadas voltadas ao futuro da cidade, e maquiagem de solução de curto prazo, e abandono do "resto da cidade" não tem condições de ser reeleito em 2016. Mas se coloca, desde já como um forte candidato para a Prefeitura em 2024.

 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...