Notícia é o que vira moda. Empresas e Governo buscam transformar seus produtos ou seus programas em moda. Em São Paulo a moda atual é da ciclovias. As modas emergem, viram sensação, durante algum tempo e depois se tornam triviais, caem na rotina. Algumas são até abandonadas. A sustentabilidade da moda depende da adesão social em que aproveitando o seu auge se incorporem efetivamente no modo de vida, por atender a uma necesidade efetiva ou aspiração das pessoas. Dois casos são típicos: a minissaia e o jeans.
Na vida urbana a moda do carro se sustenta até hoje e de forma crescente. A quase totalidade do ser urbano quer ter o seu carro. Uma parte residual não quer ter carro e quer ter uma bicicleta como o seu único veículo, fora caminhar a pé. Uma grande parte ainda não ter o seu carro, mas quer ter. E Outra parte, enquanto não consegue ter o seu carro compra uma motocicleta. A bicicleta para essa parte que ainda não tem o seu carro é uma alternativa residual, cada vez mais abandonada a favor da moto.
Nas pequenas cidades do interior, principalmente no nordeste, a alterativa era a carroça puxada por um animal, seja o cavalo ou o jegue, que perderam espaço para as motocicletas. A grande alternativa para quem não a tem é usar um mototaxi.
A frota nominal de automóveis vai continuar crescendo nas grandes cidades, mesmo com a oposição e alertas dos chamados "especialistas" e dos sonhadores e do desejo dos "folgados" que são contra os carros: os dos outros. Para eles a culpa toda é dos carros... dos outros.
Esses últimos consitituem a maioria da população urbana e são a favor da melhoria dos transportes coletivos públicos para tirar das ruas os carros (sempre dos outros) e liberá-las para o seu.
A frota líquida poderá até diminuir no futuro próximo, em função dos programas de destruição dos carros obsoletos ou abandonados, já praticados em outros paises. A demora é ainda um problema do processo judicial.
O volume de carros circulando também irá aumentar. O que poderá diminuir é o que os "especialistas" chamam de "momento de transportes", ou seja a multiplicação da quantidade de carros pela distância percorrida.
A frota de carros irá circular menos. As pessoas tenderão a fazer percursos menores, conjugando o transporte individual com o coletivo.
No caso de São Paulo a melhoria do transporte público, principalmente as linhas metroviárias promoverão esse processo. Viabilizará também a composição bicicleta - transporte público. Se bem estruturado poderá viabilizar o esquema bicicleta- transporte coletivo - bicicleta, embora seja uma alternativa residual.
Para que seja sustentável o modelo misto carro-metrô ou carro BRT ou VLT, o essencial será o estacionamento barato nas estações terminais das linhas. Enquanto não houver maior integração entre as linhas (o que é mais importante do que extensão) os estacionamentos nas estações intermediárias não terão grande demanda. Os motorista não querem deixar o seu carro para passar para um transporte coletivo que tem certeza de encontrá-los lotados. Nas estações terminais tem a opção de esperar um pouco mais e poder ter um lugar sentado. A menos que sejam "veios", idosos ou "melhor idade". Sejam portadores de deficiência, em sejam mulheres grávidas ou com filhos pequenos no colo.
O envelhecimento da população tem contribuido para essa mudança de cultura.
A importância desses estacionamentos baratos na ponta ainda não foram suficientemente percebidos pelas autoridades mas acabarão sendo, proximamente pelas demandas reais.
O papel estratégico desses estacionamentos faz com que as inciativas tenham que ser do Poder Público, com uma oferta ampla e preços inicialmente subsidiados.
Isso porque a exploração desses estacionamentos deverá ser por meio de PPPs e até a sua maturação irá requerer uma complementação para a sua operação.
O futuro da mobilidade urbana não está na substituição do transporte individual pelo coletivo, mas na conjugação dos dois modos, associada à condição essencial que é a redução das distâncias de deslocamento dentro das cidades.
Ver o que não é mostrado - Enxergar o que está mostrado Ler o que não está escrito Ouvir o que não é dito - Entender o que está escrito ou dito
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Brasil Ambientalmente Sustentável
A principal diferença em relação à dimensão, dentro de um projeto nacional, não é interna ou instrumental, mas em relação à sua importância efetiva.
Embora haja um amplo discurso no seio da opinião publicada, a dimensão ambiental não é importante, tampouco decisivo para a escolha presidencial, assim como do Congresso Nacional, que teoricamente representa a sociedade brasileira.
Haja vista a derrota de Marina Silva, ainda no primeiro turno e a pequena representatividade dos "ambientalistas" ou "sustentabilistas" que não chegam a formar uma bancada parlamentar. Emergem com alguma força, na discussão ou votação de questões específicas, como ocorreu com o Código Florestal, mas permanece, a maior parte do tempo, hibernada.
Souberam aproveitar a oportunidade em que o tema ainda não havia ganho a importância que veio a ter e aprovaram um conjunto de medidas restritivas que tentam, pelo menos, manter.
O PT não tem, nem nunca teve um projeto de sustentabilidade. O projeto era de Marina Silva, então integrada dentro do PT, e na sua saída ela levou com ela. Mantém o seu grupo de ambientalistas, a maioria, como burocratas, dentro dos órgãos reguladores e fiscalizadores, disputando com os "corruptos" que querem usar as dificuldades para vender as facilidades.
Dilma não prioriza o tema e entende - pessoalmente - que as restrições dificultam e atrasam o desenvolvimento, principalmente nas obras de infraestrutura. Sem as restrições, acredita ela e muitos dos seus seguidores de que o Brasil estaria em melhores condições para enfrentar a estiagem atual, assim como maior disponibilidade de energia elétrica mais barata. Se isso estaria transferindo os custos para as gerações futuras, conforme alegam os ambientalistas, é visto como duvidoso. Ela não quer cuidar só do curto prazo, da sua gestão, mas não é uma estadista. Se as restrições ambientais colocam em risco o projeto de poder, ou o projeto social, como chegou a ameaçar, essas são afastadas.
Dilma e o PT podem reassumir o discurso ambientalista, mas faltam-lhe uma liderança crível e ficará dependente da influência do projeto de poder. Irá dar atenção ao desmatamento se um eventual aumento gerar um ambiente eleitoral desfavorável. Não assumirá posições de liderança internacional nas discussões sobre aquecimento global e gerenciamento da emissão dos gases de efeito estufa.
Mas reagirá, fortemente, por visão ideológica, contra qualquer ameça de internacionalização da Amazônia.
A tendência para os próximos 4 anos é de sequência do que ocorreu nestes últimos, do primeiro mandato: levar "em banho maria" e só reagir a questões especificas.
Na falta de opção Dilma preferiu manter Izabella Teixeira.
O PSDB, como a principal liderança da oposição, também não tem um claro projeto de sustentabilidade para o Brasil, faltando-lhe também significativas lideranças pessoais, embora historicamente tenha abrigado as lideranças iniciais. Fábio Feldmann foi uma delas, tendo sido eleito deputado dederal por três vezes, mas desistiu da carreira legislativa. Tentou a Governadoria de São Paulo, pelo PV e foi derrotado. Os ambientalistas tem muito espaço na mídia, mas poucos votos.
As lideranças remanescentes estão nas áreas acadêmicas e técnicas, sem a emergência de um ambientalista, com forte liderança política. Os seus principais líderes não dão maior importância à questão da sustentabilidade, a menos de discursos oportunistas.
Precisará construir um projeto forte de impacto eleitoral, concorrendo com o PT que tem a mesma necessidade dentro de um espaço amplamente ocupado por Marina Silva.
Marina Silva está no dilema de aderir a um projeto político, mais amplo ou de se concentrar no projeto do Brasil ambientalmente sustentável. No primeiro caso, deve permanecer dentro do PSB. No segundo viabilizar o seu partido e construir nos próximos 4 anos um projeto eleitoralmente competitivo.
Não se trata de um projeto unitemático, mas de ter um forte pilar para sustentar os demais temas.
A primeira visão desse projeto é que, já no presente, mas mais no futuro próximo, a indústria sustentável é a alternativa (talvez a única) para a revitalização desse setor, hoje decadente.
A competitividade futura do produto industrial não será apenas o seu custo ou as qualidades que influenciam o seu valor percebido, mas os recursos sócio-ambientais para a sua produção, até chegar ao seu consumidor.
Atualmente os produtos alimentícios já são obrigados a declarar na embalagem se contém ou não glúten e a sua composição nutricional. Embora ainda não seja a maioria, os que lêem as embalagens querem saber se contém ou não açúcares e gorduras trans. Ainda que não seja a exigência da maioria dos consumidores, os compradores das lojas de varejo já exigem dos seus fornecedores.
Os indicadores sociais ainda não estão consolidados, para serem incluidos nas embalagens ou nas etiquetas dos calçados, vestuário, eletrodomésticos e outros produtos de consumo. Mas qualquer grande marca que seja flagrado com uso de trabalho infantil, ou utilizado em condições similares à escravidão, tem logo uma redução de consumo. Para refazer a imagem podem gastar mais do que prevenir e evitar.
Embora haja avanços nesse sentido, há grandes resistências dos paises asiáticos, onde é mais comum a produção industrial em condições de trabalho degradantes. Mas ainda ocorre no Brasil, onde se alega o prejuizo social, com as restrições. Para alguns trabalhadores o trabalho, mesmo em condições precárias, é visto como a unica alternativa. Sem essa só lhe restaria a desocupação ou desemprego. No Brasil a sustentação mínima é dada pelo Bolsa-Família. Mas é preciso ter soluções mais expeditas para os trabalhadores liberados da condição similares à escravidão. A fiscalização se preocupa com a penalização dos empregadores, à liberação dos trabalhadores, mas pouco com o seu destino subsequente.
Apesar das resistências o consumidor consciente, em todo o mundo, tende a aumentar e ser mais exigente, de tal forma que não bastará ter o menor custo. O consumidor tende a ficar cada vez mais desconfiado, exigindo saber em que condições o produto foi fabricado. A sua ocorrência ainda não é majoritária, o que gera a oportunidade aos partidos políticos, principalmente para a Rede de Sustentabilidade.
Este assumindo a bandeira do consumo socialmente sustentável o incorpora a um projeto político. Essa colocação, por outro lado está sujeitos a críticas e contestações daqueles que são contra a politização do tema.
A outra dimensão da produção e consumo sustentável está no consumo energético e na emissão dos gases de efeito estufa. Aqui também o Brasil enfrenta um dilema: voltar a uma produção hidroelétrica, com base no volume de água represada, ou restringir ao fio d'água e buscar produção alternativa. A curto prazo a alternativa viável é o gás ou o diesel, muito mais poluentes. As alternativas eólicas e solares ainda não decolaram. Há necessidade de uma política previsível de longo prazo.
O PT no governo fará a política real. A oposição e da Rede poderão concordar com o retorno da solução de represamento, diante da crise nacional da água, ou manter as restrições. A tendência é que a oposição, se coloque a favor, diante dos impactos em São Paulo. Já a Rede deverá manter as restrições, principalmente na Amazônia. Com relação às soluções alternativas a tendência é de manutenção de uma política lenta e gradual, focando toda expectativa no aumento da produção do petróleo do pré-sal, com redução nos custos dos insumos. A queda já ocorrida nos preços internacionais de petróleo já ajudarão na redução dos preços finais da eletricidade.
Do ponto de vista político, os problemas da falta da água pesam mais que a preservação das terras indígenas na Amazônia. A restrição da produção hidroelétrica não levará ao apagão, dadas das alternativas térmicas, mas impacta nos preços.
Em relação ao desmatamento não há divergências finalisticas quanto à necessidade de reduzí-lo e controlá-lo, porém há diferenças quando à efetividade e aos instrumentos.
A efetividade no Governo Dilma é baixa e o desmatamento voltou a crescer.
O maior desafio de Marina é transformar a questão ambiental em prioridade eleitoral. A primeira condição é tornar a questão a base para o crescimento econômico, como exposto acima.
A segunda condição é fazer da sustentabilidade uma ação para a redução da desigualdade social e gerar mais oportunidades de geração de trabalho e renda para os mais pobres.
A visão elitista tende tirar mais do que criar oportunidades de renda.
Radicalizando na preservação das florestas naturais, acabam retirando populações tradicionais que sempre viveram da extração para consumo próprio. Não fizeram a distinção entre o consumo próprio e o consumo para a industrialização. Essa distorção veio a ser corrigida, mas depois de muitos terem sido expulsos do seu habitat natural.
A alternativa é o pagamento pelos serviços de preservação amiental, que é uma indenização pelo não extração e exploração das matas naturais. Mas isso não é suficiente. É preciso gerar oportunidades de trabalho para os "filhos dos beneficiários", no caso os "filhos da floresta".
Embora haja um amplo discurso no seio da opinião publicada, a dimensão ambiental não é importante, tampouco decisivo para a escolha presidencial, assim como do Congresso Nacional, que teoricamente representa a sociedade brasileira.
Haja vista a derrota de Marina Silva, ainda no primeiro turno e a pequena representatividade dos "ambientalistas" ou "sustentabilistas" que não chegam a formar uma bancada parlamentar. Emergem com alguma força, na discussão ou votação de questões específicas, como ocorreu com o Código Florestal, mas permanece, a maior parte do tempo, hibernada.
Souberam aproveitar a oportunidade em que o tema ainda não havia ganho a importância que veio a ter e aprovaram um conjunto de medidas restritivas que tentam, pelo menos, manter.
O PT não tem, nem nunca teve um projeto de sustentabilidade. O projeto era de Marina Silva, então integrada dentro do PT, e na sua saída ela levou com ela. Mantém o seu grupo de ambientalistas, a maioria, como burocratas, dentro dos órgãos reguladores e fiscalizadores, disputando com os "corruptos" que querem usar as dificuldades para vender as facilidades.
Dilma não prioriza o tema e entende - pessoalmente - que as restrições dificultam e atrasam o desenvolvimento, principalmente nas obras de infraestrutura. Sem as restrições, acredita ela e muitos dos seus seguidores de que o Brasil estaria em melhores condições para enfrentar a estiagem atual, assim como maior disponibilidade de energia elétrica mais barata. Se isso estaria transferindo os custos para as gerações futuras, conforme alegam os ambientalistas, é visto como duvidoso. Ela não quer cuidar só do curto prazo, da sua gestão, mas não é uma estadista. Se as restrições ambientais colocam em risco o projeto de poder, ou o projeto social, como chegou a ameaçar, essas são afastadas.
Dilma e o PT podem reassumir o discurso ambientalista, mas faltam-lhe uma liderança crível e ficará dependente da influência do projeto de poder. Irá dar atenção ao desmatamento se um eventual aumento gerar um ambiente eleitoral desfavorável. Não assumirá posições de liderança internacional nas discussões sobre aquecimento global e gerenciamento da emissão dos gases de efeito estufa.
Mas reagirá, fortemente, por visão ideológica, contra qualquer ameça de internacionalização da Amazônia.
A tendência para os próximos 4 anos é de sequência do que ocorreu nestes últimos, do primeiro mandato: levar "em banho maria" e só reagir a questões especificas.
Na falta de opção Dilma preferiu manter Izabella Teixeira.
O PSDB, como a principal liderança da oposição, também não tem um claro projeto de sustentabilidade para o Brasil, faltando-lhe também significativas lideranças pessoais, embora historicamente tenha abrigado as lideranças iniciais. Fábio Feldmann foi uma delas, tendo sido eleito deputado dederal por três vezes, mas desistiu da carreira legislativa. Tentou a Governadoria de São Paulo, pelo PV e foi derrotado. Os ambientalistas tem muito espaço na mídia, mas poucos votos.
As lideranças remanescentes estão nas áreas acadêmicas e técnicas, sem a emergência de um ambientalista, com forte liderança política. Os seus principais líderes não dão maior importância à questão da sustentabilidade, a menos de discursos oportunistas.
Precisará construir um projeto forte de impacto eleitoral, concorrendo com o PT que tem a mesma necessidade dentro de um espaço amplamente ocupado por Marina Silva.
Marina Silva está no dilema de aderir a um projeto político, mais amplo ou de se concentrar no projeto do Brasil ambientalmente sustentável. No primeiro caso, deve permanecer dentro do PSB. No segundo viabilizar o seu partido e construir nos próximos 4 anos um projeto eleitoralmente competitivo.
Não se trata de um projeto unitemático, mas de ter um forte pilar para sustentar os demais temas.
A primeira visão desse projeto é que, já no presente, mas mais no futuro próximo, a indústria sustentável é a alternativa (talvez a única) para a revitalização desse setor, hoje decadente.
A competitividade futura do produto industrial não será apenas o seu custo ou as qualidades que influenciam o seu valor percebido, mas os recursos sócio-ambientais para a sua produção, até chegar ao seu consumidor.
Atualmente os produtos alimentícios já são obrigados a declarar na embalagem se contém ou não glúten e a sua composição nutricional. Embora ainda não seja a maioria, os que lêem as embalagens querem saber se contém ou não açúcares e gorduras trans. Ainda que não seja a exigência da maioria dos consumidores, os compradores das lojas de varejo já exigem dos seus fornecedores.
Os indicadores sociais ainda não estão consolidados, para serem incluidos nas embalagens ou nas etiquetas dos calçados, vestuário, eletrodomésticos e outros produtos de consumo. Mas qualquer grande marca que seja flagrado com uso de trabalho infantil, ou utilizado em condições similares à escravidão, tem logo uma redução de consumo. Para refazer a imagem podem gastar mais do que prevenir e evitar.
Embora haja avanços nesse sentido, há grandes resistências dos paises asiáticos, onde é mais comum a produção industrial em condições de trabalho degradantes. Mas ainda ocorre no Brasil, onde se alega o prejuizo social, com as restrições. Para alguns trabalhadores o trabalho, mesmo em condições precárias, é visto como a unica alternativa. Sem essa só lhe restaria a desocupação ou desemprego. No Brasil a sustentação mínima é dada pelo Bolsa-Família. Mas é preciso ter soluções mais expeditas para os trabalhadores liberados da condição similares à escravidão. A fiscalização se preocupa com a penalização dos empregadores, à liberação dos trabalhadores, mas pouco com o seu destino subsequente.
Apesar das resistências o consumidor consciente, em todo o mundo, tende a aumentar e ser mais exigente, de tal forma que não bastará ter o menor custo. O consumidor tende a ficar cada vez mais desconfiado, exigindo saber em que condições o produto foi fabricado. A sua ocorrência ainda não é majoritária, o que gera a oportunidade aos partidos políticos, principalmente para a Rede de Sustentabilidade.
Este assumindo a bandeira do consumo socialmente sustentável o incorpora a um projeto político. Essa colocação, por outro lado está sujeitos a críticas e contestações daqueles que são contra a politização do tema.
A outra dimensão da produção e consumo sustentável está no consumo energético e na emissão dos gases de efeito estufa. Aqui também o Brasil enfrenta um dilema: voltar a uma produção hidroelétrica, com base no volume de água represada, ou restringir ao fio d'água e buscar produção alternativa. A curto prazo a alternativa viável é o gás ou o diesel, muito mais poluentes. As alternativas eólicas e solares ainda não decolaram. Há necessidade de uma política previsível de longo prazo.
O PT no governo fará a política real. A oposição e da Rede poderão concordar com o retorno da solução de represamento, diante da crise nacional da água, ou manter as restrições. A tendência é que a oposição, se coloque a favor, diante dos impactos em São Paulo. Já a Rede deverá manter as restrições, principalmente na Amazônia. Com relação às soluções alternativas a tendência é de manutenção de uma política lenta e gradual, focando toda expectativa no aumento da produção do petróleo do pré-sal, com redução nos custos dos insumos. A queda já ocorrida nos preços internacionais de petróleo já ajudarão na redução dos preços finais da eletricidade.
Do ponto de vista político, os problemas da falta da água pesam mais que a preservação das terras indígenas na Amazônia. A restrição da produção hidroelétrica não levará ao apagão, dadas das alternativas térmicas, mas impacta nos preços.
Em relação ao desmatamento não há divergências finalisticas quanto à necessidade de reduzí-lo e controlá-lo, porém há diferenças quando à efetividade e aos instrumentos.
A efetividade no Governo Dilma é baixa e o desmatamento voltou a crescer.
O maior desafio de Marina é transformar a questão ambiental em prioridade eleitoral. A primeira condição é tornar a questão a base para o crescimento econômico, como exposto acima.
A segunda condição é fazer da sustentabilidade uma ação para a redução da desigualdade social e gerar mais oportunidades de geração de trabalho e renda para os mais pobres.
A visão elitista tende tirar mais do que criar oportunidades de renda.
Radicalizando na preservação das florestas naturais, acabam retirando populações tradicionais que sempre viveram da extração para consumo próprio. Não fizeram a distinção entre o consumo próprio e o consumo para a industrialização. Essa distorção veio a ser corrigida, mas depois de muitos terem sido expulsos do seu habitat natural.
A alternativa é o pagamento pelos serviços de preservação amiental, que é uma indenização pelo não extração e exploração das matas naturais. Mas isso não é suficiente. É preciso gerar oportunidades de trabalho para os "filhos dos beneficiários", no caso os "filhos da floresta".
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Tomie Ohtake
Tomie Ohtake é a artista plástica mais presente na vida dos brasileiros, com as suas grandes peças em várias cidades do Brasil. Em sua morte está sendo cultuada, com todo o merecimento, e não poderia deixar de prestar a minha homenagem, embora tivesse muito afastado da convivência pessoal, que foi muito intensa na adolescência.
Ela, a minha mãe e a Sra. Sato, eram muito amigas, com frequencia mútua nas suas casas. Levando os filhos. Os filhos tiveram grande convivência, reunidos também pelos cursos de férias (de natação) do prof. Sato. O Ruy, o Hiroo Sato e o meu irmão Shoiti se envolveram a criar um jornalzinho, tirado no mimeógrafo a alcool, sob o título Vida Aquática.
Fomos estudar na mesma escola: no Parque D Pedro II. Para entrar tinha o exame de admissão: o Ruy passou em primeiro lugar. Eu nem sei em que lugar, lá pra trás.
Convivi muito com a família Ohtake, na casinha da Rua da Paz, 96 na Mooca, onde ia de bonde. Com a Obassan abandonada pelo marido, cuidando sozinha dos dois moleques, como eu. E, uma dona de casa, preenchendo o tempo escrevendo. Em japonês.Tentou ser uma escritora. Chegou a me mostrar uns escritos, mas eu não sabia ler. Até que resolveu começar a desenhar e depois pintar. Ai com os moleques crescidos indo para a faculdade, seguimos caminhos distintos e passei a acompanhar o sucesso da família, de longe, como outros milhões de brasileiros. Mas ganhei dela, o carinho e um quadro no meu casamento (abaixo)
Há uma curiosidade que vou registrar. No tempo da guerra, o governo brasileiro exigiu que as famílias alemãs, italianas e japonesas colocassem nomes brasileiros. Não sei o nome brasileiro que Tomie, eventualmente acrescentou. Mas meu pais Kiyoshi incorporou um André. Agora o meu sobrinho André deu ao seu filho o nome de Kiyoshi. Minha mãe Akiko acrescentou uma Ana, que é o primeiro nome da minha filha Ana Paula, e Camila é também Akiko. Meu irmão mais velho, já falecido, teve um Antonio no seu nome Shoiti. E o Kenzo, Roberto. Só eu não tive que assumir um nome brasileiro, porque o escrivão entendeu que o nome Joji, anunciado pelo mei pai seria Jorge. Os nomes foram adotados em batismo, mas sem o registro oficial.
Entre os Ohtakes, o Massashi, o mais velho e meu contemporâneo, ganhou um Ruy e o Itsuo o Ricardo. Mas conhecido por nós como Cau.
Com o término da guerra, acabou a exigência, e meus irmãos foram deixados os nomes brasileiros, ou em língua portuguesa. O fotógrafo das praias Shoiti acabou virando um Show it, até hoje presente na revista Trip. Antonio sumiu. Se alguém chamar o Kenzo de Roberto ele nem vai atender ou levar um susto.
Já com os Ohtakes ocorreu o inverso. Passaram a ser conhecidos pelos nomes brasileiros, sumindo com o japonês. Alguém conhece o arquiteto Massashi Ohtake? Seria um parente do Ruy? E o Itsuo? Mas todos conhecem os brilhantes irmãos arquitetos Ruy e Ricardo Ohtake.
É apenas uma historinha de quem teve a felicidade de conviver com essa formidável senhora. Que foi mas deixou um imenso legado que alegra e comeve a nossa vida.
A sua capacidade de comover ao deparar com uma obra sua é impar.
Para complementar transcrevo o e-mail do meu irmão Kenzo.
Ela, a minha mãe e a Sra. Sato, eram muito amigas, com frequencia mútua nas suas casas. Levando os filhos. Os filhos tiveram grande convivência, reunidos também pelos cursos de férias (de natação) do prof. Sato. O Ruy, o Hiroo Sato e o meu irmão Shoiti se envolveram a criar um jornalzinho, tirado no mimeógrafo a alcool, sob o título Vida Aquática.
Fomos estudar na mesma escola: no Parque D Pedro II. Para entrar tinha o exame de admissão: o Ruy passou em primeiro lugar. Eu nem sei em que lugar, lá pra trás.
Convivi muito com a família Ohtake, na casinha da Rua da Paz, 96 na Mooca, onde ia de bonde. Com a Obassan abandonada pelo marido, cuidando sozinha dos dois moleques, como eu. E, uma dona de casa, preenchendo o tempo escrevendo. Em japonês.Tentou ser uma escritora. Chegou a me mostrar uns escritos, mas eu não sabia ler. Até que resolveu começar a desenhar e depois pintar. Ai com os moleques crescidos indo para a faculdade, seguimos caminhos distintos e passei a acompanhar o sucesso da família, de longe, como outros milhões de brasileiros. Mas ganhei dela, o carinho e um quadro no meu casamento (abaixo)
Há uma curiosidade que vou registrar. No tempo da guerra, o governo brasileiro exigiu que as famílias alemãs, italianas e japonesas colocassem nomes brasileiros. Não sei o nome brasileiro que Tomie, eventualmente acrescentou. Mas meu pais Kiyoshi incorporou um André. Agora o meu sobrinho André deu ao seu filho o nome de Kiyoshi. Minha mãe Akiko acrescentou uma Ana, que é o primeiro nome da minha filha Ana Paula, e Camila é também Akiko. Meu irmão mais velho, já falecido, teve um Antonio no seu nome Shoiti. E o Kenzo, Roberto. Só eu não tive que assumir um nome brasileiro, porque o escrivão entendeu que o nome Joji, anunciado pelo mei pai seria Jorge. Os nomes foram adotados em batismo, mas sem o registro oficial.
Entre os Ohtakes, o Massashi, o mais velho e meu contemporâneo, ganhou um Ruy e o Itsuo o Ricardo. Mas conhecido por nós como Cau.
Com o término da guerra, acabou a exigência, e meus irmãos foram deixados os nomes brasileiros, ou em língua portuguesa. O fotógrafo das praias Shoiti acabou virando um Show it, até hoje presente na revista Trip. Antonio sumiu. Se alguém chamar o Kenzo de Roberto ele nem vai atender ou levar um susto.
É apenas uma historinha de quem teve a felicidade de conviver com essa formidável senhora. Que foi mas deixou um imenso legado que alegra e comeve a nossa vida.
A sua capacidade de comover ao deparar com uma obra sua é impar.
Para complementar transcrevo o e-mail do meu irmão Kenzo.
Hoje foi um dia triste e que mexeu muito com as minhas lembranças da infância. Tomie Ohtake partiu.
Longeva centenária, um marco na arte brasileira.
Trabalhos incríveis, muitos trabalhos espalhados pelo Brasil inteiro e no exterior. Era a única sobrevivente da geração da minha mãe e amigas.
Conheci Tomie ainda na infância, as nossas famílias eram amigas. Ela, minha mãe e mais outras 7 u 8 senhoras senhoras se reuniam periodicamente com o Professor de Natação Sato. E os filhos todos aprenderam a nadar com ele nos cursos de férias. A colonia japonesa em São Paulo ainda era pequena e praticamente todas as famílias se conheciam. Ela me chamava de Kentchan (=diminutivo e para crianças)
E os filhos formavam então, um grupo muito unido de amigos e amigas, crescemos juntos e era costume frequentar as casas de todos.
Ricardo, o filho mais novo, era meu amigão, crescemos juntos, tendo fases que encontrávamos quase que diariamente e todos os finais de semana para ir aos bailinhos. Isto até entrar na faculdade, ele fez arquitetura na FAU e eu fui pra Geologia.
Daí pra frente era a fase que as pessoas se separavam. Só estudar e se formar. Depois de formado a procura do trabalho, trabalhando muito, depois vem o casamento, filhos, e cada um toma rumos diferentes.
Para mim, desde pequeno, aprendi a ter muito respeito pelas pessoas mais velhas. Jamais seria permitido que eu a chamasse ou me referisse a ela como Tomie. Acho que nem sabia desse nome, pois para nós ela era Ohtake-san no Oba-san = Sra. Ohtake.
E vendo a reportagem e a entrevista que ela deu em 2009 para o canal Arte 1, voltei ao saudoso passado ao ver uma foto tirada na frente da casa da família - ainda gravada na minha memória - Rua da Paz, 96, Moóca, um pequeno sobrado geminado, e outra com os dois filhos - Ruy e Ricardo.
Quando ela começou a pintar, não lembro a data, mas lembro-me que o "atelier" era o que na época todas as casinhas tinham - uma sala de visita, que ficava na parte da frente da casa. Era um comodo tão pequeno que ela tinha que sair fora e ver pela janela, como estava o quadro que ela estava pintando.
Mais pra fente, já adolescente, lembro que a casa estava cheia de quadros em todos os lugares, inclusive quadros muito grandes encostados na paredes. Só depois que o Ruy se formou e estava se tornando um arquiteto famoso pelos seu projetos arrojados de concreto aparente, é que ele projetou e construiu uma casa enorme que coubesse o atelier dela com tudo que fosse necessário. Como perdi completamente o contato com eles todos, pode ser que eu esteja errado.
E ela não parou mais de trabalhar. Trabalhou até a véspera de ser internada no começo deste mês e estava querendo a alta para poder voltar para casa, pois tinha muito que fazer. Infelizmente, não conseguiu. Um engasgo levou a uma parada cardíaca, que a levou.
Uma grande perda, deixa um acervo enorme de trabalhos e a sua marca nas esculturas públicas espalhadas em pontos estratégicos da cidade que ela, recém chegada do Japão escolheu e sempre amou muito - São Paulo.
A única coisa que teve extrema dificuldade nesta vida centenária, foi falar o português. Tinha muita dificuldade para encontrar as palavras e se expressar. Daí, não ter muita entrevista gravada.
Toda vez que eu a encontrava falávamos em japonês.
E assim, mais uma vez, vai-se o artista, mas a sua obra fica.
Com muita tristeza, mando meu pêsames ao meu amigo Cau - Ricardo e ao Ruy. Quem for ao velório transmita essa por mim. O velório segundo informado na TV será amanhã (sexta) no Instituto Tomie Ohtake em Pinheiros, Sampa.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Uma grande oportunidade ou um "elefante branco"
Um dos principais problemas apontados para a falta de competividade do Brasil (dos produtos brasileiros ou dos produtos fabricados no Brasil) é a carência logística.
Temos o problema da não competitividade dos produtos do Brasil no mercado interno. Mas nesse caso o problema não é logístico, mas tributário, de custos de produção, etc. A partir do momento em que o produto importado sai do porto, o que corresponde ao sair da fábrica no Brasil, no caso do produto nacional, enfrenta as mesmas condições logísticas para suprir o mercado interno, sejam boas ou ruins.
Portanto, uma primeira colocação para entender melhor a questão e não ficar repetindo a mesma bobagem que tenho ouvido ou lido: O produto nacional não perde a competitividade em relação ao importado, por questões logísticas, dentro do mercado nacional.
A bobagem decorre de uma extensão acrítica dos problemas logísticos das commodities agrícolas e minerais produzidas nas áreas centrais do país, para chegarem aos portos.
Perde sim no mercado externo. Começando pela sua localização. Por razões históricas. Ou melhores, por vieses históricos.
Num pais imenso, com um enorme litoral, foi natural que toda a ocupação inicial tenha sido no litoral. Isso tinha uma vantagem logística. A ligação entre as cidades litorâneas podia ser feita por cabotagem. Os passageiros viajavam nos itas. Não era necessária uma intensa ligação com o interior. Apenas com as áreas de reservas minerais. Mesmo para a agricultura, as terras próximas ao mar eram abundantes. Havia exceções e um bando de bandeirantes queriam ocupar o interior.
A visão militar queria uma industrialização afastada do litoral, para não ficar a mercê dos piratas e invasões dos inimigos pelo mar, mas não tão longe. Essa visão fez de São Paulo o grande polo industrial: próximo ao mar, mas protegido pelas escarpas da Serra do Mar. A mesma levou a instalação da primeira grande siderúrgica no Brasil em Volta Redonda.
Essa localização requereu uma logística adequada, satisfatoriamente resolvida por soluções tecnológicas.
A ocupação litorânea levou muitos críticos e parte da sociedade brasileira a criticar a ocupação territorial brasileira "de costas para o mar", quando estava "de frente para o mar". Frente ou costas era um ponto de vista. Mas os "neobandeirantes" e "interiorizantes" abriram frentes no inteior, mudaram a Capital para o planalto central, incentivaram a ocupação econômica no interior, sem a implantação de uma infraestrutura logística adequada. As carências foram agravadas com a disputa modal o que levou ao abandono de uma imensa infraestrutura ferroviária então instalada anteriormente.
Com as mudanças da organização espacial das atividades industriais, abrangendo a globalização, a melhor localização para as indústrias voltou a ser o litoral. A China, já dentro do novo modelo, repetiu o Brasil. Ocupou só a área litorânea. Só mais recentemente começou o processo de interiorização.
Com a globalização o melhor modelo de localização industrial passou a ser o porto-indústria. E a indústria que se instala junto ao porto, importa insumos, partes e até produtos prontos e exporta também produtos intermedários e finais. O porto-indústria depende menos da logística interna. O seu problema é a logística externa.
O Brasil seculamente é contra o modelo exportador e por isso sempre foi contra o modelo do porto-indústria. A preferência era a indústria junto ao mercado consumidor.
A China avançou e o Brasil parou. Só recentemente passou a investir no novo modelo com Suape e Pecém, com severas criticas do "sul maravilha", principalmente dos paulistas, ciosos em manter o Porto de Santos com o principal "hub" portuário da América do Sul.
Um empreendedor brasileiro megalomâniaco resolveu implantar no sudeste um grande porto-indústria. Não teve fôlego, quebrou, vendeu as instalações a um fundo estrangeiro que completou as obras portuárias. O Porto de Açu afinal ficou pronto.
Mas a retaguarda continua vazia. A indústria não chegou lá. Corre o risco de se tornar um enorme "elefante branco".
Se existe um gargalo portuário para a exportação de produtos industriais fabricados (ou montados) no Brasil, o complexo de Açu poderá vencê-lo.
Mas o outro complexo, o psicológico, fará com que não aconteça tão rapidamente, isso se vier a ocorrer.
O porto-indústria de Açu está fadado a ser mais um dos sonhos megalomaníacos deste Brasil Grande, que vai para a galeria das grandes frustrações nacionais.
Temos o problema da não competitividade dos produtos do Brasil no mercado interno. Mas nesse caso o problema não é logístico, mas tributário, de custos de produção, etc. A partir do momento em que o produto importado sai do porto, o que corresponde ao sair da fábrica no Brasil, no caso do produto nacional, enfrenta as mesmas condições logísticas para suprir o mercado interno, sejam boas ou ruins.
Portanto, uma primeira colocação para entender melhor a questão e não ficar repetindo a mesma bobagem que tenho ouvido ou lido: O produto nacional não perde a competitividade em relação ao importado, por questões logísticas, dentro do mercado nacional.
A bobagem decorre de uma extensão acrítica dos problemas logísticos das commodities agrícolas e minerais produzidas nas áreas centrais do país, para chegarem aos portos.
Perde sim no mercado externo. Começando pela sua localização. Por razões históricas. Ou melhores, por vieses históricos.
Num pais imenso, com um enorme litoral, foi natural que toda a ocupação inicial tenha sido no litoral. Isso tinha uma vantagem logística. A ligação entre as cidades litorâneas podia ser feita por cabotagem. Os passageiros viajavam nos itas. Não era necessária uma intensa ligação com o interior. Apenas com as áreas de reservas minerais. Mesmo para a agricultura, as terras próximas ao mar eram abundantes. Havia exceções e um bando de bandeirantes queriam ocupar o interior.
A visão militar queria uma industrialização afastada do litoral, para não ficar a mercê dos piratas e invasões dos inimigos pelo mar, mas não tão longe. Essa visão fez de São Paulo o grande polo industrial: próximo ao mar, mas protegido pelas escarpas da Serra do Mar. A mesma levou a instalação da primeira grande siderúrgica no Brasil em Volta Redonda.
Essa localização requereu uma logística adequada, satisfatoriamente resolvida por soluções tecnológicas.
A ocupação litorânea levou muitos críticos e parte da sociedade brasileira a criticar a ocupação territorial brasileira "de costas para o mar", quando estava "de frente para o mar". Frente ou costas era um ponto de vista. Mas os "neobandeirantes" e "interiorizantes" abriram frentes no inteior, mudaram a Capital para o planalto central, incentivaram a ocupação econômica no interior, sem a implantação de uma infraestrutura logística adequada. As carências foram agravadas com a disputa modal o que levou ao abandono de uma imensa infraestrutura ferroviária então instalada anteriormente.
Com as mudanças da organização espacial das atividades industriais, abrangendo a globalização, a melhor localização para as indústrias voltou a ser o litoral. A China, já dentro do novo modelo, repetiu o Brasil. Ocupou só a área litorânea. Só mais recentemente começou o processo de interiorização.
Com a globalização o melhor modelo de localização industrial passou a ser o porto-indústria. E a indústria que se instala junto ao porto, importa insumos, partes e até produtos prontos e exporta também produtos intermedários e finais. O porto-indústria depende menos da logística interna. O seu problema é a logística externa.
O Brasil seculamente é contra o modelo exportador e por isso sempre foi contra o modelo do porto-indústria. A preferência era a indústria junto ao mercado consumidor.
A China avançou e o Brasil parou. Só recentemente passou a investir no novo modelo com Suape e Pecém, com severas criticas do "sul maravilha", principalmente dos paulistas, ciosos em manter o Porto de Santos com o principal "hub" portuário da América do Sul.
Um empreendedor brasileiro megalomâniaco resolveu implantar no sudeste um grande porto-indústria. Não teve fôlego, quebrou, vendeu as instalações a um fundo estrangeiro que completou as obras portuárias. O Porto de Açu afinal ficou pronto.
Mas a retaguarda continua vazia. A indústria não chegou lá. Corre o risco de se tornar um enorme "elefante branco".
Se existe um gargalo portuário para a exportação de produtos industriais fabricados (ou montados) no Brasil, o complexo de Açu poderá vencê-lo.
Mas o outro complexo, o psicológico, fará com que não aconteça tão rapidamente, isso se vier a ocorrer.
O porto-indústria de Açu está fadado a ser mais um dos sonhos megalomaníacos deste Brasil Grande, que vai para a galeria das grandes frustrações nacionais.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Campanha Eleitoral Antecipada
Em meio a uma crise, recomendam os manuais, que se crie um fato novo para desviar a atenção da sociedade e da mídia dos problemas crônicos.
A crise política está caracterizada pela enorme perda de popularidade de um Governo recém eleito e empossado e das suas sucessivas derrotas nos embates com o Legislativo.
Essa conjuntura leva ao risco de um impeachment da Presidente, enfraquecendo-a mais ainda. Ela começa o novo mandato como "pata manca (lame duck)". Expressão inglesa para caracterizar um govenante sem prestígio e sem autoridade real, apesar do cargo.
Lula que é o mais esperto de todos os políticos brasileiros, já criou o fato novo. Além de retornar à cena, acusando os adversários e adeptos destes de golpismo, antecipou a campanha eleitoral, emergindo como o candidato à sucessão de Dilma, mantendo a permanência do PT no poder.
Irá retomar as caravanas por todo o Brasil, defendendo o projeto social do PT e denunciando a tentativa de "golpe" para abreviar o mandato da companheira Dilma.
Mas o fato novo, que vai tomar conta do noticiário, será quando a mídia descobrir que a campanha eleitoral de Lula não é para 2018, mas para ainda 2015 ou até 2016.
Segundo a Constituição Federal de 1988, se a Presidente for destituida, assume o Vice-Presidente, para completar o mandato como ocorreu com Itamar, substituindo Collor.
Mas se também o Vice for invializado, destituido ou impedido, junto com a Presidente, antes de completar dois anos de mandato, portanto até 31 de dezembro de 2016, far-se-á uma nova eleição, até 90 dias da ocorrência do último fato.
Para não discutirmos os prazos, se até 30 de setembro de 2016, Dilma e Temer estiverem fora do Governo, haverá nova eleição direta. Depois de dois anos, a eleição será indireta pelo Congresso Nacional.
Ao iniciar uma campanha eleitoral antecipada, Lula tenta acalmar os petistas: "mesmo se houver o golpe, o PT não perderá o poder e Lula voltará ao Planalto nos braços do povo." Como Getúlio voltou ao Catete, para só sair num caixão.
Por outro lado arrefecerá os ímpetos da oposição e dos defensores populares do impeachment da Presidente: "se ela cair, volta Lula".
Fantasioso, sim.
Mas o que importa é a criação do "fato novo" para tirar a Presidenta das cordas.
A crise política está caracterizada pela enorme perda de popularidade de um Governo recém eleito e empossado e das suas sucessivas derrotas nos embates com o Legislativo.
Essa conjuntura leva ao risco de um impeachment da Presidente, enfraquecendo-a mais ainda. Ela começa o novo mandato como "pata manca (lame duck)". Expressão inglesa para caracterizar um govenante sem prestígio e sem autoridade real, apesar do cargo.
Lula que é o mais esperto de todos os políticos brasileiros, já criou o fato novo. Além de retornar à cena, acusando os adversários e adeptos destes de golpismo, antecipou a campanha eleitoral, emergindo como o candidato à sucessão de Dilma, mantendo a permanência do PT no poder.
Irá retomar as caravanas por todo o Brasil, defendendo o projeto social do PT e denunciando a tentativa de "golpe" para abreviar o mandato da companheira Dilma.
Mas o fato novo, que vai tomar conta do noticiário, será quando a mídia descobrir que a campanha eleitoral de Lula não é para 2018, mas para ainda 2015 ou até 2016.
Segundo a Constituição Federal de 1988, se a Presidente for destituida, assume o Vice-Presidente, para completar o mandato como ocorreu com Itamar, substituindo Collor.
Mas se também o Vice for invializado, destituido ou impedido, junto com a Presidente, antes de completar dois anos de mandato, portanto até 31 de dezembro de 2016, far-se-á uma nova eleição, até 90 dias da ocorrência do último fato.
Para não discutirmos os prazos, se até 30 de setembro de 2016, Dilma e Temer estiverem fora do Governo, haverá nova eleição direta. Depois de dois anos, a eleição será indireta pelo Congresso Nacional.
Ao iniciar uma campanha eleitoral antecipada, Lula tenta acalmar os petistas: "mesmo se houver o golpe, o PT não perderá o poder e Lula voltará ao Planalto nos braços do povo." Como Getúlio voltou ao Catete, para só sair num caixão.
Por outro lado arrefecerá os ímpetos da oposição e dos defensores populares do impeachment da Presidente: "se ela cair, volta Lula".
Fantasioso, sim.
Mas o que importa é a criação do "fato novo" para tirar a Presidenta das cordas.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Fluxo e cadeia produtiva global
Fluxo da produção é o processo que envolve a sequencia das etapas de fabricação de um bem, desde a matéria prima, até chegar ao consumidor final.
A distribuição territorial do fluxo pode ser local, regional, nacional ou até multinacional. Neste último caso as etapas estão instaladas em diversos paises, e tem sido caracterizada como global ou globalizada.
O fluxo de produção é um elemento básico na elaboração de projetos industriais, a partir do qual ou junto com esse é escolhida a tecnologia dos processos e os equipamentos.
É usado pelos estudos acadêmicos para ilustar desdobradamente as etapas de produção.
Os fluxos de produção tem características técnicas e decorrem das relações das diversas empresas integrantes, segundo negociações comerciais.
A globalização trouxe uma grande mudança em relação aos fluxos de produção.
As etapas de produção se distribuiram por diversas localidades no mundo, estabelecendo um intenso fluxo internacional.
Essa ampliação não decorreu de vantagens competitivas naturais, em geral vinculadas a disponbilidade de matérias primas, mas de decisões empresariais buscando alternativas de produção de etapa do fluxo produtivo, com menor custo, sem prejuizo da qualidade.
Com isso, dentro dos fluxos de produção, foram foramadas as cadeias produtivas globalizadas empresariais. São fluxos organizados e gerenciados por um grupo empresarial multinacional.
Esses grupos definem centralizadamente onde instalar as suas fábricas, estabelecendo relações duradouras com fornecedores - que podem ser subsidiárias - e definindo onde cada etapa ou produto específico será produzido. O critério principal é o da especialização de cada unidade, para o fornecimento para toda a sua rede, vale dizer mundial.
Para a multinacional a concentração de um único produto ou de um mesmo grupo de produto numa fábrica, para suprimento mundial tem a vantagem de possibilitar escala maior, com maior incorporação de tecnologia e ganhos de produtividade. Com isso tem custos menores e mais competitivos, funcionando como barreira de entrada para concorrentes que não tem a mesma capacidade financeira e gerencial.
Para suprir um mercado específico que pela dimensão demográfica e econômica, como o Brasil, interessa à multinacional ela tem duas alternativas:
A distribuição territorial do fluxo pode ser local, regional, nacional ou até multinacional. Neste último caso as etapas estão instaladas em diversos paises, e tem sido caracterizada como global ou globalizada.
O fluxo de produção é um elemento básico na elaboração de projetos industriais, a partir do qual ou junto com esse é escolhida a tecnologia dos processos e os equipamentos.
É usado pelos estudos acadêmicos para ilustar desdobradamente as etapas de produção.
Os fluxos de produção tem características técnicas e decorrem das relações das diversas empresas integrantes, segundo negociações comerciais.
A globalização trouxe uma grande mudança em relação aos fluxos de produção.
As etapas de produção se distribuiram por diversas localidades no mundo, estabelecendo um intenso fluxo internacional.
Essa ampliação não decorreu de vantagens competitivas naturais, em geral vinculadas a disponbilidade de matérias primas, mas de decisões empresariais buscando alternativas de produção de etapa do fluxo produtivo, com menor custo, sem prejuizo da qualidade.
Com isso, dentro dos fluxos de produção, foram foramadas as cadeias produtivas globalizadas empresariais. São fluxos organizados e gerenciados por um grupo empresarial multinacional.
Esses grupos definem centralizadamente onde instalar as suas fábricas, estabelecendo relações duradouras com fornecedores - que podem ser subsidiárias - e definindo onde cada etapa ou produto específico será produzido. O critério principal é o da especialização de cada unidade, para o fornecimento para toda a sua rede, vale dizer mundial.
Para a multinacional a concentração de um único produto ou de um mesmo grupo de produto numa fábrica, para suprimento mundial tem a vantagem de possibilitar escala maior, com maior incorporação de tecnologia e ganhos de produtividade. Com isso tem custos menores e mais competitivos, funcionando como barreira de entrada para concorrentes que não tem a mesma capacidade financeira e gerencial.
Para suprir um mercado específico que pela dimensão demográfica e econômica, como o Brasil, interessa à multinacional ela tem duas alternativas:
- instalar no país uma fábrica, para suprir o Brasil, os paises vizinhos e o resto do mundo, com produtos de característica mundial;
- não produzir no país, estabelecendo apenas uma rede comercial para suprir as demanda locais mediante importações.
Na prática, em função da política industrial brasileira, focada no conteúdo nacional, a multinacional estabelece no país uma unidade produtiva menor, apenas para o mercado local, com produtos de penúltima geração e importa os de última geração. Dependendo da conjuntura, pode até fechar a fábrica no país e importar inteiramente. Tudo dentro da sua cadeia produtiva. Ou seja, o que importa é dela mesma, da sua marca e produzida por uma unidade dela ou associada a ela, situada em outro país. O gráfico abaixo mostra onde a Fiat pretende produzir os seus automóveis nos próximos anos:
Matéria de anteontem do Jornal do Carro, do Estado de São Paulo (4/2/2015) faz a comparação entre dois novos esportivos, lançados no mercado brasileiro por marcas já consagradas, a Honda e a Volkswagen, montadoras com fábricas no Brasil: o Civic Si e o Golf GTI. O primeiro passou a ser importado do Canadá, substituindo o sedã anteriormente produzido no Brasil e o outro produzido na Alemanha. Mas só os especialistas e os compradores vão saber a origem. Para os leigos são mais carros nacionais. Ou vão achar que o Civic é um carro fabricado no Japão.
Para entender a restruturação produtiva mundial é preciso perceber a distinção entre fluxo produtivo mundial, que é um fenômeno geral com grande diversidade de participantes, relacionadas por interesses comerciais, e a cadeia produtiva global que é organizada e gerenciada por uma multinacional, com objetivos de melhorar a sua competitividade no mercado mundial.
Para entender a restruturação produtiva mundial é preciso perceber a distinção entre fluxo produtivo mundial, que é um fenômeno geral com grande diversidade de participantes, relacionadas por interesses comerciais, e a cadeia produtiva global que é organizada e gerenciada por uma multinacional, com objetivos de melhorar a sua competitividade no mercado mundial.
Perceber essas diferenças também é essencial para a formulação de políticas industriais e de ações comerciais para ampliar as exportações.
Uma diferença fundamental a considerar entre as indústrias de controle nacional e a multinacional, no mercado mundial é que enquanto a nacional precisa investir fortemente na sua marca, para ser conhecida nos mercados para onde pretende exportar, o que demanda tempo e investimento, a multinacional já tem a sua marca conhecida e o tempo de concretização a partir da decisão da direção da empresa é relativamente rápido.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Brasil socialmente justo
Embora adotando medidas criadas pelos anteriores, o PT as consolidou no programa Bolsa-Família, apropriando-se como inteiramente seu. Os seus beneficiários foram decisivos para a reeleição de Dilma Rousseff, o que ainda gera ressentimentos e contestações por parte dos tucanos, principalmente, da sua radical torcida organizada.
A par dos preconceitos contra esses eleitores e beneficiários, eles caracterizam uma realidade brasileira indesconhecível e que os Governos, os partido políticos e a sociedade tem que enfrentar, nos próximos anos.
A situação dessa população também é irreversível. Não há possibilidade de nenhum Governo pretender cancelar ou reduzir os benefícios.
A questão é que não interessa, tampouco convém ao Governo, manter o programa como está. Não porque acomoda a população beneficiária, que teria desistido de trabalhar, conforme entendem - preconceituosamente - os críticos e os contestadores.
Há sim uma parte que não quer mais trabalhar, e tendo o benefício, aposenta-se precocemente. A maioria, principalmente os mais jovens, quer e trabalha para melhorar a sua renda. Mas não saem do bolsa-família, o que seria irregular, mas ocorre de fato.
O programa tem a sua porta de saída, mas os beneficiários não saem por ela, preferindo escapar e voltar por uma portinha lateral.
Os beneficiários estão gratos mas querem mais. E, pragmaticamente, quem oferecer melhor esse mais, poderá ter o seu voto, nas próximas eleições.
O PT tem uma proposta clara, com apoio dos sindicatos e da OIT: melhorar a condição de vida desses beneficiários pela sua inserção no mercado formal, ou seja, dos empregos com carteira assinada.
Não aceita qualquer alternativa que não seja a formalização pela CLT. Tudo o mais é considerado informal e condições precárias de trabalho, contrário aos conceitos do Trabalho Decente.
E, para melhorar as condições para conseguir o emprego formal, propõe a educação como o principal instrumento.
A oposição pode se alinhar a essa concepção, mas ai estará em desvantagem, por ir à reboque da proposta do PT.
A alternativa que ela tem é de propor o trabalho por conta própria como a alternativa.
Essa proposta tem a vantagem de corresponder à realidade e já vem sendo praticada, enquanto a outra é utópica e defendida pelos sindicatos dos trabalhadores que já são empregados e formais.
O trabalho, por conta própria, é a saída mais imediata que o trabalhador, principalmente os mais jovens, adotam para ter uma renda adicional com o seu esforço pessoal. Eles não precisam se formalizar para poderem trabalhar, sendo que a não formalização é preferida para não perder o Bolsa Família.
A proposta alternativa da oposição será reconhecer a existência de um grande contingente de pessoas de baixa renda, beneficiária do bolsa-família e oferecer a elas a oportunidade de sair da pobreza, pelo trabalho por conta própria. A oportunidade pode ser formal, mas na maioria dos casos será informal.
Essas oportunidades deverão atender às especificidades regionais e o tamanho dos municipios ou cidades onde estão os beneficiários do bolsa família. Não pode ser uma proposta de cima para baixo, da elite para a base, da cidade para a roça. Tem que ser uma proposta que parta da base. Essa é formada, principalmente:
A par dos preconceitos contra esses eleitores e beneficiários, eles caracterizam uma realidade brasileira indesconhecível e que os Governos, os partido políticos e a sociedade tem que enfrentar, nos próximos anos.
A situação dessa população também é irreversível. Não há possibilidade de nenhum Governo pretender cancelar ou reduzir os benefícios.
A questão é que não interessa, tampouco convém ao Governo, manter o programa como está. Não porque acomoda a população beneficiária, que teria desistido de trabalhar, conforme entendem - preconceituosamente - os críticos e os contestadores.
Há sim uma parte que não quer mais trabalhar, e tendo o benefício, aposenta-se precocemente. A maioria, principalmente os mais jovens, quer e trabalha para melhorar a sua renda. Mas não saem do bolsa-família, o que seria irregular, mas ocorre de fato.
O programa tem a sua porta de saída, mas os beneficiários não saem por ela, preferindo escapar e voltar por uma portinha lateral.
Os beneficiários estão gratos mas querem mais. E, pragmaticamente, quem oferecer melhor esse mais, poderá ter o seu voto, nas próximas eleições.
O PT tem uma proposta clara, com apoio dos sindicatos e da OIT: melhorar a condição de vida desses beneficiários pela sua inserção no mercado formal, ou seja, dos empregos com carteira assinada.
Não aceita qualquer alternativa que não seja a formalização pela CLT. Tudo o mais é considerado informal e condições precárias de trabalho, contrário aos conceitos do Trabalho Decente.
E, para melhorar as condições para conseguir o emprego formal, propõe a educação como o principal instrumento.
A oposição pode se alinhar a essa concepção, mas ai estará em desvantagem, por ir à reboque da proposta do PT.
A alternativa que ela tem é de propor o trabalho por conta própria como a alternativa.
Essa proposta tem a vantagem de corresponder à realidade e já vem sendo praticada, enquanto a outra é utópica e defendida pelos sindicatos dos trabalhadores que já são empregados e formais.
O trabalho, por conta própria, é a saída mais imediata que o trabalhador, principalmente os mais jovens, adotam para ter uma renda adicional com o seu esforço pessoal. Eles não precisam se formalizar para poderem trabalhar, sendo que a não formalização é preferida para não perder o Bolsa Família.
A proposta alternativa da oposição será reconhecer a existência de um grande contingente de pessoas de baixa renda, beneficiária do bolsa-família e oferecer a elas a oportunidade de sair da pobreza, pelo trabalho por conta própria. A oportunidade pode ser formal, mas na maioria dos casos será informal.
Essas oportunidades deverão atender às especificidades regionais e o tamanho dos municipios ou cidades onde estão os beneficiários do bolsa família. Não pode ser uma proposta de cima para baixo, da elite para a base, da cidade para a roça. Tem que ser uma proposta que parta da base. Essa é formada, principalmente:
- pela imensidão de pequenos municipios, com menos de 30.000 habitantes, em geral, com uma pequena cidade que corresponde ao núcleo comercial e de serviços de uma atividade rural;
- pelas periferias, favelas e comunidades nas grandes cidades.
No primeiro caso, o trabalho por conta própria pode buscar o mercado mais desenvolvido fora da comunidade, mas a principal demanda estaria dentro da própria comunidade. O trabalho doméstico, como diarista, sem carteira, ou como prestação de serviços específicos (jardineiro, eletricista, bombeiro e outros) tem sido a principal opção do trabalho por conta própria desses moradores beneficiários do bolsa família, nas grande cidades.
Já os beneficiários dos pequenos municípios só tem a injeção dos recursos dos programas sociais, como o principal incremento de renda local e sobre esses que o trabalho por conta própria tem que buscar a sua renda adicional. A atividade de moto-taxista tem sido a principal opção, mas provavelmente há outras.
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