terça-feira, 9 de agosto de 2016

Que Revolução Industrial?

Em que estágio das Revoluções Industriais estamos?


A industrialização brasileira ocorreu na etapa da 2ª Revolução Industrial marcada pela produção em massa através da linha de produção fordista. 
Pouco evoluiu com a Indústria 2.5, pouco considerada porque apesar de ter provocado grandes alterações no processo industrial, foi de pequena duração, logo "atropelada" pela 3ª Revolução Industrial.
A Indústria 2.5 foi marcada pelo toyotismo, pela introdução da qualidade e grandes ganhos de produtividade, a partir da organização da produção e do fator humano.
Mas a difusão da eletrônica e da tecnologia da informação, aplicadas ao processo industrial, trouxe ganhos que permitiram dar saltos deixando os programas de qualidade e produtividade com base no fator humano superados pela automação industrial.
Ainda não está claro se as inovações correspondem efetivamente a uma nova revolução, ou se será apenas um avanço gradual na indústria.

A mudança maior está no valor dos produtos e das atividades e custos incorporados. O maior custo não é mais dos insumos e da transformação industrial. É dos serviços que utilizam os produtos físicos como continente ou como ferramenta. 


A 4ª Revolução Industrial não será industrial. Será a Grande Revolução dos Serviços.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O segredo da economia

A economia cresce por que consome mais? Ou  consmo mais porque produz  mais?

Você compra mais porque alguem produz mais? Ou produz mais porque alguém compra mais? 

A compra puxa a produção? Ou a produção empurra a compra?

Em termos econômicos: o que vem antes? A oferta ou a demanda? Ou em termos populares? O ovo ou a galinha?

A vida econômica é circular. Você compra o que alguém produziu. Quem produziu quer que vc compre. Se vc não comprar ele para de produzir. 

Se ele para de produzir, demite trabalhadores. Esses sem renda, compram menos. Ou nem tem com o que comprar.

Se você compra mais, as lojas vendem mais, encomendam mais, as indústrias vendem mais. Todos empregam mais. Os trabalhadores empregados ganham saláro. Compram mais e puxam uma produção e emprego  a mais.

Simples assim. Mas, sempre tem um mas.

Por onde começar? Produzir mais para empurrar o consumo? Ou consumir mais para puxar a produção?

Os economistas oficiais acham que o problema não é falta de renda. É falta de confiança. Segundo o Presidente do Banco Central é mau humor da população.

Será que falta piada?



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A "Nova Ordem"

A Operação Lava Jato, iniciada por investigações sobre lavagem de dinheiro, chegou à Petrobras e deu partida a grandes mudanças no ambiente empresarial. Começou a instituição de uma "Nova Ordem".

O destemor, às vezes excessivo, do Juiz Sérgio Moro incentivou outros juízes e procuradores a darem continuidade a processos que anteriormente morriam, no meio do caminho.

Agora os processos correm no Rio de Janeiro, em Brasília, em São Paulo, em Pernambuco e seguirão se ampliando sucessivamente.


A Lava Jato é apenas o começo de um processo que vai se prolongar por muitos anos.



Algumas grandes mudanças estão presentes, embora nem todos percebam, acostumados que estão com a “velha ordem”:

  • Aceitar “mordida” é risco total:
Não importa a relevância da vítima. O Presidente do Bradesco virou réu de um processo apenas porque recebeu em sua sala, um “mordedor”. Mesmo não havendo provas de que teria pago a mordida.



Todo um conjunto de comportamentos, desde os mais simples aos mais complexos, que eram absolutamente normais  deixaram de ser:

  • Vc não pode mais ter cartão de crédito da empresa para pagar o almoço de uma  autoridade pública, mesmo que ele seja um velho amigo.

  • Qualquer informação de autoridade – seja pública, como privada – tem que ser divulgada e compartilhada. Aplica-se, por exemplo,  para empresa que tem ação na Bolsa de Valores.Se não for difundida é informação privilegiada e crime.


A “nova ordem” é comandada por grupos de juízes e promotores, jovens de grande competência jurídica, mas com pouca ou nenhuma experiência empresarial. Não sabem como funcionam as empresas. Assim como se formulam e se praticam as estratégias empresariais e os mecanismos reais de gestão.

Alguns tem formação complementar em cursos de administração, onde aprenderam as teorias de gestão. Mas sem a vivência prática.


Pouco entendem, pouco conhecem, mas do que conhecem não gostam. Os seus princípios, conceitos, lógicas e prioridades não são as mesmas dos empresários.


Os empresários ficam contrariados e até indignados com a ignorância e a incompreensão dos paladinos da nova ordem.

Mas tem que se curvar à realidade e perceber que eles estão ganhando a guerra. Se ajustam ou correm o risco de debacle econômica e financeira.


Eles estão ganhando a guerra porque estão atingindo o coração dos negócios da empresa, dentro do ambiente atual: não é a prisão, que é temporária e pode ser minimizada pela delação premiada. É a marca e reputação da empresa, afetando o valor das suas ações e os negócios futuros. 

Qualquer prisão, ainda que temporária, provoca enormes perdas econômicas. 


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Uma outra visão sobre os serviços tecnológicos

 Ao comprar um smartphone você tem a impressão de que está comprando um produto industrial. Ao perceber que o produto é "made in China" fica indagando: porque não produzir no Brasil? 

Outros poderão indagar: quantas toneladas de soja foram necessárias para pagar as gramas do aparelho? Porque o Brasil não produz e exporta produtos de maior valor agregado?

Há vários equívocos nessa visão e indagações. 

Você pode receber um aparelho de graça. De graça não, porque vc vai pagar o valor do aparelho na forma de serviços que lhe serão cobrados mensalmente. 

Os aplicativos usados em smartphones são os maiores agregadores de valor aos próprios smartphones. 
O negócio principal é o serviço de comunicação, que se torna o principal meio de cobrança dos usuários dos aplicativos. 
Para ampliar o seu mercado a empresa de telecomunicação transforma o aparelho de telefonia móvel numa ferramenta. Que pode ser oferecido praticamente de graça ou com baixo custo e cobrado pelo uso dos serviços. Ou melhor pela disponibilidade dos serviços. Para operadora o ganho maior está na não utilização de serviços colocados à disposição do usuário, em relação ao custo de aquisição do aparelho do produtor industrial. 

Para o usuário final o custo real da aquisição do aparelho está no acréscimo do valor do seu "pacote de serviços". O que é cobrado sem que muitos usuários deem conta de que estão pagando.

A forma como o consumidor ou usuário final paga pelos produtos gera uma impressão diferente dele com relação à composição setorial do PIB, ou seja, da economia como um todo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Filé com osso (2)


Se não há interesse do agente privado em assumir a exploração de um aeroporto regional deficitário, e não caberia usar o modelo "filé com osso", como comentamos ontem aqui, quais seriam as alternativas para ter e manter um aeroporto regional?

Apesar de ser uma pergunta errada, vamos tentar responder. 

A primeira é manter como serviço governamental, com a entidade operadora recebendo subsídios do Tesouro. É a situação atual, através da Infraero ou de aeroportos estaduais.

A segunda é através de subsídios diretos a um operador privado. O modelo é da concessão patrocinada, raramente utilizada na prática. 

A terceira é da concessão administrativa. Já praticada no Brasil. O aeroporto é outorgado a um operador privado, que realiza os investimentos na implantação ou melhoria do aeroporto, cuida da operação e ao longo do contrato recebe uma mesada. A mesada é fixa, e dependendo da sua gestão poderá auferir lucros ou ainda permanecer com prejuizos.

A quarta alternativa montada para expansão da rede de aeroportos regionais é a do investimento pelo Governo Federal e concessão da operação aos Governos Estaduais ou municipais. Está suspensa por carência de recursos do Governo Federal. 

A pergunta certa é: devem ser mantidos e operados aeroportos deficitários?

Ou a pergunta complementar: porque investir em aeroportos regionais sem movimento?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Filê com osso

Uma das grandes tentações dos tecnocratas diante de serviços públicos rentáveis e não rentáveis é propor nas concessões o modelo "filé com osso". Ou seja, se colocam em licitação conjuntamente os rentáveis e não rentáveis. O concessionário vencedor ao assumir o serviço rentável deve operar também o não rentável.Querem adotar na privatização dos aeroportos.

É um equívoco e não dá certo. O caso mais flagrante foi o da Ói. 

O concessionário não cuida do osso. Desde o momento que assume a obrigação o seu objetivo é se livrar dele. Não investe, nada faz além das obrigações mínimas. O que faz é reduzir os custos, demitir os empregados e, se possível, reduzir a prestação dos serviços deficitários.

O tecnocrata acredita na responsabilidade social do concessionário. No mundo contemporâneo é rara a figura do concessionário, pessoa física, que comanda uma empresa. O usual é a empresa concessionária, com múltiplos acionistas investidores.

Para o investidor a concessão de serviço público é um negócio. O fato de ser um serviço público não altera a natureza básica para o investidor: uma aplicação financeira com perspectivas de retorno. 

O investidor espera e quer resultados financeiros. Os executivos, gestores da concessionária, são pressionados para atendê-lo. 

"Filé com osso"  como modelo de concessão de serviços públicos é, na prática, uma grande ilusão.
      

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O voto e a cabeça do eleitor

Coração e cabeça do eleitor são alcançados de forma diversa em função do patamar de necessidades humanas, em que se encontram.


Os que estão na base da pirâmide, em situação de sobrevivência, as prioridades são a comida, a moradia e a saúde. 

Satisfeita a necessidade principal emerge como prioridade a segunda não atendida. Enquanto a necessidade não está atendida, as demais não são percebidas ou são menos consideradas.


Alcança mais a cabeça e coração do eleitor que está nesse patamar o político que promete atender a essas necessidades básicas. 

O eleitor que está na base da pirâmide não busca informação sobre o que ocorre na politica e no mundo. Circunstância é o mundo que ele está imerso, vive e conhece pessoalmente. Acrescido dos mitos que são veiculados pelos meios de comunicação informais.


 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...