quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Os perfis dos candidatos (4)

Lideranças partidárias
Nelson Bornier

Lideranças partidárias - principalmente quando eleitos para o Executivo ou participando desses, ou ainda para o poder no Legislativo - podem usar os recursos e máquina partidária para se (re)elegerem ou elegerem seus afilhados políticos. Que podem ser até parentes afins.
Felipe Bornier

Os evangélicos

Os evangélicos constituem uma categoria importante de candidatos, que é superpartidária. Mais do que qualquer outra elege os seus deputados nacionalmente, e se une dentro do Congresso, independentemente do partido. 

Dá a base para uma nova organização do sistema político, que enfraquece os partidos. Formam alguns partidos, como o PRB, o PSC, mas os integrantes da bancada estão em todos os partidos. 

Envolve alguns campeões de votos, como o Pastor Marco Feliciano em São Paulo. E apoia outros campeões, como Celso Russomanno, também em São Paulo. Mas a maioria se elege com forte base local.

Os evangélicos pela sua "visão de mundo" e ação social conquistaram espaços junto às populações mais pobres, desalojando a influência dos partidos, lideranças e políticos de esquerda.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Na Bahia tem disso não!

Todos os deputados federais da Bahia, com uma única exceção, foram eleitos estadualmente, e não "distritalmente". Diversamente do que ocorreu no Espirito Santo, no Rio de Janeiro e também em São Paulo. Esse, demonstrado por estudo feito por Orjan Olsen e divulgado pelo Estado de São Paulo (28/08/2016): "Deputados de SP já tem "voto distrital".

A Bahia seria o paradigma dos oponentes do regime eleitoral vigente (o proporcional) assim como da proposta do "distritão". O custo da campanha é cara, requerendo do candidato grande apoio partidário e locomoção por muitas cidades. Para poder conseguir, pelo menos, míseros 1000 votos.

E se o regime fosse distrital, a composição da bancada seria inteiramente diferente. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Os perfis dos candidatos (3)

O populista

Procura conquista o eleitor pelo discurso. E muitas vezes o consegue, com o seu carisma e promessas. Das quais só cumpre uma parte.

O populista não tem força partidária. Quando muito é ele que gera a força partidária. O populista é - essencialmente - personalista e idolatrado pelos seus seguidores.

O neopopulista, usa as modernas ferramentas de comunicação: a rede social, para difundir a sua imagem. João Dória Jr é o caso mais recente. 

Uma característica adicional do populista: a capacidade de eleger terceiros, com base no seu eleitorado. Lula elegeu Dilma e Garotinho a filha.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Os perfis dos candidatos (2)

O despachante

Ao longo da história política brasileira os deputados foram assumindo, cada vez mais, o papel de despachante de interesses particulares, grupais ou comunitários.

Foi perdendo a função legislativa, assumida pelo Executivo, deixando-lhe o papel apenas de homologação das propostas do Executivo. Nesse processo inclui nos projetos, emendas, adendos e outros "penduricalhos" para atender aos interesses particulares.

A par da perda da iniciativa legislativa, os congressistas - tanto os deputados, como os senadores -  foram desenvolvendo a atividade de intermediação de interesses particulares em dois níveis: um em Brasília, tanto no Congresso, como nos órgãos públicos centrais e outro nas suas bases eleitorais.

O despachante das camadas mais pobres é o de maior importância eleitoral. São os candidatos que percebem que a aspiração do eleitorado pobre - que a sua maior parte - não é a representação ideológica, mas o melhor atendimento pelos serviços públicos. E também dos programas assistenciais.

Então, monta todo um sistema para intermediar esse atendimento, o que satisfaz o eleitor. E ganha o voto dele, dos familiares e, eventualmente, dos vizinhos e amigos.

Os instrumentos que o deputado federal despachante dos interesses das comunidades usa, preferencialmente são a emenda parlamentar para melhorias públicas no seu eleitorado local e o loteamento de cargos, no qual interessam os lotes regionais e locais onde possa ter influência, para a sua atuação como despachante. 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Os perfis dos candidatos

Para o Congresso, mas principalmente, para a Câmara dos Deputados, estarão concorrendo 6 principais categorias de candidatos:
  • os "programáticos" ou "ideologistas";
  • os classistas, corporativistas, tribalistas e outros;
  • os despachantes;
  • os populistas;
  • os evangélicos;
  • os "caciques" partidários.
Os progrmaticos são predominantemente de esquerda. Defendem ideais e programas. E conquistam os votos dos afinados com as mesmas.

Os programáticos de direita ainda não definiram um programa ou ideologia consistente. Ainda são mais anti do que pró: são contra a esquerda, o petismo, o luluismo, etc . A social democracia que seria uma terceira via, só tem como ideário consistente, mas contraditório, a redução do tamanho do Estado. E uma posição operacional de disciplina orçamentária (fiscal).

As propostas ideológicas tem demonstrado pouca densidade eleitoral, com baixo poder de sensibilização dos eleitores, mesmo dos adeptos.

Os classistas são candidatos (deputados, quando eleitos) que defendem os interesses específicos de uma determinada classe ou corporação profissional, grupos ou coletivos. 

Vão de um Jair Bolsonaro que defende as visões e interesses da classe militar, ao seu oponente Jean Wyllys, que representa a comunidade dos gêneros alternativos.

Esses são mais conhecidos por uma atuação mais agressiva e representarem comunidades com grande volume de eleitores e adeptos.

Outros representantes corporativos não tem a unanimidade da classe ou essa não tem grande expressão eleitoral, sendo insuficiente, por sí só, para eleger um deputado federal.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Os eleitores evangélicos e a bancada evangélica

O crescimento da população evangélica, principalmente nas camadas da população mais pobre e dentro delas dos jovens, vem se refletindo no eleitorado. O resultado efetivo tem sido o aumento progressivo da chamada bancada evangélica ("da bíblia"), no Congresso Nacional e influência crescente nas eleições majoritárias.


O dado preliminar de pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo (um braço do PT) é impactante e fulminante na contestação da versão dominante na opinião publicada. Nos movimentos de rua, contra e a favor do impeachment de Dilma, a predominância dos participantes era de mais de 40 anos e de classe média. Na marcha por Jesus, com volumes muito superiores de marchadores, a predominância é dos jovens.

O crescimento da população evangélica estaria ocorrendo pela ação das igrejas de uma vida presente e terrena, menos sofrida, oferecendo conforto "material" e espiritual. O material não é apenas de bens, mas também e, principalmente, de serviços de saúde. A aspiração aos bens de consumo não é considerado pecado, mas aceitável. Enriquecer não é condenado. É até desejável e admirado.
O espiritual viria de propostas de redenção, de renascimento pós morte terrena. Os conceitos de céu e inferno, a presença de Jesus x Satanás estão mais presentes do que na Igreja Católica. 

(um parênteses: a maior ameaça aos crentes é a presença do diabo, que se infiltra dentro das pessoas e as leva às práticas indevidas e ao sofrimento. Satanás é vermelho, está cercado de vermelho como é a bandeira dos partidos de esquerda).

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Renovação ou não com o Distritão

Uma das principais críticas ao distritão é que este reduziria ou impediria maior renovação da Câmara dos Deputados, em relação ao sistema atual.

Os indícios são de que poderá haver um grande nível de renovação na bancada carioca.

Seja no sistema atual (proporcional) como na mudança proposta de "distritão". 

Dos cinco campeões de votos apenas 1 teria perspectiva certa de retorno. 

No subgrupo, com votos acima de 100 mil em 2014, o PMDB que elegeu três deputados, poderá ter problemas para a reeleição dos mesmos. 

Os deputados da bancada evangélica, poderão ser reeleitos, pelo eleitorado dos fieis. São os com melhores perspectivas de reeleição.


Todos do grupo que obtiveram acima de 50 mil votos e menos que 100 mil, entre eles Rodrigo Maria, que não tem forte base local e regional irão depender de recursos financeiros e apoio partidário para sua reeleição.

Em termos gerais a perspectiva é que o sistema proporcional atual seria mais favorável à reeleição dos atuais, em função do apoio partidário. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...