terça-feira, 28 de novembro de 2017

Estratégias de negociação

Com a lei de "modernização" trabalhista embutindo uma meia reforma sindical, as negociações entre empregadores e empregados assumirão contornos diferentes dos atuais.

As clausulas econômicas, com condições mais favoráveis ao empregador, serão as principais motivações para o empresário não se filiar ao sindicato, assim como não incentivar ou até tentar restringir a participação do empregado em sindicatos.

O seu principal instrumento será a não admissão de empregados sindicalizados.

Na conjuntura de alto nível de desemprego as empresas poderão forçar o trabalhador a aceitar as condições impostas, sob o risco de não ser contratado. 

As condições a serem oferecidas é o contrato formal, isto é, com carteira assinada, mas com valor inferior ao piso salarial, acordado em convenção coletiva, desde que acima da lei - quando houver - e do salário mínimo.

Também serão estabelecidas condições mais favoráveis à empresa e desfavoráveis aos empregados em relação aos benefícios, como vale-alimentação, plano de saúde e outros.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O sentido das emendas parlamentares

O mecanismo da emenda parlamentar foi criado e desenvolvido para dar margem aos parlamentares para decidirem sobre a alocação das verbas orçamentárias menores. 
O processamento das emendas nas suas diversas fases tem sido usado pelo Executivo e aceito pelos parlamentares para votações a favor das propostas do Governo.
Esse mecanismo é interpretado, pela opinião publicada, pela sociedade organizada como "compra de apoio", um comportamento moral condenado. 
Mas não é o que acham os beneficiados. Sejam de pequenas cidades, como das periferias das grandes cidades. E votam no suposto "benfeitor". Este usa e abusa dos meios de comunicação para alardear a destinação dos recursos para a comunidade, para o suposto benefício aos seus eleitores.
Na prática, o sistema de emendas gera distorções de prioridades, tanto territoriais como setoriais.

Uma emenda pode ser destinada à construção de creches, o que atenderia a uma prioridade setorial. Mas é destinado ao Município onde o deputado tem a sua base eleitoral e não aquele que apresenta maior déficit de atendimento. Ademais a emenda pode ser destinada apenas à uma construção, sem previsão para a operação. O resultado pode ser a inauguração de uma obra que depois não funciona, por falta de verbas para pessoal e material. 
Durante muitos anos, até depois de algum tempo da eclosão da Operação Lava-Jato, as emendas parlamentares foram preparadas por empreiteiros e outros fornecedores interessados em construir a obra. 

domingo, 26 de novembro de 2017

Não bastam honestidade e vontade

O populismo da sociedade organizada acredita que um candidato sem passado político eleitoral, isto é um novato ou "outsider" poderá ser eleito Presidente da República. Em decorrência da ampla insatisfação da população com os políticos, percebidos por aquela  como corruptos e sem consideração com os interesses nacionais.
E que, com seriedade, honestidade e vontade política poderá governar bem o Brasil e colocá-lo no caminho do desenvolvimento atendendo aos interesses nacionais.
Embora o regime político seja presidencialista, o Presidente da República depende do Congresso para aprovar as medidas legais consideradas necessárias pelo Governo, a favor do interesse nacional. Para isso precisa de uma base aliada no Congresso. 

Não basta ao candidato novato conseguir uma ampla aprovação social a seu favor.
Ele precisa liderar uma mobilização para uma ampla renovação do Congresso Nacional, elegendo a maioria no Congresso para uma base aliada.

Sem isso continuará refém do sistema fisiológico que continua dominando a política brasileira.

sábado, 25 de novembro de 2017

O populismo da sociedade

O populismo se caracteriza pela proposição de soluções fáceis a problemas complexos. São soluções simplistas de entendimento generalizado, em geral, de caráter mágico, colocadas como se dependessem apenas da vontade do governante.

Diante das sucessivas revelações, seguidas de prisões de grandes empresários e políticos, há uma inversão de papéis. Não são políticos populistas propondo soluções simplistas. É a chamada sociedade organizada que quer uma solução simplista para governar o país. Ao candidato basta ser honesto e ter bons propósitos. 

Como se supõe que todos os políticos são desonestos e só defendem os seus próprios interesses, o candidato a Presidente da República precisa ser um não político. Isto é, não ter antecedente de atividade politico-eleitoral.


A sociedade está atrás de um novo "salvador da Pátria". Não está esperando pela emergência de um "Messias" que venha pregar a salvação. Está procurando por ele e quer que o indigitado supostamente encontrado aceite o encargo. 

Para aceitar ele exige "carta branca" para escolher os seus auxiliares e impor as suas vontades. Ser um "déspota esclarecido" que é um eufemismo para ditador, ainda que bem intencionado.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Riscos de empreendimentos privados de infraestrutura

O primeiro grande risco é a falta de compreensão sobre "empreendimento de infraestrutura", também caracterizado como projeto de infraestrutura, pela utilização do termo em inglês "project" que corresponde a empreendimento. 


A segunda grande confusão é tratar o empreendimento como uma obra. Que tem começo, meio e fim, dentro de um curto ou médio prazo.

O empreendimento, no entanto, tem começo definido, mas só finda depois de muitos anos, considerando toda a sua vida útil. Não termina com a obra pronta.

Com os empreendimentos de infraestrutura realizados predominantemente pelo Estado, com recursos públicos, com as obras e equipamentos (capex) contratados pelo setor público, que depois fica responsável pela operação, gerou-se uma cultura de confusão do empreendimento apenas com o capex, e desconsideração com a operação (opex). 

Com a total redução dos recursos públicos para investimentos, os empreendimentos de infraestrutura deverão ser predominantemente privados. Isso implica numa mudança completa de paradigmas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O alcance da opinião publicada

A opinião publicada está muito indignada com os últimos acontecimentos políticos, em que vem sendo "derrotada" sucessivamente. 
E não entende porque os políticos não dão a devida atenção a ela e continuam manobrando indecentemente. 
Acha que é a opinião pública, menosprezando a opinião não publicada que é, quantitativamente, muito maior e tem o poder de decidir a eleições democráticas.
A opinião publicada só se transforma em opinião pública quando consegue envolver ou contaminar a opinião não publicada. O que é incomum, mas não impossível. A opinião publicada está sempre contando com esse incomum, achando que é o usual.
Não é. E as pesquisas que apontam Lula na preferência dos pesquisados para a Presidência de República, indica que o momento incomum, com o ápice da Operação Lava-Jato, que ocorreu ao longo da campanha eleitoral municipal de 2016, já não persiste. A opinião não publicada, mais uma vez, se afastou da publicada. Não segue as mesmas posições.
O ciclo político oscila sempre entre a safra e a entressafra. Safra é o período eleitoral onde ele tem que colher o número suficiente de votos para se eleger e o necessário para ter força política. Entressafra é o período que entremeia as campanhas eleitorais, podendo ser de 1,5 a 3,5 meses.

Se nesse novo momento, eles não estão dando a devida atenção às reações da opinião publicada é porque percebem o baixo alcance da contaminação junto às suas bases, à opinião não publicada que vota e poderá continuar votando neles.
Sim, eles não estão "nem ai" com a opinião publicada, para a indignação da mídia das grandes cidades. Mas estão "muito ai" com a sua opinião não publicada. Sem o que não não conseguirão se reeleger.
Eles seriam eleitos pela opinião não publicada e não pela publicada. 
Outubro de 2018 dará a resposta efetiva.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Como chegaram ao poder?

O noticiário que atende à opinião publicada está tomada, com indignação, com a soltura dos 3 principais políticos estaduais do PMDB do Rio de Janeiro. A revogação da revogação não reduz a indignação. 

Eles juntamente com o ex-Governador Sérgio Cabral, ainda preso, conquistaram e dominaram o poder político do Rio de Janeiro hà mais de 18 anos.

Todos os Governadores eleitos, no período, Marcelo Alencar, Anthony Garotinho, Benedita Silva e Rosinha Garotinho, ficaram na dependência de acordos com o grupo Cabral-Picciani, para conseguir aprovar medidas de interesse do seu Governo na ALERJ.

Como Cabral e Picciani conseguiram se reeleger sucessivamente, apesar de algumas derrotas para cargos maiores, ora está conhecida.

Mas como conseguiram se eleger na primeira vez?

Agora que deixaram um vácuo político eleitoral, quem irá preenchê-los. Com base em que tipo de campanha eleitoral?

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...