segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que você compra?

O consumidor final compra bens ou serviços, para atender às suas necessidades ou aspirações. A soma de todas as compras dos consumidores pessoais, num determinando período, compõe o item "consumo da famílias" que é o principal elemento do PIB - Produto Interno Bruto.
Se o Brasil está em recessão, é porque o consumo das famílias está contido, é porque o consumo individual agora está menor do que o do trimestre ou do ano anterior. 
A queda da produção é reflexo da queda do consumo final. 
O consumidor final ao comprar bens está puxando a produção industrial. A parcela de bens naturais, como os hortícolas como frutíferas é relativamente pequena na cesta de compra das famílias. 
A predominância quase absoluta é de bens industriais. 

O consumidor final, ao sair do nível de sobrevivência passa a gastar mais com serviços. Mas uma grande parte dos serviços é prestada com o apoio ou uso de bens industriais. O serviço de transporte urbano requer os ônibus produzidos pela indústria. O transporte aéreo precisa dos aviões. Os serviços de saúde requerem instalações, equipamentos industriais e medicamentos, todos produzidos pela indústria. 


Mesmo tendo cerca de 50% do consumo familiar com serviços, pode a economia ser sustentada apenas pelos serviços, sem ter uma base industrial?

O setor de serviços pode ser um setor dinâmico autônomo da economia? 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Cidade igualitária

São Paulo é uma cidade desigual. Uma cidade partida. Diante dessa realidade os candidatos podem adotar três posições básicas:
  • a primeira de tentar, verdadeiramente, tornar a cidade mais igual, assumindo medidas para conter a valorização imobiliária, demonizada sob o epíteto de "especulação imobiliária", como a contenção generalizada da verticalização;
  • a segunda de assumir o discurso da igualdade, mas limitar-se a medidas pontuais ou restritas, do qual o caso concreto é a gestão real do atual Prefeito;
  • a terceira é de priorizar o desenvolvimento da cidade, com base na dinãmica do mercado imobiliário, minimizando os efeitos sociais do processo. Pode alegar que a solução do problema social vai além da competência municipal, cabendo ao Município apenas minorar o sofrimento das classes mais pobres.
 
A partir dessas posições poderão adotar uma ou a combinação das seguintes alternativas em relação à legislação urbanística (plano diretor e lei de zoneamento):
  1.  conter - de forma generalizada - a verticalização evitando que essa acelere a valorização imobiliária e provoque a exclusão, com o afastamento da população de menor renda para as áreas mal servidas de benefícios urbanos;
  2. balancear a verticalização e o adensamento associado aos equipamentos urbanos e conter a verticalização nas demais áreas;
  3. promover o adensamento associado aos equipamentos, mas sem contenção da verticalização nas demais áreas;
  4. não interferir nas escolhas do mercado, estabelecendo apenas um equilíbrio entre a ocupação privada e a capacidade da infraestrutura urbana pública;
  5. cumprir rigorosamente a legislação sobre a função social da propriedade urbana, aplicando a construção forçada, o IPTU progressivo e até a desapropriação com pagamento em títulos;
  6.  estabelecer um conjunto amplo de ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) para manter determinadas áreas imunes à valorização imobiliária e acessivel à população de menor renda. 


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Posicionamentos em relação à mobilidade urbana

Estamos começando a colocar aqui artigos sobre as posições alternativas que os candidatos a Prefeito de São Paulo, em 2016, poderão adotar.

Todos serão favoráveis a melhorar o transporte coletivo, em detrimento ao transporte individual, mas com visões e prioridades diferentes.

Alguns priorizarão o metrô, que é uma forma de escape para fugir das opções em relação ao sistema ônibus. O metrô não é responsabilidade municipal, ônibus é. 


Com relação a esse, listamos as principais opções, que são analisadas em detalhe no artigo (acessível na coluna à direita, com o mesmo título)  

  • Modernização do sistema de transporte coletivo envolvendo:
    1. criação de uma rede de VLTs, sendo a prioritária, em torno do corredor Av Faria Lima, Av. Berrini, Av. Chucri Zaidan até a Chácara Santo Antonio;
    2. assunção e conclusão pela Prefeitura Municipal da linha ouro do metrô, em monotrilho;
    3. substituição dos corredores convencionais por linhas de BRT;
    4. ampliação da frota de ônibus com ar-condicionado. 


  • Priorização, estruturação e expansão da rede de corredores de ônibus, reservando-os exclusivamente para linhas tronco, com alimentadores nos terminais;
  • priorização para a expansão quilométrica das faixas de ônibus, com baixo investimento;
  • manutenção das linhas de bairros, com utilização dos corredores e faixas de ônibus.
  • com relação ao sistema de cobrança:
    • manter e aperfeiçoar o sistema existente, com expansão do bilhete único, mas mantendo o cobrador nos veículos;
    • eliminar a cobrança dentro do veículo;


  •  com relação ao sistema tarifário:
    • manter o sistema de tarifa única, com os descontos para estudantes, idosos e outros previsto em lei federal;
    • estabelecer descontos para usuários de linhas locais, que não acessam os corredores;
    • implantar a tarifa zero (ou passe livre), de forma total ou parcial. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Lições do Carnaval

A economia brasileira está em recessão. Os agentes econômicos estão desanimados.
Os economistas usam muito a figura do "espírito animal". Este estaria adormecido e com isso a economia não estaria funcionando. Aqueles entendem que para reanimar a economia é preciso despertá-lo. Como fazer isso?
O animal do espírito não é apenas da fera, mas do ânimo, da disposição. E o carnaval de rua mostrou que esse espírito existe e foi amplamente despertado. A adesão popular foi intensa. Mas será que é só para festa, de baixo custo?
Será que terminado o carnaval prolongado até o próximo fim de semana, o brasileiro será tomado, novamente, pelo "espirito do desânimo" de que "não há o que fazer"?
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Resultados econômicos dos grandes eventos

As autoridade gastam com a promoção de grandes eventos , sob a alegação ou esperança de que a sua realização gere mais renda para a economia local. 
Foi com base nessa esperança ou ilusão que o Governo Brasileiro trouxe para o Brasil a Copa do Mundo da FIFA de 2014 que resultou num enorme fracasso econômico e futebolistico. 
Além da derrota por 7 x 1 da Alemanha, o PIB em 2014 se retraiu e a responsabilidade foi atribuida aos feriados durante a Copa.
Agora com o retumbante sucesso do carnaval de rua, as autoridades querem se creditar desse resultado, mostrando supostos fantásticos ganhos da economia da cidade. 
O que pode ser creditado, como inegável, é o gasto de turistas na cidade. Como a própria Prefeitura de São Paulo divulga, a cidade recebeu 40 mil turistas durante o Carnaval. Se deles decorresse o ganho alardeado de 400 milhões de reais, cada turista teria gasto na cidade, R$ 10.000,00, o que está muito acima da média.
Para chegar aos 400 milhões é preciso considerar os gastos da população local, específicos com os blocos. Se foram 2 milhões de paulistanos seguindo os blocos, o gasto médio teria sido de R$ 200 o que é pouco provável, numa época de crise.
Dos gastos de R$ 20 milhões para promover o carnaval de rua  apenas uma pequena parte retorna aos cofres da Prefeitura. 

Sem dúvida há um ganho para a economia da cidade. Ou melhor, uma perda menor para a economia da cidade. Quando 2 ou mais milhões de pessoas fogem da cidade, na epoca de carnaval, indo gastar em outras localidades, a permanência de metade dessa população na cidade, mesmo que gastando pouco é uma perda menor. 

Na falta de metodologia consistente as autoridades jogam com os números que querem e os incautos ou trouxas acreditam e repetem.   

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A economia do carnaval paulistano

O carnaval de rua paulistano de 2016 foi um inegável sucesso. Com o apoio da Prefeitura Municipal, que destinou R$ 20 milhões, segundo o Prefeito, retornaria à cidade R$ 400 milhões. O que é um exagero e creditar ao evento o que não é devido a esse.

As contas são forçadas. Uma parte seria pela não perda costumeira com a fuga de cerca de 2 millhões de paulistanos que saem da cidade, nos feriados prolongados. Como parte não saiu, os seus gastos foram somados àquele suposto benefício.

O crédito cabível é apenas dos gastos dos foliões com e nas manifestações de rua, somados aos patrocínios. Uma conta  simples (detalhado no artigo com o mesmo título, acessivel pela coluna à direita) indica que cada folião, inclusive as crianças, teria um gasto médio de R$ 67 por participação, nos eventos de rua.
Se o pessoal foi às ruas para "espantar a crise", não gastou isso. 


E ainda não teve turista atraído pelo carnaval de rua. Os que vieram o foram para o Carnaval do Sambódromo. Mas já que estavam aqui, aproveitaram. E foram às ruas.
 

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O ET não entendeu nada!

Não precisa ser ET para ficar perplexo. Os ingleses do The Economist já anteviam e não estavam entendendo.

O Brasil não está vivendo a mais grave crise econômica "nunca antes ocorrida"?  Não está diante de uma grave crise política, com ameaça de impedimento da Presidente da República, com baixissima popularidade? Não teve recentemente  maior tragédia ambiental do mundo? Não está enfrentando uma epidemia de Zika Virus, com milhares de bebês com microcefalia, assustando as grávidas e as que pretendiam se engravidar? A população toda não está preocupada?

E qual é a resposta de grande parte da sua população? Ficar lamentando as desgraças? Não.

A resposta foi sair aos magotes às ruas, para pular, dançar e beber (até cair). As ruas de Salvador, do Recife, do Rio de Janeiro e agora até de São Paulo, foram tomadas pelos blocos, formados espontaneamente, a partir de pequenos grupos organizados, mas com milhares de adesões, convidados através das redes sociais. 

As circunstâncias despertaram nas pessoas o seu "espírito animal", ou melhor o "espirito carnavalesco" resultando em ampla adesão, superando as expectativas e lotando as ruas. 

Foi uma efetiva "revolução das massas" visível, inegável. Ainda que indesejável para alguns. Contrariando o "politicamente correto".

Diante do fenômeno emergem perguntas como:

  1. essa mobilização das massas se repetirá para movimentos de cunho político? Qual será a adesão da população a movimentos iniciados e convocados por pequenos grupos?
  2. essa  mobilização carnavalesca se repetirá em 2017 e anos subsequentes? O despertar do "espírito carnavalesco" da população foi circunstancial pela coincidência de fatores ou o inicio de um processo crescente e sustentado?
  3. o carnaval de rua ganhará sustentação, com ampliação dos patrocínios em 2017?

Mantida a tradição, todas essas manifestações seriam uma pausa, uma trégua festiva, para tudo "acabar na quarta-feira". 

A esperança é que na quarta-feira, afinal o ano de 2015 se finde e comece o ano de 2016. Será mais do mesmo? Ou um novo ano?

 


Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...