terça-feira, 11 de outubro de 2016

Perspectivas para 2018 - Mini reforma política

As eleições de 2018 serão afetadas pelas mini-
reformas políticas.
Deverá haver menor número de candidatos em 2018.

O curto prazo das campanhas e alto custo de produção, não ajudará a visibilidade. Obrigará a uma alta capacidade de percepção dos desejos dos eleitores, criatividade e autenticidade.

A tendência indicada pelas eleições de 2016 é de que abaixo do paralelo 16 emerja um candidato novo, de um grande partido, com recursos financeiros para suportar uma campanha presidencial, concorrendo com um candidato tradicional, oriundo de Estado acima do paralelo 16.

O primeiro deverá estar mais à direita e o segundo, mais à esquerda.

A proibição de coligações nas eleições proporcionais irá afetar substancialmente a posição dos candidatos de pequenos partidos.  Com as coligações os partidos menores conquistaram mais da metade das cadeiras na Câmara do Deputados, em 2014, quadro que não deverá se repetir em 2018.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Os partidos dos grotões


Os dois principais vencedores dos pleitos de 2016, tem posições divergentes conforme o critério. Pelo número de Prefeituras conquistadas o PMDB sai disparado na frente com 1.029. O PSDB fica em segundo, distante, com 793.
 á pelo número de eleitores que irão governar, é o PSDB que sai à frente com 26,8% superando largamente o PMDB que fica com 17,4%. Nos terceiro e quarto lugares ocorre o mesmo fenômeno. O PSD tem mais Prefeitos eleitos do que o PSB, mas um percentual menor de eleitorado que irá governar.

O grande número de Prefeituras conquistadas baseadas nos estratos de pequeno e micro municípios demonstra a capilaridade partidária e tem grande importância para as eleições legislativas, e menor relevância para as eleições majoritárias que ocorrem para os Executivos.

Dai a razão pela qual PSDB, com o PT, disputaram a preferência majoritária do eleitorado e o PMDB, apesar de ser - aparentemente - o maior partido brasileiro, nunca conseguiu eleger diretamente um Presidente da República, tendo assumido por 3 vezes por incidente com o Presidente eleito. Mas, por outro lado, em função do sistema político, elege as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados, sendo fundamental para a governabilidade.

A grande mudança ocorrida em 2016, foi o enorme desmoronamento ou "derretimento" do PT, que disputava com o PSDB o primeiro lugar em eleitorado a ser governado e o segundo em quantidade de prefeitos eleitos. Agora em 2016 amarga o 10º lugar em ambos os critérios, . Caiu de 638 Prefeituras conquistadas em 2012, para 256. E só irá governar 4,4% do eleitorado.


O PT não só se "desmilinguiu" no total dos Prefeitos eleitos, como se tornou um partido dos "grotões". Do total de 257 prefeitos eleitos pelo partido, 96 são de municípios pequenos e 147 de micro municípios. Ou seja, 95% dos prefeitos do PT eleitos em 2016 foram nos "grotões".

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Fragmentação paridária

A segmentação dos Municípios por faixa de eleitores mostra alguns resultados distintos do quadro nacional.
Considerando as duas primeira faixas, isto é, do Municípios acima de 50 mil eleitores, que somam cerca de 85 milhões de eleitores o grande vencedor, mesmo sem o segundo turno em 55 cidades, é o PSDB, que elegeu 14 prefeitos em primeiro turno e 70 nas cidades médias. Superando amplamente o PMDB que elegeu 7 no primeiro grupo e 53 no segundo.
 
PSB e PSD são os principais emergentes, indicando uma forte tendência de fortalecimento das suas bancadas na Câmara Federal em 2018. Ainda há indícios de ressurgimento do DEM.

Do outro lado, o PT naufragou nessas duas faixas, conseguindo eleger apenas um prefeito em primeiro turno (Rio Branco) e com apenas um candidato em segundo turno das capitais (Recife). Na faixa média ainda conseguiu eleger, simbolicamente, 13 prefeitos, dos quais apenas 2 em São Paulo. 3 foram no Rio Grande do Sul.

O PSD emerge na Bahia  na faixa média, com 7 Prefeitos eleitos contra apenas 1 do PT de Jaques Wagner e do atual Governador Rui Costa. Em Minas Gerais, onde o Governador Fernando Pimentel é do PT, este só conseguiu eleger 2 prefeitos entre as cidades médias.

O PSB com 35 prefeitos eleitos nas cidades médias, é a terceira força, com 10 prefeitos eleitos em São Paulo, o dobro do alcançado em Pernambuco.

O PDT, como alternativa ao PT não parece ainda ter musculatura suficiente, embora tenha reeleito o Prefeito de Natal, em primeiro turno e 22 prefeitos na segunda faixa, dos quais 6 ainda no Rio  Grande do Sul, resquícios do legado brizolista. No Ceará onde os irmãos Gomes tentam um protagonismo nacional, foram apenas 3, mas melhor que o PSDB, de Tasso Jereissati que elegeu apenas 1 nessa faixa.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Impactos da eleição de 2016 no futuro próximo

O fato notório e objetivo é que a oposição
 saiu enfraquecida de 2 de outubro de 2016 e isso tem reflexo no Congresso. O exemplo mais concreto já é a aprovação na Câmara dos Deputados da mudança no pré-sal, já aprovada anteriormente às eleições no Senado.

A esquerda no Congresso representada pelo PT, PCdB e PSOL só continuará com as sua vozes estridentes e as campanhas de tabuletas, mas sem maior influência nas votações.

Supostamente o Governo terá ampla maioria para aprovar todas as suas medidas. Mas não será bem assim.

O PT perdeu, mas os seus aliados PCdoB e PSOL cresceram.  PDT e PSB cresceram mais ainda e jogarão alto pensando em 2018. O PDT já tem candidato à Presidencia, o PSB não, mas aspira diversos Governos Estaduais, assim como PDT.

Os demais partidos médios que podem se reunir no centrão, jogarão mais para aumentar o seu poder dentro do Congresso do que em Executivos. Não haverá fidelidade absoluta.

PMDB e PSDB farão a grande frente da governabilidade, mas voltados - primeiramente para 2017 e depois para 2018. 2017 haverá a renovação das mesas do Congresso. O PSDB almeja a Presidência da Câmara e quer ter participação importante na mesa do Senado. O centrão deseja a mesma coisa.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os significados dos resultados das eleições de 2016

Embora ainda faltem as decisões de 2º turno em 55 grandes cidades, das quais 14 capitais, os resultados das urnas de 2 de outubro de 2016 indicam tanto algumas mudanças importantes, como persistência de outros elementos tradicionais.
 

Três grandes questões precisam ser respondidas preliminarmente, quanto à influência efetiva nos resultados:

  1. a mini reforma política, proibindo as doações empresariais e encurtando o tempo da propaganda obrigatória teve importância decisiva no resultado das urnas?
  2. as manifestações de rua em 2013 e agora em 2016 tiveram impacto significativo sobre os resultados?
  3. os grandes incidentes na superestrutura política como o impeachment de Dilma, a cassação de Eduardo Cunha e os processos (formais e informais) contra lideranças políticas de Brasília, influíram nos resultados?
A minirreforma política (ou eleitoral) teve influência diferenciada entre as capitais acima ou abaixo do paralelo (latitude) 16. As abaixo que envolvem as cidades do sudeste e do sul, impactou forte e negativamente as pretensões dos Prefeitos atuais na reeleição ou eleição do seu sucessor. Nenhum Prefeito da região se reelegeu. Apenas em Porto Alegre o Vice-Prefeito ainda conseguiu passar para o segundo turno. Acima do paralelo 16 o índice de reeleição foi alto. Não precisaram das doações empresariais para saírem vitoriosos.

O mesmo ocorreu com as manifestações de rua. Tiveram influência abaixo do paralelo 16, principalmente no epicentro das manifestações de rua: a cidade de São Paulo, onde a imagem do novo,  gestor - e não politico - trabalhador e honesto prevaleceu sobre os políticos populistas e tradicionais. Dória Jr se encaixou plenamente no perfil preferido pelas avenidas paulistanas, contaminando o resto. Marcelo Freixo, no segundo turno do Rio de Janeiro, tirando Pedro Paulo do segundo turno também pode ser creditado aos movimentos de rua. Já acima do paralelo 16 o eleitor continuou escolhendo mais dos mesmos.

A Lava Jato teve um impacto avassalador sobre o PT. Virou um partido pequeno, quase um "nanico", sobrevivendo nos grotões do Piaui.






terça-feira, 4 de outubro de 2016

As ruas foram às urnas

Em junho de 2013 o "povo" (na realidade a classe média, até então silenciosa) foi às ruas.
Inicialmente para contestar o aumento de tarifas dos transportes coletivos, depois ampliada para os serviços públicos no padrão FIFA e o combate à corrupção. A primeira reivindicação foi aceita, ainda que temporariamente, os demais ficaram na promessa e os movimentos se esvaziaram.
Vieram as eleições gerais de 2014 e pouco ou nada mudou. Dilma foi reeleita, Alckmin foi reeleito, Eduardo Cunha ganhou mais um mandato de deputado e na sequência foi eleito Presidente da Câmara dos Deputados. Renan  Calheiros voltou ao Senado e também foi eleito presidente da casa.

As ruas não foram às urnas.

Em 2016 o povo voltou às ruas. Dessa vez derrubou Dilma e Eduardo Cunha. Renan continua incólume, pelo menos por enquanto. Lula está na berlinda, sob risco de ser preso a qualquer momento.

Nestas eleições municipais ocorreram grandes novidades. Um candidato que se apresentou como gestor e não político, venceu em primeiro turno. Antônio Ermírio de Moras e Sílvio Santos haviam tentado antes e fracassaram. Agora Dória Jr montou no cavalo no momento certo.

Lideres dos movimentos de rua e das redes sociais se elegeram em São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades.

A ruas, afinal foram às urnas. E agora?

O povo voltará às ruas?

E em 2018? Os novos não políticos já serão velhos políticos.

E os velhos políticos vencedores de 2016 serão vitoriosos em 2018 ? Ou serão varridos pelo povo, nas urnas?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A nova plumagem tucana

João Dória Jr representa a emergência de uma nova centro-direita, que tem como base eleitoral uma classe média jovem moderna. Ela sai às ruas e tem como principal bandeira a contestação aos políticos tradicionais - todos caracterizados como "ladrões" - e tem a adesão da classe pobre "imobilizada". Isto é da classe pobre que não sai às ruas por política, a não ser no dia a eleição.


Dória Jr foi o precursor dos grandes movimentos de rua da classe média, ao liderar, cerca de 10 anos atrás o movimento "Cansei". Não teve grande êxito, a sociedade estava encantada com a nova liderança, vinda da classe operária, com ações inovadoras.  Ainda era cedo.

Em 2013 os "novos cansados" foram às ruas.

Não foram eles que começaram. O começo foi por um pequeno grupo de jovens de esquerda, contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos públicos. O início confundiu a percepção dos fundamentos do movimento. No seu subsolo, alimentando as raízes estava a contestação ao quadro político percebido como tomados pela corrupção.

A coligação que liderou os movimentos anti-ditadura que promoveram a redemocratização se cindiu - após a vitória - gerando uma tricotomia que está chegando ao fim. A era do grande embate entre o PT e o PSDB, a cisão da esquerda do movimento e do PMDB controlando o legislativo. Este chegando ao poder, sempre de forma indireta.

Em 2014 a jovem classe média paulistana, por iniciativas dispersas, não partidárias, voltou às ruas, com uma bandeira específica - o "impeachment" de Dilma - e uma bandeira mais ampla "Fora Todos". Não precisou voltar com a mesma força para que o impeachment afinal se efetivasse. E, coerentemente, com a sua bandeira geral, é favorável hoje ao "Fora Temer", embora pouco se manifeste publicamente.

A sua manifestação de massa está na eleição de João Dória Jr, um esperto, competente e oportunista "néo político" que "montou no cavalo certo, no momento aparentemente certo". Com o apadrinhamento do Governador Alckmin, o mentor desse nova plumagem ou bico tucano.

O PSDB tem origem na centro-esquerda, unindo a democracia-cristã de Franco Montoro com a social - democracia de Mário Covas. Com o suporte intelectual e político de Fernando Henrique Cardoso.  Reunindo diversos militantes de esquerda, como José Serra, Aluysio Nunes Ferreira, José Aníbal, entre os mais evidentes. Dissentindo dos companheiros José Dirceu e outros que embarcaram e assumiram o barco petista, com Lula, na proa. Um histórica dissensão dentro da esquerda entre a social democracia e o socialismo. Inteiramente reconfigurado dentro da cultura brasileira. Mas que dominou amplamente a política brasileira nos últimos 30 anos. É uma era que está chegando ao fim. 2016 marca o grande domínio do PT. Mas o seu adversário também não é o mesmo.

O PSDB que emerge como suposto vitorioso é apenas o vencedor de um confronto decisivo, mas não de todo o campeonato.

O PSDB que se sairá melhor que o PT em 2016, não é a efetiva social democracia das suas origens. Alckmin não é um autêntico social-democrata. Como também João Dória Jr e João Leite não o são.

Mas poderiam representar uma nova social democracia, cujos contornos ainda não estão claros. Mas percebe-se que agrada ao eleitorado. Da mesma forma que a bandeira lulo-petista - com grande suporte financeiro - seduziu, no início do século, o eleitorado.

Enganam-se os que analisam 2016 como um tradicional embate entre os antigos PSDB e PT. Este último continua o mesmo. O PSDB não.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...