terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por que são poucos sindicalistas no Congresso?

Entre os candidatos corporativos, seria natural - como ocorre em grande parte dos países industrializados - uma grande presença de sindicalistas no Congresso Nacional, eleitos pelos trabalhadores. Entre os 513 deputados federais, apenas 3 teriam sido eleitos, em 2014, com os votos dos trabalhadores da sua categoria. Há mais, mas  não seriam "sindicalistas puros". Receberam votos de outros eleitores, não sindicalizados. Ou foram eleitos, com base em milionárias campanhas, financiadas pelos "patrões".
Mesmo dentro do Partido dos Trabalhadores, que tem a segunda maior bancada dentro da Câmara, atualmente com 57 deputados federais, poucos são líderes sindicais. Alguns chegaram, como tal, mas foram abandonando ou foram abandonando pelas suas bases. Carlos Zarattini, líder da bancada e um dos mais atuantes, embora não seja o preferido da midia, na juventude foi operário gráfico, mas não tem base eleitoral nos gráficos, tampouco desponta como líder trabalhista.
Segundo o blog Congresso em Foco a bancada sindical teria 43 deputados, muito menos que a bancada empresarial que teria 208. E perderia de longe da bancada ruralista.

Do PDT, tradicional partido trabalhista, entre os seus 18 componentes, nenhum foi classificado como integrante da bancada sindical. Tampouco há qualquer deputado do PTB na bancada sindical. São partidos que mantém o trabalhista apenas na sua denominação. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

E agora?

Após uma grande barafunda com os limites de auto-doações (existe isso?) para as campanhas eleitorais, com alteração da lei anterior, sua revogação, veto à revogação, parece que ficou tudo como d'antes.
As doações só podem ser de pessoas físicas, com o limite de 10% do rendimento do ano anterior. O que, supostamente, favorecerá os candidatos mais ricos que poderão autofinanciar a sua campanha. No caso de deputados federais até o limite de R$ 2,5 milhões.

Dispondo desses recursos, a questão passa a ser: onde e como gastar esses recursos para que retornem em forma de votos?

Os novatos ricos estão imbuídos da visão de que tudo se resume às "redes sociais". Essas terão importância nas eleições, mas poderão não ser suficientes para garantir uma eleição, nem mesmo de deputado federal, com cerca de 50 mil votos. Dependendo do Estado.

Pesquisas recentes mostram que ainda estamos muito longe da universalização da internet, muito menos da banda larga e menos ainda da banda larga móvel. 

Embalados pelo sucesso momentâneo de João Dória Jr, eleito Prefeito de São Paulo, em primeiro turno, surpreendendo os analógicos, os digitais já acham que são a quase totalidade da população. Não são. 
E as mensagens políticas não deverão chegar nem à metade dos eleitores. Os analógicos continuarão apostando nos meios tradicionais, principalmente o radinho de pilha. Ainda não aposentado. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A pergunta errada

O sempre brilhante jornalista Fernando Gabeira, faz a pergunta errada: "Quanto tempo os políticos brasileiros vão levar para entender que o jogo acabou?"
Enquanto estiverem jogando o mesmo jogo, com o apoio da torcida que os reelege sucessivamente ou elege os seus sucessores, da mesma laia, o jogo não terminará. Ou como dizia o lendário Vicente Mateus, "o jogo só termina quando acaba".

Quem pode mudar o jogo não são os políticos, mas os eleitores, que podem tirá-los do campo. Que podem não escalá-los para o jogo em Brasília.

A pergunta correta é "quanto tempo os eleitores brasileiros vão levar para entender que não devem eleger os mesmos políticos brasileiros?".

E a pergunta complementar: o que e como fazer para que os eleitores entendam? 
O alvo das mudanças não são os políticos, mas os eleitores. E não vão ser os políticos que vão mudar as cabeças e corações dos eleitores.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que propor para as prioridades da população?

Saúde é de longe a maior preocupação da população em todos as pesquisas sobre os seus maiores problemas.  

Renova, propõe como compromisso dos novatos renovadores "políticas sociais que eliminem a desigualdade de acesso à educação, saúde e segurança de qualidade".

Será suficiente para ganhar corações e mentes dos eleitores e, consequentemente, o seu voto? 

A resposta inicial é não. O que o eleitor pobre quer não é a eliminação da desigualdade de acesso: ele quer mesmo é o atendimento. Ele quer o acesso. A sua preocupação maior não é com os outros, se estão sendo melhor ou pior atendidos. A sua preocupação maior é com ele mesmo. Com o seu atendimento. 
Significa poder buscar a assistência de um médico ou profissional de saúde, numa unidade pública e encontrá-lo no seu posto e ser prontamente atendido ou em curto prazo. 
Os eleitores de renda baixa que dependem inteiramente da saúde pública querem ser atendidos. Seja em situações de emergência, como de serviços agendados. 

Uma vez recebido, a condição que o paciente quer é cordialidade, humanidade. Atendido ele quer resolutividade, isso é a cura para o seu mal. 

São condições fundamentais que, uma vez atendidas, cativam o paciente, deixando-o "eternamente grato", ao médico.
Esse é um ponto de partida para os médicos da rede pública que atendem bem os seus pacientes, iniciar uma carreira política. E os novatos terão que enfrentá-los.

O discurso saúde de qualidade, assim como educação de qualidade é necessário, mas insuficiente para a conquista do voto.

E sem voto, o novato não chegará a Brasília, para poder colocar em prática as suas ideias e propostas, por melhores, mais brilhantes e inovadoras que sejam. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Honestidade x combate à corrupção


Honestidade deverá ser um dos principais itens da agenda eleitoral de 2018, tanto para o cargos executivos como legislativos.

Será a mesma coisa de "combate irrestrito à corrupção"?

Honestidade é uma condição pessoal do candidato, que será apresentado, mas terá que ser percebido e aceito pelo eleitor.

Combate à corrupção é uma proposição que poderá ou não ser adotada pelo candidato. E ser real ou falsa.


Honestidade é uma condição passada e presente. Combate à corrupção é discurso para o futuro.

Os veteranos tem um passado público conhecido. Os novatos não tem, a menos de algum registro em ficha criminal.

Todos os candidatos se apresentarão como honestos e a favor do combate à corrupção. 

Apenas com o discurso de "combate irrestrito da corrupção" poderá ser insuficiente para ganhar "corações e mentes" dos eleitores e, consequentemente, o seu voto.

Combate à corrupção é e será muito importante nas eleições de 2018, mas não será um diferencial importante para os novatos derrotarem os veteranos. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A concorrência junto aos eleitores

Assumindo que os três pilares básicos da agenda de 2018 sejam esperança, honestidade e não desperdício (austeridade), tanto os veteranos como os novatos se apresentarão perante os eleitores com mensagens sobre os mesmos tentando sensibilizar os seus corações, mentes e, com isso, obter o seu voto.

Os veteranos se apresentarão com os seus feitos anteriores a favor da melhoria de vida dos seus eleitores e prometendo ampliar a sua atuação a favor deles. A esperança está em pequenos atendimentos locais, seja o atendimento mais rápido dos postos de saúde, a obtenção de vagas em creche, matrícula em escola pública, ou a promessa de novos investimentos em unidades escolares, de saúde ou de segurança pública. 

As mensagens de austeridade vão no mesmo sentido de combater o desperdício e desvio de recursos públicos e garantir que esses cheguem ao cidadão na forma de maiores e melhores serviços públicos. 

A reação inconsciente do eleitor, principalmente o de menor renda e escolaridade, não é ao caráter ético da "roubalheira", mas o sentimento de que é ele que está sendo roubado. 
Por que a polícia não chega? A polícia alega que cortaram as verbas e eles estão sem dinheiro para consertar as viaturas. O cidadão pode interpretar que alguém ficou com o dinheiro destinado aos consertos. 

As mensagens dos veteranos será o mais tradicional mantra de "mais recursos públicos". Mais dinheiro público para educação. Mais dinheiro para saúde pública e assim por diante.

As mensagens dos novatos - como já foi adotado, com sucesso, por João Dória - poderá ser gestão. Ou a alternativa da mensagem "mais com menos". Serão promessa de melhor uso dos recursos públicos para ampliar e qualificar os serviços públicos em benefício dos cidadãos, dos eleitores. 

A proposta é de gestão, mas até que ponto a mensagem terá credibilidade para o eleitor se sensibilizar e votar no candidato novato? A mensagem pelo veterano só terá credibilidade se ele tiver comprovação de resultados.

Esse fator irá favorecer Prefeitos Municipais com gestão bem sucedida e reconhecida pelos seus eleitores. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...