terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Corrupção no imaginário popular

A corrupção é um elemento imaterial, mas é percebida pela mala de dinheiro, com as suas variantes. O dinheiro de alguma transação escusa pode estar numa sacola de loja de shopping center, ou numa mochila. Mas o que o imaginário popular absorve ou adota como imagem da corrupção é uma mala cheia de dinheiro. 
A prisão de Marcelo Odebrecht o "principe dos empreiteiros" foi simbólica para a opinião publicada, mas pouco significativa para a não publicada. Ele tem a imagem de um jovem careca, típico de classe média sem qualquer atributo imaginário. Não tem cara de bandido. 
Já no caso da JBF apareceu uma mala. E uma "corridinha". Tudo filmado.
E depois as malas do Geddel. As quais, segundo a Polícia Federal, reunia mais de 50 milhões de reais.
Materialização da corrupção. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Certezas e incerteza para 24 de janeiro

São duas certezas em relação ao julgamento do recurso de Lula, em Porto Alegre, no dia 24 de janeiro: ele será derrotado, com a confirmação ou agravamento da condenação proferida pelo Juiz Sérgio Moro, com base - estritamente - em argumentos jurídicos. Por outro lado, com toda certeza a defesa de Lula irá recorrer.

A incerteza está no tamanho e altura da "voz das ruas". Seja em Porto Alegre, acompanhando o julgamento, assim como em outras cidades brasileiras. Com o objetivo de produzir um mártir.

Se a mobilização for ampla, com repercussão nacional, essa será incentivada para pressionar os Tribunais Superiores. 

Caso contrário a candidatura Lula irá desidratar.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Ninguém dissemina notícias falsas (fake news)

Quem recebe uma notícia que acha que é verdadeira ou gostaria que fosse verdade, transmite a outros essa "sua" verdade.
Portanto ninguém transmite uma notícia falsa, sabendo que é falsa. 
O problema não está na falsidade da notícia, mas na aceitação pelas pessoas que as recebe e assume como verdadeira.

Esse processo se baseia no comportamento das pessoas que querem que a notícia recebida seja verdadeira. Elas estão predispostas a aceitar como verdadeiras. Porque desejam que  as sejam. É um processo psicológico individual que se transforma em psicologia das massas.

A proliferação de fake news não é um problema de  tecnologia, mas o desejo inconsciente das pessoas que determinadas notícias sejam verdadeiras, ainda que não sejam. 

A tecnologia facilita e acelera a disseminação das verdades assumidas. Mas é apenas o meio. O conteúdo continua sendo a velha "fofoca".

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Esquerda, direita e centro: ficções políticas (2)

As soluções responsáveis para vencer a crise fiscal implicam em profunda reorganização do Estado.

Redução da burocracia, redução de gastos com o funcionalismo público, tanto ativo, como inativo, "reduz direitos" e conta com forte resistência. Tanto em Brasília, onde está o centro, como em grande parte dos municípios pequenos e médios, cuja principal fonte de renda e de emprego são as "repartições públicas" locais. 

Mesmo com a redução das despesas públicas, não há muita margem para a redução da carga tributária geral. 

Os mais ricos contribuem proporcionalmente com muito menos dos que os menos ricos. 

Mudar isso, também conta com ampla resistência, embora mais de natureza política do que eleitoral. Os ricos que pagam menos impostos são eleitoralmente poucos. E pouco ou nada pesam numa eleição nacional.

O que falta aos eventuais candidatos do centro político não é viabilidade eleitoral, mas coragem política de assumir as posições e correr o risco de não ter adesão política.

O que deixa espaço para "outsiders". Nem todos responsáveis. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Dezembro de 2017


Esquereda, direita e centro: ficções políticas


A divisão ideológica que existe na cabeça dos acadêmicos, das cúpulas políticas e da opinião publicada não corresponde aos corações e mentes da maioria dos eleitores brasileiros. Para os quais esquerda ou direita não fazem parte do seu cotidiano, tampouco da chamada "visão de mundo".

A maioria da população brasileira quer um Estado maior, mas com atuações diferenciadas.

A suposta população de esquerda, que abrange aqueles de menor renda, não tem posições ideológicas. Ela quer a melhor prestação de serviços públicos pelo Estado e gratuitas. 

Lula é o grande mentor dessa mensagem e promete dar a essa população as mesmas condições e esperanças do "seu tempo". Para a opinião publicada é o candidato da esquerda.

"Todo mundo" sabe que ele será condenado, mas poderá concorrer protegido por liminares. 

Já os seus potenciais eleitores ficarão na dúvida entre apostar na esperança ou não desperdiçar o seu voto. Votar em Lula poderá ser ato inútil, que interessa ao partido, mas nenhum benefício traz para o eleitor mais pobre. 

Bolsonaro, considerado como candidato da direita, mira o mesmo eleitorado de Lula: as pessoas de menor renda, com o mesmo discurso básico de um Estado mais forte, mas voltado prioritariamente para o combate à violência. E um Estado, livre de corrupção. 

Nesta dimensão tem um apoio maior, inclusive de importantes segmentos da classe média. A elite prefere-se refugiar em "guetos condominiais" e a buscar a segurança privada. Incluindo a possibilidade mais ampla e menos regulada de ser armar, para se defender.

Mas Bolsonaro adere a concepções culturais, consideradas pela opinião publicada, como incorretas e atrasadas. Mas que ainda são dominantes nas classes de renda mais baixa, difundidas pelas igrejas evangélicas. 

Segundo as classificações acadêmicas os movimentos evangélicos seriam politicamente de direita, mas a sua principal penetração eleitoral está nos redutos considerados de esquerda. 

O dito centro político ainda está à busca de um candidato eleitoralmente viável, o que não existe. Pode ser uma busca inútil, porque o "centro político" não existe eleitoralmente.  

O centro político tem por foco a macroeconomia e a gestão fiscal. O eleitorado não se sensibiliza com indicadores macroeconômicos, assunto só para os iniciados. O eleitorado quer saber de pagar menos impostos, ter melhores serviços públicos e não ter carestia. 

Isto é viável, mas pode ser proposto e até executado por medidas populistas, como fez o PT, ou por medidas mais responsáveis e sustentáveis. 

Candidatos com soluções responsáveis, além de poucos, não tem viabilidade eleitoral. 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A omissão de José Galló

José Gallo é, sem dúvida, o melhor e mais brilhante administrador profissional. O paradigma desejado pelas Escolas de Administração. Não é um acadêmico, profundo conhecedor das teorias administrativas, mas capaz de colocar em prática as mais adequadas ao seu negócio.
O seu livro “Poder do Encantamento” deve ser o livro básico de todo estudante de Administração, que sem ser “herdeiro” tem pretensões de alcançar a direção geral de uma empresa. 

Uma omissão no seu livro refere-se ao trabalho similar à escravidão. Uma questão que é – provavelmente – o maior risco de uma rede de varejo que se baseia na cultura empresarial e na imagem.

Uma denúncia de uso de trabalho infantil ou similar à escravidão, causa um amplo e profundo impacto sobre a marca.
Para continuar encantando os seus clientes, não basta o bom atendimento. Precisam garantir às suas clientes de que não estão pagando um trabalho infantil ou similar à escravidão.

Houve uma pequena falha no sistema de controle da empresa e, no mundo do domínio das redes sociais, isso poderá por tudo a perder. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...