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Um acordo pouco sustentável

Não se propõe acordo quando se está ou se sente fraco. Em que pese a superestimação do apoio popular, esse foi expressivo e Jair Bolsonaro tomou a iniciativa de propor um acordo com as chefias dos demais poderes.
Ele terá dificuldade em cumprir, seja por características pessoais, como pela eventual perda de apoio popular, ou melhor, das suas bases.

Essas foram às ruas para a sua defesa no confronto com o Centrão e o seu suposto líder Rodrigo Maia e contra o Presidente do STF, Dias Toffoli, nominalmente citados e acusados pela turba. 
Fazer acordo com eles, pode ser visto como traição para as suas bases. Sairam às avenidas para torcer pelo seu lutador preferido, no confronto com os adversários. Não para um acordo. Foram incentivados à beligerância e agora o seu apoiador não quer continuar a briga: "frouxo", "covarde", "maricas". Cadê o cabo e o soldado para fechar o STF? Para o Congresso precisa de um sargento? Tem agora vários lá dentro. 
Jair Bolsonaro tem apoio popular na briga, no confronto. Não na paz. Nesta emergem mais as suas demonstrações de inapetência em governar.
O pacto está sendo costurado para a aprovação da Reforma da Previdência, que excluindo os radicais de esquerda, todos estão a favor. Mas de qual delas? Cada um interpreta como quiser. 
Um texto básico, saindo da relatoria da Comissão Especial, será aprovado pela Câmara. O problema estará nos detalhes, ou melhor nos destaques.
Detalhes que significarão billhões a mais ou menos em dez anos. 
Aprovada uma Reforma da Previdência, qualquer que seja, a trégua será rompida e "seja o que Deus quiser": acima de tudo e de todos. 
Quem sucumbirá? quem sobreviverá?

(cont)

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