sábado, 8 de março de 2014

Cuiabá a maior das perdas

Quem chorou antes a perda da condição de sede da Copa agora está com um sorriso maroto com a desgraça daqueles que riram antes e agora só tem problemas. 

Os eventos promovidos pelo SINAENCO ao longo do ano de 2008, portanto, seis anos antes da data marcada para a Copa, tiveram boa repercussão nas mídias locais, mas baixa participação da população, com exceção de Cuiabá, em disputa com Campo Grande. A Prefeitura cuiabana, com apoio do Governo Estadual, promoveu uma grande mobilização regional para demonstrar o apoio popular a favor de Cuiabá. 

Levamos, para Campo Grande, na ocasião, a colocação de que seria melhor não ser sede, mas o domínio da idéia do prestígio da cidade, com a sua escolha para sede da Copa, obscureceu - inteiramente - aquela colocação. Felizmente para Campo Grande, ela perdeu e não precisou investir na reforma do seu principal estádio. As obras de mobilidade urbana que precisa podem ser contempladas pelos programas federais, independentemente da Copa.
E os turistas atraidos pelo Pantanal poderão aportar tanto em Cuiabá, como em Campo Grande. 
Infelizmente para os cuiabanos, a cidade foi escolhida, por reivindicação de Lula e terá dois grandes legados com a Copa: um magnífico elefante branco e um sistema moderno de transporte urbano, com baixa utilização.  Em contrapartida terá um enorme volume de dívidas a pagar que comprometerá o orçamento estadual durante anos. 

A população do Mato Grosso do Sul ficou frustrada e a do Mato Grosso feliz. O apoio à Copa em Cuiabá, em 2008, era quase que unânime. Hoje a população está dividida. Na mídia, as críticas são maiores do que a mobilização da população para ir aos estádios. Os jogos que couberam para Cuiabá, são de menor importância e apenas o Japão seria um país capaz de ampliar os turistas para o Pantanal. Mas do ponto de vista futebolístico, a Colômbia teria mais apelo. Os colombianos foram os estrangeiros que mais compraram ingressos na primeira fase de comercialização  feita pela FIFA. Só ficaram atrás dos estadounidenses. Provavelmente no jogo do dia 24 de junho, numa terça-feira, sob o calor cuiabano das 16 hs , haverá mais torcedores colombianos do que japoneses, apesar da eventual "invasão" dos nikkeis do Noroeste paulista, onde um grupo de imigrantes japoneses se instalaram. Na conta da FIFA esses fazem parte dos compradores brasileiros.

Quando Cuiabá foi escolhida a população ficou majoritariamente a favor. Quem se manifestasse contra, era considerado impatriota, contrário aos interesses do Mato Grosso e de Cuiabá. O Governo só mostrava os prováveis benefícios e as vitrines.   As obras seriam feitas com recursos federais, complementadas por fundos estaduais específicos, sem prejudicar as demais ações. Quem criticasse a destinação dos recursos públicos para os estádios ou para as obras de mobilidade urbana era tachado de opositor ao Governo e com interesses politicos.
O povo cuiabano queria a Copa. 

Agora seis anos após e nas vésperas da realização da Copa, diante do que ocorreu na prática e da realidade atual, esse mesmo povo cuiabano tem dúvidas.

O estádio está praticamente pronto e apesar dos atrasos e problemas - incluindo o incêndio - estará em condições de receber os apenas quatro jogos programados. 

Para frustração dos cuiabanos a seleção brasileira não jogará lá, o que já era esperado. Mas era esperado receber uma das grandes seleções favoritas ao título, como a Espanha, a Alemanha, a Holanda ou mesmo a Itália. Ver o Messi jogando pela Argentina seria uma oportunidade ímpar. Nenhuma delas estará em Cuiabá, durante a Copa. Das oito seleções que jogarão em Cuiabá, apenas 4 tem chance de passar para a fase seguinte. Japão e Colômbia por estarem num grupo fraco (C), embora a Costa do Marfim (que não joga em Cuiabá) possa surpreender. Como é o último jogo da fase, ambos poderão estar classificados, jogando apenas para definir primeiro e segundo do grupo. Rússia ou Coreia do Sul poderá passar para a fase seguinte num grupo de menor interesse.  Nigéria e Bósnia cairam no grupo onde está a Argentina. Uma delas poderá seguir porque a quarta seleção é o Irã.
Chile e Austrália cairam no Grupo que tem Espanha e Holanda, que também não jogam em Cuiabá. 
As demais deveria aproveitar a oportunidade para conhecer o Pantanal.

Nenhuma das 32 seleções escolheu Mato Grosso para o seu centro de treinamento, frustrando os investimentos e a preparação.

O sorteio dos jogos foi pouco favorável a Cuiabá e própria população se questiona se vale a pena tanto esforço para receber quatro jogos de importância secundária, e sem a presença de notáveis craques na Cidade. Mas não há perspectiva de manifestações populares de rua, contra a realização dos jogos, tampouco a hostilização ás seleções. 

A presença do público no estádio nos jogos dará um resposta mais efetiva se valeu a pena?

Com a escolha da cidade como sede de jogos da Copa ela entrou no plano das obras apoiadas pelo Governo Federal, consubstanciada numa matriz de responsabilidades.

A principal obra considerada foi o corredor de transporte coletivo do aeroporto ao centro, com uma bifurcação. Previsto originalmente como um corredor de BRT foi posteriormente, com a mudança na Administração Estadual, para o sistema do VLT. Para acelerar a contratação, depois da demora na decisão do que fazer, foi adotado - pioneiramente - a modalidade de contratação integrada dentro do Regime Diferenciado de Contratações. 

A contratação foi rápida, mas cercada de suspeitas. A modalidade adotada, no entanto, não facilitou ou acelerou a execução das obras. O sistema só ficará pronto parcialmente para a Copa.

Obras complementares, realizadas açodadamente, ficaram prontas, mas com problemas. O acesso a um viaduto recém inaugurado ficou inundado, impedindo o seu uso.

Diante dessas suspeitas de obras contratadas com superfaturamento, mal realizadas, perturbando os deslocamentos durante a sua construção, a população se questiona também se vale a pena?

Os Governos insistem que sim, seja discursos, como na propaganda oficial, demonstrando que a Copa deixará um grande legado para a cidade, com as obras de mobilidade urbana. Os críticos questionam os demais serviços, principalmente saneamento básico.

Como se divide a população cuiabana (que envolve a de Várzea Grande) em relação aos preparativos para a Copa e em relação à sua própria realização?

A outra grande promessa para a cidade foi a modernização do Aeroporto. O que foi feito é apenas uma melhoria sem a mudança para um aeroporto de padrão internacional.

Considerando, no entanto, as seleções que jogarão em Cuiabá, cabe indagar, quantos turistas estrangeiros irão a Cuiabá para acompanhar a seleção do seu país? Poderá se esperar uma "invasão" colombiana, dependendo do volume de voos fretados. Há uma expectativa em relação aos japoneses. Os demais serão em pequeno número.

Outro grupo de turistas que acorrerão aos jogos são os moradores no Brasil, considerados turistas nacionais. A maior parte, no entanto, são estrangeiros ou descendentes em primeiro grau que já moram no Brasil, como os africanos e os japoneses. Quantos brasileiros estarão dispostos a se locomover até Cuiabá, para acompanhar jogos de menor importância?

Em função da Copa houve uma pressão para aumento da oferta de quartos em hotéis. A perspectiva agora é que o elefante branco da arena tenha a companhia de elefantes brancos hoteleiros. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Planejamento e crescimento desordenado

Ao contrário do que se imagina e se tem propalado acriticamente pela mídia, não tem faltado planejamento. Em algumas das maiores cidades brasileiras, como São Paulo, há mesmo um excesso de planos.
O recém falecido Jorge Wilheim foi autor ou partícipe de diversos planos para a cidade, em diversas administrações estaduais ou municipais. 
Mangabeiras - João Pessoa

Então, porque as cidades continuam crescendo desordenadamente? Definitivamente, não é por falta de planejamento.

Há três hipóteses básicas para explicar esse fenômeno:
Av Berrini - São Paulo

A primeira, mais comum, é que as autoridades mandam elaborar os planos, mas não os assumem ou os implantam. Os planos ficam nas prateleiras e as cidades seguem uma dinâmica própria, independente dos planos.  Para implantar os planos Jaime Lerner conseguiu se tornar Prefeito e Jorge Wilheim foi secretário de planejamento de diversas administrações públicas. São (ou foram) planejadores urbanos que entenderam que para implantar os planos é preciso conquistar o poder. E ai perceberam as restrições que as autoridades tem para implantar os planos. Não basta a vontade política.

A segunda, a mais provável, é que os planos elaborados estão errados. O erro não é de natureza técnica, porém ideológica. Os planos urbanos ainda são concebidos dentro da concepção soviética dos planos da ação estatal, em que o Estado detinha o poder centralizado de conduzir a economia e a sociedade, determinando o que as pessoas tinham que e como fazer. O crescimento ordenado decorreria da obediência às determinações do Poder Público. 
O Estado brasileiro não tem esse poder, mas os planejadores urbanos continuam sonhando com esse poder, achando que vão ordenar a evolução da cidade com os seus planos. 
O Estado Brasileiro pode dizer o que o particular não pode fazer ou ainda o que pode fazer sob licença pública, 
Isso não tem sido suficiente para ordenar a evolução das cidades, por motivos diversos: a dinâmica da riqueza tem muitas opções e a dinâmica da pobreza tem poucas opções. Essas estão, exatamente, nas áreas que os planos não querem que sejam ocupadas. Porque a dinâmica da pobreza ocupa as áreas que os outros estão proibidos de ocupar, ou não se interessam em ocupá-las.
Para superar o centralismo estatal, o planejamento urbano desenvolve a concepção do planejamento participativo, mas que tem características populistas, deixando de lado os reais construtores da cidade e que determinam efetivamente a sua evolução: o setor imobiliário, tratado como adversário.

A terceira razão do fracasso dos planos em ordenar a evolução das cidades é que seus instrumentos são insuficientes para orientar os agentes privados nos sentidos desejados. 

Para que o planejamento urbano seja eficaz a condição principal é um armistício dos planejadores urbanos com o setor imobiliário, buscando a formulação de planos acordados entre o setor público, o setor imobiliário e os moradores.

Como isso é inviável para uma cidade toda, como São Paulo, tem que ser feito segundo projetos, em áreas assumidas como prioritárias. 





quinta-feira, 6 de março de 2014

Quais mudanças?

As enquetes sobre o posicionamento atual dos eleitores em relação às eleições de 2014 mostram que a maioria da população quer mudanças, mas também a maioria acha que quem tem melhores condições para promover as mudanças é a Presidente Dilma. 
Parece contraditório, porém há explicações plausíveis.

Quando as pessoas não estão satisfeitas com as condições em que estão vivendo querem ou gostariam de mudanças, porém querem que mude o que não está bom, mas preserve o que está bom.

O governo joga hábil e maliciosamente com a perspectiva de mudança do bolsa-família e de outros benefícios sociais por parte dos candidatos da oposição. Seria uma mudança para pior, na perspectiva da maioria dos eleitores. 

Os candidatos da oposição precisam convencer cabalmente os eleitores de que não irá acabar com o bolsa família, a LOAS e outros benefícios. Não vai mudar o que está indo bem. Não vai mudar o que a população acha bom. Mesmo que não seja.

Os três principais problemas, que a população já enfrenta e quer mudanças são saúde pública, segurança pública e carestia. Um quarto problema está emergindo, mas ainda não é percebido de forma nítida: desemprego ou desocupação.

Os demais problemas tem importância menor para a maioria da população. Educação não é um problema crítico para a população de baixa renda. Se a família consegue matricular a criança, acha que está sendo educada e atendida. Para ela a falta de qualidade da educação está nas faltas da professora. O problema está ainda em questões complementares, como falta de merenda, a falta de uniformes, a falta do transporte escolar e a insegurança. 
O problema real da má qualidade da educação pública é percebida pela elite e pela classe média, que cada vez mais tiram o filho da escola pública e suas reclamações não decorrem de questões práticas. Quando muito o que ocorre com os filhos dos seus empregados, de menor renda.

A prioridade da educação é diferente em função da classe social.

Qual é a mudança desejada pela população em relação à saude? Também há diferenças significativas.

A população de baixa renda que não tem condições de acesso a um plano de saúde privado quer um padrão de atendimento desses planos. Supõem que se tivessem um plano de saúde, seriam atendidos com maior presteza. Se tivessem um plano de saúde, poderia reclamar os seus direitos. Sem plano de saúde tem que se conformar com a demora, com o mau atendimento pelos profissionais de saúde, etc.

Quem tem plano de saúde, tem outras reivindicações. Reclamam, principalmente, das restrições de atendimento.

O povo não está exigindo saude no padrão FIFA. Isso é uma reivindicação da classe média.

O povo quer uma saúde pública no padrão dos planos de saúde. Ele supõe que os planos de saúde dão bom atendimento.

Maluf em São Paulo criou um "tipo" plano de saúde. Foi um grande sucesso e elegeu um poste como seu sucessor. Depois este usou o plano para locupletar os amigos e caiu em desgraça. Pior: comprometeu a idéia de um plano de saúde universal. 

O maior problema da saúde pública é a falta de médicos. 

O Governo apresentou a sua proposta. A mudança está em curso. E a oposição. Que propostas tem?

quarta-feira, 5 de março de 2014

Sem dias para aprontar

Vão ficar prontos para a Copa? O que? 
Os estádios? Sim esses vão ficar prontos para os jogos e para os espectadores. Mas será suficiente?

Aproveitando a marca de 100 dias para começar a Copa do Mundo no Brasil os jornais foram entrevistar as autoridades brasileiras e da FIFA, cujas respostas seguem um discurso aparentemente ajustado. Sim, vão ficar prontos. Mas o que?

Diante da irresponsabilidade do Brasil em planejar e preparar-se adequadamente para a Copa, apesar de ter tido 7 anos para tal, a FIFA, desistiu, "jogou a toalha".
Procurou garantir que os estádios ficassem prontos e "largou mão do resto". O resto não é fundamental para a realização do evento futebolístico, mas vai arranhar a imagem da FIFA. A do Brasil muito mais.

Além dos compromissos com as confederações nacionais de futebol a FIFA tem compromissos com a mídia e com os seus patrocinadores. A eventual falha com esses últimos não impede a realização do evento, mas compromete a capacidade de organização da FIFA e vai ter reflexos para as Copas futuras, implicando em perdas de receitas.

O compromisso com as 32 confederações que passaram para a competição, depois das diversas eliminatórias, é a realização das 64 partidas, em gramado e demais infraestrutura compatível com um grande evento mundial. Isso as seleções irão encontrar e ao final do último jogo, uma delas se sagrará campeã do mundo. Ainda acredito que poderá ser o Brasil.

A FIFA garantiu a elas que encontrariam locais adequados para se hospedar e se preparar e também uma logística segura para as comitivas. Isso está e será cumprido, com o apoio de Prefeituras e de empresas interessadas em receber as equipes.

Ela estará preparada para receber as autoridades governamentais que venham assistir aos jogos, particularmente o da abertura. Poderá não receber como desejava, mas não vai fazer feio, com as suntuosas instalações dentro dos novos estádios. Queria receber nas tendas, mas não precisa. 

O que falta então para a realização da Copa? Nada de essencial, mas complementos que afetam a credibilidade da FIFA: as tendas para as feiras dos patrocinadores, as instalações dos sistemas de comunicação para a Central de Mídia e as Fan-Fests.

As tendas para as feiras não estarão prontas em todos os estádios e a saída será realizá-la dentro dos estádios. Será uma solução típica do jeitinho brasileiro.

As instalações de comunicação serão importantes para as emissoras que querem ter as suas transmissões complementares e grandes equipes no Brasil. 

O que a FIFA irá assegurar é a captação das imagens dos jogos, com exclusividade, e retransmití-las às emissoras sob contrato. A narração e os comentários poderão ser feitas das sedes das retransmissoras, como ocorre em muitos eventos esportivos.

Mas não é o caso da Rede Globo que quer estar presente, com equipe própria e todo um suporte tecnológico, em todos os estádios. Outras emissoras internacionais querem acompanhar presencialmente o campeonato, ou pelo menos os jogos da sua seleção.

Haverá locais para a mídia, mas a eventual escassez em alguns estádios provocara um racionamento e uma redução de credenciamentos, provocando reclamações dos não autorizados. 

Os problemas com a mídia sãos que mais negativamente irão afetar a imagem da FIFA e do Brasil. Será caracterizado como falta de organização.

Tempo para preparar tudo isso existe. Cem dias são mais que suficientes.
O que não existe é dinheiro público. E mesmo que exista não pode ser gasto nesse curto espaço de tempo. Mesmo que se alegue urgência ou até emergência os Ministérios Públicos, nem os Tribunais de Contas vão aceitar a dispensa de licitação.

A solução tem que ser privada. Mas há muitas restrições. Só convirá para os já patrocinadores. Os demais podem até investir, mas não poderão aparecer. A única saída, dentro dos cem dias é o dinheiro da FIFA. No caso dos estádios privados, os proprietários. Esses também resistem em comprometer mais recursos, para os quais não haverá retorno. 

Diante do inevitável a FIFA já adotou o jogo do contente. Os estádios vão ficar prontos. O resto vai no jeitinho brasileiro. 

terça-feira, 4 de março de 2014

Carnaval: vitrine ou vidraça?

O que o Brasil mostra ao mundo com o seu Carnaval? Com as diversas manifestações efetivas e não com o que quer difundir. Nós sempre queremos mostrar as vitrines e esconder as vidraças.
Ocorrem manifestações carnavalescas em diversas cidades, mas algumas são as mais marcantes: Rio de Janeiro e Salvador.
Para quem está presente nessas há uma visão, uma percepção. Uma grandiosa manifestação de alegria e felicidade, em que todas as mazelas são desprezadas. 

Quer ser feliz? Venha para o Carnaval Brasileiro!

Quem acompanha pela televisão a visão é enviesada pelas emissoras. O que o mundo vê é o que é mostrado pela TV. É um grande espetáculo cênico.

O carnaval de Salvador, do Recife e de outras cidades é uma grande manifestação popular, com milhões de pessoas cantando, pulando e se divertindo.
Já no Rio de Janeiro, agora estendido para São Paulo, o carnaval foi transformado num espetáculo para alguns espectadores que conseguem ir aos respectivos sambódromos e para multidões que acompanha os desfiles  pela televisão, tarde da noite até o sol raiar.

Há uma grande montagem de carros alegóricos, de fantasias de centenas de participantes das escolas, puxadas por um cantor de voz rouca e forte e pela bateria.  Mas os destaques são as belas mulheres, semi-nuas rebolando, esbanjando sensualidade e consolidando a imagem de oportunidades sexuais. A TV, a imprensa impressa em papel e agora a internet não cansam de mostrá-las.

O Brasil insiste em mostrar uma imagem, mas não quer que essa seja vista como uma atração sexual e que promova o turismo sexual.


O Governo reafirma que o Carnaval não tem conotação sexual, mas promove grandes campanhas pelo uso da camisinha, pré e durante o evento.


Como esse fenômeno pode ser entendido? Seria uma enorme hipocrisia social? Um traço cultural preponderante da sociedade?

Não haveria uma conotação sexual nas belas figuras femininas mas um elemento estético? Apenas para ser apreciado?

Um egoismo nacional? O brasileiro quer saborear as suas belas mulheres, mas não quer compartilhá-las com os estrangeiros?

Evolução da publicidade que percebeu o apelo de belas mulheres para chamar atenção aos seus produtos e persiste em explorá-las? Até quando?

Como evoluirá o Carnaval Brasileiro em função dessas contradições?

Antigamente havia muito Carnaval nos salões, recheada por foliões a fantasia, o que foi minguando, restringindo-se hoje às sessões infantis. As crônicas sobre os carnavais antigos, as músicas, retratam um carnaval mais inocente e poético, com os seus pierrôs, colombinas e arlequins. Poderia não ser a realidade, mas é a imagem trazida ao presente.


Os grandes desfiles e concursos de fantasias foram para o sambódromo. Os desfiles incorporam, cada vez mais tecnologia e efeitos visuais. 

Os carnavais de rua começam a renascer no Rio de Janeiro e São Paulo, com os blocos que reúnem cada vez mais milhares de participantes, brincando e pulando de forma mais espontânea. Já são dominantes no Recife. 

A conotação sexual do Carnaval será substituída?

Voltaremos a um Carnaval menos profissional? Ou continuaremos dominados pelas estratégias das empresas de bebidas, de comunicação e da indústria da exploração sexual?

segunda-feira, 3 de março de 2014

Consumo de água

Em São Paulo, com a sucessiva baixa do nível das represas do Sistema Cantareira, que atende a maior parte da Região Metropolitana, os ambientalistas fazem coro às solicitações de maior economia no uso da água, mas não aproveitam para acusar os homens de serem os principais responsáveis pela carência da água, ainda que apontem as mudanças climáticas como a principal responsável.
O fato mais evidente, com o calor deste verão é que o principal consumidor da água é o sol, promovendo maior evaporação das águas represadas e não o banho mais prolongado das pessoas. 
O homem tem que contribuir para não agravar a situação, consumindo menos, mas não é o principal responsável pela rápida redução das reservas de água. 
Essa água se evapora das represas, vai se condensar na atmosfera formando nuvens carregadas de chuvas, fazendo a água retornar à terra. Mas não nos mesmos lugares. 
Ou seja, a água evapora da represa na Cantareira, mas as chuvas subsequentes não caem sobre a mesma represa. Podem cair, com forte intensidade em outros locais, provocando inundações.
O ciclo é natural, incontrolável pelo homem. Poderia o homem interferir na localização das chuvas? 
Que eventual interferência ele tem no direcionamento das precipitações?
Ou sendo os processos naturais incontroláveis, o que ele pode fazer para mitigar os seus efeitos danosos?
A questão principal não é culpar o homem pelos processos naturais que ocorrem independente de suas ações, mas entender melhor a sua dinâmica e como conviver melhor com aqueles.



sábado, 1 de março de 2014

Contabilidade Nacional Criativa?

Segundo as contas do Governo, levantadas pelo IBGE, o PIB brasileiro, em 2013, cresceu, 2,28%, arredondado para 2,3%. Um resultado baixo, porém melhor que dos paises mais desenvolvidos, o que foi saudado como um excelente resultado.
E não teria crescido mais em função da crise internacional e do baixo crescimento das maiores economias mundiais. O Governo poderia ter dito mais: apesar da ajuda brasileira que teve um crescimento de 8,37% nas importações: uma taxa espetacular para ajudar os paises exportadores. 

Quando se atribui a evolução do PIB brasileiro ao forte crescimento dos investimentos, ou nos termos técnicos a Formação Bruta de Capital Fixo, está se escondendo o fato de que esses foram supridos, majoritariamente,  pelas importações. Não ajudou a aumentar a produção nacional.
A indústria brasileira de transformação, assim como a da construção continuaram com taxas baixas, abaixo da média do PIB. Ou seja, contribuiram negativamente para a taxa de evolução do PIB. 
A taxa de 2,3% decorre da taxa dos serviços (2,03%)e que contempla  60% da formação do PIB. A agropecuária, apesar do aumento de 7% pelo seu peso menor na economia, contribui com apenas 17% do crescimento, enquanto a variação dos serviços correspondeu a 53%. Ou seja, o crescimento do PIB continua vinculado ao crescimento dos serviços. 

A curto prazo os investimentos não influenciam a produção nacional, pois esses estão sendo feitos majoritariamente mediante importações. Presume-se que aumentará a capacidade produtiva, o que é mera esperança.

Voltamos a ser uma economia dependente.


Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...