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Uma conjugação difícil de se repetir

Em meio ao recrudescimento da crise política, o sucesso da licitação da concessão de 4 usinas prontas da CEMIG mostrou uma conjugação especial de ações governamentais.

De um lado, as "autoridades econômicas" comandadas por Henrique Meirelles, buscando colocar as contas públicas em ordem, mesmo repetindo erros anteriores. Usar receita de capital para cobrir despesas de custeio é um enorme erro, que vai se refletir mais adiante. 
O Governo atual está pagando por erro semelhante, feito  desde o Governo Fernando Henrique.

O principal fato político é que a bancada estadual de Minas Gerais na Câmara, a segunda maior em número de deputados - perdendo apenas para São Paulo - tentou até o último momento evitar o leilão e pelo menos manter uma das usinas com a CEMIG. 

Essa bancada tem dois cargos cruciais para o Governo Temer: a Vice-Presidência da Câmara dos Deputados e a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça, onde ocorre a primeira avaliação da denúncia contra o Presidente junto ao STF.

Supostamente, Temer precisa do apoio desses dois deputados mineiros e dos votos da bancada mineira para barrar o andamento da denúncia. Pois, apesar de toda "chiadeira", pressões e outras ações o Presidente manteve o apoio às autoridades econômicas e o néo peemedebista, Fernando Coelho Filho. Apostou no sucesso do leilão de todas as usinas e ganhou. Além do esperado. Mas pode perder os votos da bancada mineira além de eventual escolha de relator do processo da denúncia, favorável à aceitação, como ocorreu com a primeira. 

Deve ter feito as contas e achou que poderia correr o risco. Talvez não contasse com o revés de Aécio, no STF, que mexe mais uma vez com a bancada mineira, embora agora como repercussão maior, envolvendo todo o Senado Federal.

Qualquer que seja o desfecho, é importante perceber que a dita agenda econômica, com diversas medidas já aprovadas e ainda com a reforma da previdência pendente, não segue o seu curso pelas suas virtudes intrinsecas ou pelo apoio do mercado.

Cada medida é negociada e "comprada" de forma hábil, da qual Michel Temer é o mais preparado e experiente e sem escrúpulos.

Meirelles sabe muito bem que não conseguiria dar curso às reformas, sem Temer ou mesmo Lula, para fazer a parte suja. Não aceitou e não aceitaria ser Ministro de Dilma, dada a incompetência e inapetência pela articulação política com terceiros, da ex-Presidenta. Joaquim Levy aceitou e se deu mal. 

Sem fazer os acordos com um Congresso, profundamente anti-ético, nenhuma autoridade econômica conseguirá fazer as reformas. 

Não existe uma agenda Meirelles (o lado bom e bonito) diverso da agenda Temer (o lado feio). Não existe uma eventual candidatura Meirelles, descolada do Governo Temer. 

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