A
realidade não é mostrada como ela é. Os meios de comunicação sempre a
mostram segundo uma versão plausível. Versão mais aceita, versão que a
maioria quer acreditar seja a verdadeira.
A
ruptura de uma barragem com bilhões de m3 de água, misturada com terra e
rejeitos da mineração de ferro, destruiu inteiramente dois pequenos
povoados, deixando mortos e desaparecidos.
A
torrente de água seguiu seu curso natural de destruição, assoreando os
corpos d'água aos quais se juntou e derrubando terras às suas margens,
desprotegidas, sem matas ciliar, formando uma camada lamaçenta que agora chegou ao mar.
A versão que está nas manchetes é "lama de Mariana chega ao mar".
Muito
pouco da lama de Mariana conseguiu viajar tanto. A sua água sim. A lama
de Mariana foi ficando pelo caminho, assoreando os rios.
Essa
água barrenta não "matou o Rio Doce", embora tenha causado grande
destruição.
Em
termos comparativos, o Rio Doce está na UTI (ou CTI), mas vai
sobreviver. E ainda vai causar muitos estragos, por ação da natureza.
As chuvas de verão vão remover parte da lama ora depositada e que chegará ao mar. Mais diluida, mas provavelmente em quantidades maiores do que agora.
Sem a carga emotiva que cerca o desastre atual.
A realidade é que não foi a lama de Mariana que chegou ao mar. Foi a lama de todo o Vale do Rio Doce, devastado pelo desmatamento, carregada pelas águas liberadas pela mina.



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