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Gerações perdidas

Um jovem de 14 anos em 1964, portanto nascido em 1950, viveu e se tornou adulto, com restrições à sua liberdade. Alguns se rebelaram e acabaram presos. Muitos ficaram a meio do caminho. Aos 35 anos, em 1985 começaram a viver um novo Brasil. No inicio do século, com 50 anos, alguns haviam se tornado profissionais ou empresários bem sucedidos. No campo da engenharia, principalmente em contratos de obras com Governos.

Engenheiros bem sucedidos, que ascenderam a cargos diretivos de grandes empresas construtoras, na faixa dos 67 anos estão presos ou sob restrições de liberdade. Além de condenados a pesadas multas, muitas vezes superiores ao patrimônio acumulado  ao longo da sua bem sucedida trajetória profissional. Mas carregando o vírus da corrupção.

Essa contaminação faz com que essa geração e a subsequente, a dos seus filhos, na faixa dos cinquenta, tenham que ser "varridos" do mercado. 

São duas gerações sacrificadas dentro da história brasileira. Sacrificados quando jovens e mais uma vez sacrificados, com a provável perda de tudo o que conquistaram e acumularam. Não só financeiramente, como de experiências e conhecimentos.

Esses se tornaram obsoletos e inseríveis. Deu muito trabalho, mas agora precisam ser descartados ou reciclados. 

A recuperação da engenharia nacional não poderá se dar pela reconstrução dessa casta contaminada pelo vírus da corrupção.

Terá que recomeçar do zero, a partir dos jovens de 25 a 40 anos, recém formados ou com pouca experiência, nos métodos e conceitos tradicionais.

Chegam com novos conceitos, domínio de novas tecnologias, que as gerações mais antigas não alcançam ou resistem a aceitar. 

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