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Comprar para empregar (1)

O momento crítico da economia brasileira decorre do enfraquecimento do consumo familiar, ou seja, das compras das pessoas físicas.

Os bens de consumo básicos são comprados em função da necessidade e dos preços. O consumidor busca os melhores preços e pode trocar marcas ou os produtos em função dos preços. Ou até deixar de comprar.

Agora o clima está operando a favor e contra a retomada da economia. 

No setor de vestuário, as lojas tem que abrir espaços para os produtos voltados para o frio. Para reduzir os estoques passaram a sucessivas promoções.

O consumidor que estava adiando as compras, das roupas de verão, achou que deveria aproveitar a oportunidade das liquidações. Outros já tiveram que fazer as compras das roupas de inverno. E com isso, houve um estancamento da queda de consumo de vestuário. Parou de cair.

Por outro lado, a inflação dos alimentos que tendia a cair, pela sazonalidade, tem sido alimentada por situações atípicas de alguns produtos como o feijão e hortaliças. De uma parte pela seca, de outra pelo excesso de chuvas. 

Mas, tirando alguns produtos, a carestia estaria menor e o consumo geral de alimentos também interrompeu o processo de queda.


Num primeiro momento, essas circunstâncias estancam as demissões no comércio. Novas admissões só com a sua continuidade.

O problema maior do consumo das pessoas não é a confiança, mas a sensação de carestia. O que, em muitos casos, não é apenas de sensação, porque o seu dinheiro não é suficiente para pagar as contas. E já se endividou demais. 

A retomada da economia depende da mudança dessa percepção por parte dos consumidores finais. Se "tá tudo muito caro", ainda não chegamos "ao fundo do poço".

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