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As origens da violência no Rio de Janeiro

A violência urbana no Rio de Janeiro verificada recentemente e que justificaria a intervenção militar federal é a eclosão de um processo de muitos anos que tem uma primeira e fundamental origem.

O amplo e disseminado crescimento do mercado de drogas consumido pela classe média e rica do Rio de Janeiro. 

Essa demanda crescente não foi contida nem com a recessão econômica. Ao contrário, a recessão deu margem ao seu maior crescimento. 

Como em qualquer processo econômico, com uma demanda em expansão, a oferta se organiza para atender a essa demanda, e os diversos interessados passam a disputar os mercados. 

É um processo econômico natural, usual, mas com uma diferença fundamental: a disputa pelo mercado é feita, a bala. Não por um processo, supostamente civilizado, mas ainda da barbárie.

O que escandaliza a sociedade civilizada que sustenta esse processo.

Essa sociedade se divide: uma parte segue como consumidora de drogas e racionaliza com diversos argumentos e lógica para justificar o seu comportamento. E não aceita que seja sustentadora da barbárie. Não aceita e não reconhece que é parte fundamental da cadeia produtiva (ou de valor) da droga.

Outra parte não é consumidora, mas é leniente com a parte consumidora. Percebe o comprometimento, mas como esses consumidores são seus pares, são da mesma classe social, são seus vizinhos, amigos ou familiares, aceitam o comportamento como "fatos da vida". 

E preferem atribuir a culpa aos demais: aos traficantes violentos, à polícia despreparada, aos políticos corruptos e todos os demais: menos os seus.

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