sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Os legados da Copa - arenas multiuso

O Brasil tem poucos locais para a realização de mega-shows internacionais, que reunem mais de 40 mil espectadores por apresentação.
Essa limitação de locais estaria restringindo a maior inserção do Brasil nos circuitos internacionais das grandes celebridades mundiais. Segundo alguns críticos, o Brasil só estaria recebendo artistas já em decadência, longe do seu auge, mas ainda com capacidade de reunir público saudoso com os seus antigos sucessos. Nenhum deles estaria escolhendo o Brasil para o lançamento de seus novos discos. 
Com os novos estádios, como o novo Fonte Nova (foto) as cidades-sede teriam condições de receber os grandes shows, tornando os estádio em arenas multiuso, com a captação de receitas adicionais para a amortização dos grandes recursos investidos na sua construção ou reforma.
Isso seria verdade para algumas das cidades que completaram seus estádios para a Copa das Confederações e receberam mega-shows, lotando-os.
O Castelão, em Fortaleza recebeu a  última das três apresentação no Brasil, em 2013, de Paul McCartney e depois o início da turnê de Beyoncé. 
A Arena Pernambuco foi palco do denominado "Maior Show do Mundo" (foto), para a gravação do novo disco de Cláudia Leitte, mas a principal atração acabou sendo a funkeira Anitta, não tendo conseguido lotar a casa.
O Estádio Nacional de Brasília recebeu os shows de Beyoncé, com fans acampando diante do estádio (foto) e Justin Bieber.
O Mineirão foi palco da apresentação de Elton John (foto)  e de Paul McCartney

O Maracanã não recebeu nenhum show, com todos os maiores no Rio de Janeiro sendo realizados na Praça da Apoteose.

Para 2014 só estão confirmados duas megas turnês ocupando os estádios: Metálica, com uma única apresentação no Morumbi, em março e One Direction, a mais nova sensação para o público jovem, com dois shows pouco antes da abertura da Copa. Programados, originalmente, para inaugurar a Arena Palestra, já foram transferidas para o Morumbi.

O Brasil já está inserido no circuito mundial dos shows musicais, onde predominam as bandas de rock e cantores de prestígio, mas a maioria ocorre em ambientes fechados, com pequena lotação. Os de maior lotação preferem locais menores com lotação até 30.000 lugares e, excepcionalmente, alcançando 40.000 que seria a lotação do sambódromo em São Paulo, ou da área de estacionamento contígua. A média de público dos grandes shows ficaria em torno de 25.000 espectadores, não sendo interessantes para os novos estádios, cuja capacidade nas arquibancadas é de, no mínimo, 40.000. No caso dos shows, parte daquelas é inutilizada para a colocação do palco, mas teria a compensação do uso do gramado.

A disponibilidade de uma nova e moderna arena multiuso é importante para atrair as turnês, mas não suficiente. Dados os elevados valores dos ingressos, que alcançam valores acima de R$ 600,00, sendo os mais baratos, da ordem de R$ 120,00 é preciso que haja público interessado com capacidade de renda. 

Não é a falta de arenas multiuso de grande porte que limita as turnês internacionais no Brasil, mas a insuficiência de demanda, dados os preços.

Nem todas as cidades tem um público disposto a pagar os elevados preços. São Paulo teria uma demanda para megashows, acrescidos dos fãs de outras cidades. Brasília que conta com a maior renda per-capita também tem. Já o Rio de Janeiro, aparentemente, não dispõe. Tem um grande público para preços populares, mas pouco para mega-shows com preços elevados.

Os que as novas arenas permitirão é a descentralização, com a realização de eventos em várias cidades e não concentradas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os shows de Amy Winehouse, no início de 2012 já foram programadas em locais menores, apesar das grandes expectativas. Foram 5 shows, começando por Florianópolis,
num festival, no Rio de Janeiro na Arena HSBC, para 14 mil espectadores, dois no Recife no Centro de Convenções e o final da turnê em São Paulo no Anhembi, onde - segundo os patrocinadores - estiveram 30.000 pessoas.
Os shows de Madonna e Lady Gaga foram fracasso de público. Não se conseguiu vendeu todos os ingressos colocados, mesmo com grandes promoções e descontos. No caso de Madonna supõe-se que houve um processo de saturação, pois ela já havia se apresentado no Brasil, dois anos atrás.

Outra vítima do processo de saturação foi Justin Bieber. Em 2011, quando era a maior atração do público jovem (predominantemente feminino) teve marcados shows extras no Engenhão, no Rio de Janeiro,  para 40 mil espectadores e no Morumbi, em São Paulo para 60 mil espectadores. Mas no encerramento, em Porto Alegre, no Beira Rio, só vendeu metade dos 50.000 ingressos.
No seu retorno em 2013, ficou com apenas uma apresentação no Rio de Janeiro, na Praça da Apoteose. Já não foi o sucesso de público, como em 2011.
Apenas Paul McCartney escapa da saturação, conquistando casas cheias nas suas turnês mais recentes. Mas evitou São Paulo e Rio de Janeiro, realizando-os em Belo Horizonte, Goiania e Fortaleza.

O setor é dominado por poucas empresas nacionais, como a Time for Fun e XYZ que contratam as apresentações, o local e comercializam os ingressos. Eike Batista tentou entrar no mercado com a IMX, mas não teve fôlego para levar a frente o empreendimento.
Aparentemente, nenhuma delas tem exclusividade com os locais dos shows, tampouco as administram. Algumas teriam contrato de longo prazo com alguns artistas ou bandas, operando como agentes deles para as apresentações no Brasil. Um dos poucos casos era o Cirque du Soleil, com a Time for Fun. A IMX tirou o contrato dela, a partir de 2014, mas não terá condições de cumprir.

A tendência, com os novos estádios, é da parceria ou contratação de uma operadora internacional, que faria a gestão da arena multi-uso, fora a sua utilização para os jogos de futebol, promovendo a captação dos shows e a comercialização dos ingressos, cuidando ainda de toda infraestrutura móvel e da logística das apresentações.

Todos os concessionários dos estádios, dentro das PPPs, estão estabelecendo essas parcerias, para o uso desses como arenas multi-uso.
"Na Bahia, a OAS Arenas, que tem como sócia a holandesa Amsterdam ArenA, estima faturar R$ 45 milhões, em Pernambuco R$ 40 milhões e, em Porto Alegre, R$ 50 milhões neste ano" (Estádios de futebol passam por adaptações - Valor - 18/09/2013 - B6) 
A AEG -  Anschutz Entertainment Group, empresa norteamericana, uma das principais gestoras mundiais de arenas multiuso já fechou contratos com a Arena da Baixada, em Curitiba, Arena Pernambuco e o Allianz Parque, a arena do Palmeiras, em São Paulo.
Nesta, o seu primeiro grande evento, com o grupo jovem One Direction já teve que ser transferido para o Morumbi, face aos atrasos da obras, decorrente de impasses entre a empreendedora (W Torre) e a nova direção do clube que quer rever as condições originais do contrato.

O legado da Copa , quanto às arenas multiuso, será a maior participação de operadoras estrangeiras para gerí-las e gerenciar todo processo dos eventos, concorrendo com as nacionais, que ainda dominam o mercado.

Considerando a capacidade real das operadoras brasileiras em captar eventos internacionais, a dúvida é o quanto essas empresas estrangeiras conseguirão aumentar o volume de megaeventos para ocorrerem naquelas novas arenas multiuso.

Há muita expectativa que se mistura com desejos e ilusões, que poderão não se efetivar em função das tendências verificadas nestes dois últimos anos no setor: declinante no conjunto dos megashows, com descentralização regional e crescimento no volume total, dos shows em casas fechadas e arenas menores (até 30.000 espectadores), com concentração regional no sudeste.

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