quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O grande equívoco da democracia (5)

A pessoa, que em momentos eleitorais, vira eleitor ou eleitora, não vai escolher entre o político de direita ou de esquerda, entre aquele que é a favor ou contra a maior intervenção do Estado na economia. 

A sua decisão de voto não é ideológica. É pragmática.  Ela quer ser atendida, ou ela quer melhorar as perspectivas de atendimento.
Esse processo que domina, na prática, na realidade, embora indesejada e contestada pelos cientistas políticos, tem origem e base na ampla prestação de serviços públicos pelo Estado, principalmente os de caráter social.

Ser a favor de um Estado provedor e quanto maior melhor, dá votos. Ser contra e defender a privatização,  ou um Estado menor, não dá votos. 

Todos defendem um Estado provedor universal, isto é, que atendam a todos que o procure. Mas isso não ocorre na prática: há filas enormes para obter uma consulta num posto de saúde, não se consegue matrícula para o filho próximo da casa, há um fila de espera enorme para obter uma vagas numa creche, etc, etc.

É diante da deficiência de atendimento que entra o político. O político é o meio para "furar a fila". 

E "furar a fila" é um meio indireto de "compra de voto". 

Com as revelações todas sobre corrupção, sobre venda de votos, há um sentimento de revolta contra os políticos, mas isso não resulta - necessariamente - em não votação neles. O que prevalece é uma cultura comum do "jeitinho". É a aceitação de que todo político é assim mesmo. Se aparecer um novo, com discurso de "seriedade", não terá votos se não prometer ser "despachante" (embora nunca vá afirmar isso expressamente).

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