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Imagem é tudo

O Brasil conta com três gênios da televisão e uma grande atriz. Aguinaldo Silva, como um mestre na construção de novelas e personagens marcantes. Lula, por competência inata e João Santana pela competência profissional na criação de imagem de candidata. E a grande atriz, não a desmerecendo, não é Fernanda Montenegro. Chama se Dilma Vana Rousseff. 

As mais recentes pesquisas eleitorais, consultando a percepção dos eleitores mostra que estamos diante de uma grande novela. É tudo fantasia, tudo imagem construida para sensibilizar corações e mentes dos eleitores.

Dilma é quem melhor se sai nessa novela, encarnando a personagem que João Santana criou para ela. A personagem, como convém, não é real. O que ela diz e encarna é falso, mas convincente.

Cria um país falso, distorcendo números, conta mentiras deslavadamente, cria fantasmas, mas ela acredita, tão firmemente, que não está mais mentindo. Ela tornou a mentira em sua verdade e a transmite com absoluta segurança. Se o interlocutor titubear ela destroi a verdade. Ela passa uma imagem de firmeza. contrapondo-se à imagem de fraqueza dos adversários.

Por mais que os técnicos, os mais informados contestem, com fatos e números que a crise internacional não é a responsável pelo baixo crescimento da economia brasileira, Dilma se introjetou de tal forma essa versão que ela transmite como uma verdade e convence uma grande parte da população que não tem as informações suficientes. Ela é uma mentirosa convincente, sem titubeios. Há muitos estudos que explicam esse fenômeno que é mais comum que parece. 

Outro que cria uma fantasia e acredita nela, sem a mesmo competência histriônica de Dilma é Aécio Neves. Ele ainda acredita que o eleitor quer um presidente mais experiente do que um "salvador da pátria". Vê um mundo que é diferente do que ele imaginou e não aceita a realidade. Não se modernizou, seguindo a cartilha da política antiga.

Aécio tem a ilusão, como muitos outros de que a opinião publicada é a opinião pública. Não é capaz de entender a realidade da opinião não publicada. Essa, as pesquisas comprovam vê a campanha eleitoral como uma grande novela, gostando de uns e não de outros, torcendo por uns e não de outros.

Não acompanho novelas, faço parte da opinião publicada, mas percebo as repercussões das novelas no público em geral. O que me lembro é que duas personagens do mal, faziam mais sucesso do que as do bem. A malvada da Avenida Brasil era querida pelos telespectadores. A "bicha má" foi o maior sucesso. E, por mais que contassem e mostrassem, a personagem de Antonio Fagundes se recusava a aceitar que estava sendo traido pela sua amada. 

O povo parece aceitar melhor o mundo ilusório criado por João Santana e interpretado por Dilma, do que o mundo infeliz mostrado por Marina Silva e Aécio.

O otimismo - embora falso - está vencendo o pessimismo. 


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