quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mudança de estratégias

Durante uma guerra os generais precisam ter capacidade de mudar as estratégias em função de mudanças no jogo de forças. Aquele que teima em manter estratégias conservadoras corre maior risco em ser derrotado.
Os ataques de Dilma contra Marina pela autonomia do Banco Central, acusando-a de ser a candidata dos banqueiros é uma mudança substancial de estratégia. Indica que, afinal, Dilma resolveu aceitar as ponderações de Lula, adotar uma linha mais política e ideológica, deixando de se ater exclusivamente nas orientações do marketólogo. A sensibilidade política de Lula é superior a todas as informações captadas pelo marketing eleitoral. A visão de Lula é que as campanhas devem ser mais ideologizadas. E enfatizar a imagem do pobre x rico, do povo contra a elite.
Aparentemente o resultado foi positivo e Marina sentiu o golpe. 
O eleitorado não deu maior importância aos escândalos da Petrobras, acatou a imagem da dependência de Marina com os banqueiros, em função de amizade pessoal com uma herdeira de um grande banqueiro. Embora ela seja uma educadora e não se envolva nos negócios bancários. Mas a versão acaba sendo sempre mais importante do que a verdade. É o que mostram as últimas pesquisas. 
O problema é que a mudança de tendência - ainda que pequena - não exclui o segundo turno e essas estratégias podem perder eficácia. 

Por outro lado, Aécio surpreendido por uma suposta "intervenção divina" que derrubou o avião de Eduardo Campos e a sua candidatura, continua acreditando em outra intervenção, agora a seu favor.
Quando o jogo de forças muda a seu desfavor manda as regras da estratégia que ele recue, reorganize as suas forças para uma batalha futura.

A menos da ilusória "intervenção divina" o PSDB e Aécio Neves tem que se reorganizar para 2018 ou 2022. 2014 está perdida e se não reconhecer vai perder de 7 x 1. 
Não pode perder tempo combatendo Marina. E tem que cuidar preferencialmente do seu "curral eleitoral". Não pode perder em Minas Gerais para Dilma. E não pode "entregar" ao PT o Governo de Minas Gerais. 

Mas, dada a sua incompetência estratégica e teimosia vai deixar ocorrer essas duas situações. O PSDB terá condições de recompor. Aécio não. Naufragando em Minas e sem mandato, irá submergir na política nacional. O que restará será uma eventual candidatura ao Senado Federal, por Minas Gerais em 2018. O candidato presidencial pelos tucanos será o veterano Geraldo Alckmin ou o novato Beto Richa, ambos com grande possibilidade de ganhar as eleições nos seus respectivos estados, ainda no primeiro turno. 

Um comentário:

  1. Perfeito, Jorge.
    Mesmo que o Aécio lesse seu blog de nada adiantaria.
    Ele não vê nem o que lhe é mostrado, parece não ler o que está escrito, só ouve o que quer ou o que os assessores que quer ouvir lhe dizem.
    Abraço.

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