Pular para o conteúdo principal

Mudança de estratégias

Durante uma guerra os generais precisam ter capacidade de mudar as estratégias em função de mudanças no jogo de forças. Aquele que teima em manter estratégias conservadoras corre maior risco em ser derrotado.
Os ataques de Dilma contra Marina pela autonomia do Banco Central, acusando-a de ser a candidata dos banqueiros é uma mudança substancial de estratégia. Indica que, afinal, Dilma resolveu aceitar as ponderações de Lula, adotar uma linha mais política e ideológica, deixando de se ater exclusivamente nas orientações do marketólogo. A sensibilidade política de Lula é superior a todas as informações captadas pelo marketing eleitoral. A visão de Lula é que as campanhas devem ser mais ideologizadas. E enfatizar a imagem do pobre x rico, do povo contra a elite.
Aparentemente o resultado foi positivo e Marina sentiu o golpe. 
O eleitorado não deu maior importância aos escândalos da Petrobras, acatou a imagem da dependência de Marina com os banqueiros, em função de amizade pessoal com uma herdeira de um grande banqueiro. Embora ela seja uma educadora e não se envolva nos negócios bancários. Mas a versão acaba sendo sempre mais importante do que a verdade. É o que mostram as últimas pesquisas. 
O problema é que a mudança de tendência - ainda que pequena - não exclui o segundo turno e essas estratégias podem perder eficácia. 

Por outro lado, Aécio surpreendido por uma suposta "intervenção divina" que derrubou o avião de Eduardo Campos e a sua candidatura, continua acreditando em outra intervenção, agora a seu favor.
Quando o jogo de forças muda a seu desfavor manda as regras da estratégia que ele recue, reorganize as suas forças para uma batalha futura.

A menos da ilusória "intervenção divina" o PSDB e Aécio Neves tem que se reorganizar para 2018 ou 2022. 2014 está perdida e se não reconhecer vai perder de 7 x 1. 
Não pode perder tempo combatendo Marina. E tem que cuidar preferencialmente do seu "curral eleitoral". Não pode perder em Minas Gerais para Dilma. E não pode "entregar" ao PT o Governo de Minas Gerais. 

Mas, dada a sua incompetência estratégica e teimosia vai deixar ocorrer essas duas situações. O PSDB terá condições de recompor. Aécio não. Naufragando em Minas e sem mandato, irá submergir na política nacional. O que restará será uma eventual candidatura ao Senado Federal, por Minas Gerais em 2018. O candidato presidencial pelos tucanos será o veterano Geraldo Alckmin ou o novato Beto Richa, ambos com grande possibilidade de ganhar as eleições nos seus respectivos estados, ainda no primeiro turno. 

Comentários

  1. Perfeito, Jorge.
    Mesmo que o Aécio lesse seu blog de nada adiantaria.
    Ele não vê nem o que lhe é mostrado, parece não ler o que está escrito, só ouve o que quer ou o que os assessores que quer ouvir lhe dizem.
    Abraço.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…