Pular para o conteúdo principal

Dilma perde na opinião publicada

Durante a entre-safra eleitoral o domínio é da opinião publicada que toma conta do noticiário e faz parecer que ela é também a opinião pública toda. Somente as pesquisas de opinião trazem a tona a opinião não publicada, sempre sob suspeita de que ela está sendo manipulada.

As pesquisas de opinião, supostamente, refletem com a precisão estatística possível o estado da opinião pública. Neste, Dilma ganharia no primeiro turno, por conta do grande número de votos inválidos, somando os nulos com os em branco. 

O Data Folha fez uma tabulação considerando apenas aqueles que conhecer os candidatos. Os que conhecem os candidatos são preponderantemente da opinião publicada, somando-se uma parte da não publicada, em função da lembrança das eleições anteriores, que mesmo não acompanhando o noticiário conhecem a atual Presidente.

O resultado mostrado é oposto da pesquisa ampla. Haveria um empate no primeiro turno e num suposto segundo turno Dilma perderia para Aécio.

Dentro da opinião publicada Dilma não tem a maioria, mas essa continua acreditando que ela será eleita, pelos votos da opinião não publicada, seduzida pelos benefícios dos programas sociais.

Em função do chamado horário gratuito, a opinião publica já está razoavelmente convencida de que não determina a opinião não publicada. Mas ainda influi.

A opinião publica é minoria no conjunto da opinião pública e do eleitorado, mas a sua posição é fundamental para as estratégias, para as composições e para o financiamento da campanha.

Uma parte importante dos votos inválidos esta dentro dela. 

Embora os integrantes da opinião publicada não estejam a favor de Dilma, continuam acreditando que ela será eleita e não querem se arriscar a ficar abertamente contra ela. E os eventuais financiadores não querem recusar as solicitações da sua campanha.

O que acontecerá se as próximas pesquisas indicarem que a probabilidade dela ser derrotada ficarem evidentes?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…