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Migrações populacionais

Um dos principais impactos da crise mundial da água será a migração populacional. Gradualmente as pessoas irão fugir das áreas com escassez de água ou sujeitas a restrições de uso, seja de rodízios de interrupção de fornecimento ou de racionamentos. Buscarão áreas com maior disponibilidade e seguridade hídrica  na escolha da sua moradia.
Represa do Sistema Cantareira

Os industriais, mais do que os moradores considerarão a disponibilidade de água como o fator mais restritivo para a localização da sua unidade produtiva.

Atualmente as localidades com disponibilidade de energia elétrica e de acesso logístico são maiores do que as com disponibilidade farta de água. A disponibilidade de eletricidade tende também a escassear, mas mais lentamente do que a disponibilidade de água doce. Por que contam com outras alternativas em relação à geração hidroelétrica.

A engenharia busca a solução mediante empreendimentos de transposição da água de uma bacia a outra. A tendência será de um sistema nacional  amplamente interligado de bacias hidrográficas, o que depende de recursos para investimentos, tecnologia e viabilidade econômica. A maior dificuldade dessa é a disposição (ou melhor a não disposição) dos usuários em pagar o custo da água. Ademais existem as questões culturais e políticas.A grande briga é em torno do "esta água é minha!"

A Região Metropolitana de São Paulo cresceu demais, está saturada, não tem água suficiente e a situação vai piorar a cada ano com o seu crescimento demográfico e econômico.

Ou ela continua crescendo alcançando a sua inviabilidade hídrica a curto prazo ou acelera o seu processo de esvaziamento do excesso para retornar ao equilíbrio. A maior dificuldade é de natureza cultural. Cada qual espera que o outro saia para reduzir o excesso e deixar o existente mais tranquilo para ele. Não é diferente do raciocínio em relação ao trânsito ou ao vagão do metrô.

De toda forma já há um processo de redução populacional das áreas centrais da Metrópole, mas com uma descentralização próxima. O centro expandido está diminuindo de população, mas esta está se concentrando nas suas fímbrias, nos seus limites, próximos aos rios, às vias marginais desses. Essas áreas, do ponto de vista hídrico, são abastecidas pelos mesmos sistemas já saturados.

Os planos agora se voltam para uma área mais ampla, caracterizada como a macro-metrópole de São Paulo, todas ainda em torno da Região Metropolitana de São Paulo e sujeitas às mesmas restrições hídricas, com exceção da Bacia do Paraíba do Sul.

Diante desse desequilíbrio duas são as alternativas: transpor a água dela para o Sistema Cantareira, o que já está sendo providenciado ou promover a migração demográfica e produtiva para ela.


Isso significa que a bacia do Paraíba do Sul deve ser a região preferencial para a instalação de novas indústrias. Não seria por outro motivo que algumas montadoras estão preferindo se instalar nela e não em outras.

Mitigaria o desequilíbrio hídrico porém poderia gerar outros desequilíbrios. 

O que poderá acontecer com uma transferência maciça de indústrias mal instaladas em outras regiões para a bacia do Paraíba do Sul. E para que Estado seria: São Paulo ou Rio de Janeiro?

O que ocorreria com a sua espinha dorsal rodoviária? A Via Dutra.

O que poderá ocorrer com a mobilidade urbana da suas principais cidades?

Fila de carros na Rodovia dos Tamoios
Qual será o impacto da ampliação da Rodovia dos Tamoios? E do Porto de São Sebastião?

Vamos tentar em novos artigos tratar dessas questões.








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