segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Os primeiros 40 dias

O primeiro mês do governo Bolsonaro, mostrou o Presidente mantendo o estilo de campanha, para manter o apoio popular. Seus discursos seguem populistas, repleto de promessas e frases de efeito. Até mesmo em Davos, na Suiça. 
De efetivo seis fatos marcaram a trajetória futura do Governo Bolsonaro: o cumprimento da promessa de não adotar o "troca-troca" na formação do Ministério, a demora do Ministro Moro em apoiar o enfrentamento do crime organizado no Ceará, o comprometimento de Bolsonaro em manter o Brasil, dentro do Acordo de Paris do Clima, a tragédia de Brumadinho, que reverteu a promessa de flexibilizar a fiscalização ambiental, o "caso Flávio Bolsonaro-Fabrício Queiroz" que mancha a imagem de político impoluto de Jair Bolsonaro e o retorno precipitado de retomada da Presidência, diante do aumento da sombra do Vice-Presidente, General Mourão.
Nos primeiros dias de fevereiro, a percepção da opinião pública foi de vitória do Governo nas eleições para a Presidência das Casas no Congresso, Sérgio Moro e Paulo Guedes vieram a público para apresentar as suas propostas. Por disciplina evitaram evidenciar, ainda no primeiro mês, de que o Governo anda, mesmo com a ausência factual do Presidente Bolsonaro, mas não puderam evitá-lo, com a reabertura do Congresso. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Trajetórias do primeiro mês

Bolsonaro vem cumprindo as suas promessas de campanha o que manteria o apoio popular. O mais importante e visível é não ter loteado o Ministério por acordos partidários. 
Tem havido negociações com lideranças partidárias em relação aos cargos de terceiro e quarto escalão, mas esses não são tão visíveis para a opinião publicada. 
Na redução da estrutura organizacional do Governo Federal embora menor que o prometido, a imagem popular é de que está fazendo o possível, no cumprimento das promessas. 
No campo regulatório as medidas são parcas, com o Congresso ainda em recesso.  A medida mais relevante, foi o decreto de flexibilização da posse de armas. Não satisfez a nenhuma das partes diretamente envolvidas, mas o primeiro passo da promessa foi cumprido.

O primeiro mês estaria inteiramente dentro do cenário "Lua de Mel prolongada", apesar de pequenas trapalhadas, não fosse o episódio Flávio Bolsonaro/ Fabrício Queiroz. Este empana o cenário e o leva à alternativa do cenário "relacionamento instável". 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Um crime misterioso

A ruptura da barragem de uma represa de rejeitos em Brumadinho é o crime mais monstruoso já praticado no país, mas cuja ocorrência e responsabilidades ainda precisam ser esclarecidas. O que está evidenciado são as trágicas consequências do crime. Que não é apenas de caráter ambiental. Mais de uma centena de vítimas humanas tragadas pela lama e pelos minérios, não é só uma questão ambiental.
A Vale não tem mais interesse em continuar com a mineração em Minas Gerais. A extração tem custo operacional elevado, agravadas pelos custos ambientais. Estava em processo de redução e desativação das suas minas na bacia do Paraupebas, que abrange uma área dentro do Município de Brumadinho.
Se ela não estava interessada, porque estava reativando as operações, com a obtenção acelerada do licenciamento ambiental?
A culpa é do Governo do Estado? É da sociedade mineira.
Essa quer que a Vale seja empregadora, mas não a quer como causadora de desastres. Para os trabalhadores vale a pena trabalhar para morrer por ela?
É possível compatibilizar os objetivos de emprego e impacto ambiental?

A origem do crime é outra: chama-se "falta de engenharia". 

(cont)


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A "prensa" em Bolsonaro em Davos

Os mega trilionários "conscientes" que se reunem, anualmente, em Davos, estão menos interessados nas reformas estruturais que o Brasil se disponha a fazer, para a melhoria do ambiente econômico, para investir, do que na melhoria do ambiente natural da terra.
O Brasil tem uma importância emblemática no mundo por deter a maior reserva florestal, assumido no imaginário mundial como o "pulmão do mundo".
Os investidores não querem ser responsabilizados por ajudar um Governo que não se disponha a preservar esse pulmão e contribuir para o colapso da terra.
Armaram um palco mundial, para saber de Bolsonaro se o Brasil iria se manter ou se retirar do Acordo de Paris. Pouco importava o mais que ele fosse dizer e, talvez, percebendo isso, pouco disse. 
Klaus Schwab logo fez a pergunta crucial e obteve a resposta que queria: o Brasil irá se manter no Acordo de Paris. Ainda que "por enquanto". 
Obtida a resposta favorável "em nada mais havendo, encerrou a sessão". 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O candidato Bolsonaro em Davos

Jair Bolsonaro foi a Davos para "dar uma de Jair Bolsonaro" e fez o que pretendeu fazer: um discurso de palanque de um candidato para a obtenção dos votos (oops) do dinheiro dos investidores internacionais.
Fez promessas básicas que os investidores queriam ouvir e assumiu um único compromisso relevante : o Brasil não deixará o Acordo de Paris sobre o Clima.
Não fez o que mídia brasileira queria que ele fizesse. 
Essa inflou o balão, desenvolveu toda uma expectativa, criando uma imagem de liderança mundial que não se coaduna com a personalidade, contando que ele se comportaria como sempre: um palanqueiro. E com isso noticiaria uma suposta decepção em Davos e difundiria para o público brasileiro uma contrariedade pela "perda de oportunidade histórica". 

sábado, 19 de janeiro de 2019

O Governo do Clã Bolsonaro

Na esteira dos desenhos dos cenários Bolsonaro temos nos dedicado a analisar o bloco do governo do clã Bolsonaro dominado pelos filhos do patriarca, com as implicações que podem trazer ao Governo e ao país em geral.
Um fato específico, no entanto, já está desgastando a imagem de  Jair Bolsonaro, enfraquecendo a sua única força real que o levou à Presidência da República: o apoio popular pela versão vendida de que ele era um político antigo, mas que nunca se envolveu com as "maracutaias" ou "mal feitos" tradicionais. 
Ele não teria se envolvido, mas seu primogênito sim. 
Manda a regra de honra dos clãs que o membro que cometer algum deslize deve assumir inteira responsabilidade, pedir desculpas publicamente e sair de cena. No Japão antigo cometia "harakiri".
A resistência de Flávio Bolsonaro em não reconhecer o erro só desgasta o Presidente.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...