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A nova classe média está com medo?

A campanha do PT, focou uma mensagem direta a um público específico que muito incomodou a opinião publicada.
O foco foi a dita "nova classe média" uma enorme população que melhorou de condições econômicas e teria tido uma ascensão social e que estaria preocupada em voltar à condição de pobreza da qual teriam saido, ao longo dos 12 anos dos Governos petistas.

O fato é real, ainda que com muitas controvérsias sobre o volume total, a sua caracterização e os promotores dessa sua ascensão.

Os tucanos reivindicam para si a origem do processo, mediante a estabilização da moeda, com o plano real. 

Os petistas creditam toda a melhoria aos seus programas sociais, principalmente o mais simbólico: o bolsa família.

O bolsa família, efetivamente, tirou milhões de brasileiros da miséria e os elevou a condições de pobres. O pequeno valor unitário da bolsa não permite que os seus beneficiários ascendam a camadas superiores, até porque eles não podem ter outra fonte de renda. Muitos preferem ficar na pobreza, com uma renda mínima assegurada do que se aventurar em ganhar mais, porém com riscos de instabilidade.

A LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) com origem na Constituição de 88, assegura a pensionistas desamparados (suposta ou verdadeiramente) um valor equivalente a um salário-mínimo o que os incluiria dentro da nova classe média não fosse a efetiva divisão dessa renda com os familiares que, acumulam com o bolsa-família. 

O volume total de recursos distribuidos pela LOAS supera o do bolsa família, tendo um impacto sócio-econômico maior.

Nenhum dos dois é origem primária da ascensão da pobreza para a classe média baixa, porém o o volume de recursos irrigados na economia da pobreza gera oportunidade para prestadores de serviços, comerciantes e até mesmo industriais para atender à demanda dos beneficiários dos programas sociais.

São esses agentes econômicos que se apropriam de parte da renda gasta pelos beneficiários dos recursos transferidos para a pobreza que formam a nova classe média.

O pobre continua pobre, mas  pobreza é cada vez mais rica e para suprí-la a oferta - seja de grande porte, como de pequeno porte - se organiza e cresce economicamente.

Essa ascensão de pequenos prestadores de serviços, a partir da melhoria de renda na sua própria comunidade lhe permite investir para atender a outros mercados. Um caso típico é dos prestadores de serviços de manutenção domiciliar (encanador/ bombeiro, eletricista, jardineiro, serralheiro e outros) que podem comprar o seu carrinho semi-usado e se deslocar para atender a casas em outros bairros.

O crescimento do consumo dos pobres beneficiados pelos programas sociais, assim como da nova classe média que se apropria de uma parte da renda, gera oportunidades para outras empresas que aumentam o seu quadro de pessoal, para atender a essa demanda adicional.

A demanda dos pobre não muda muito de configuração, com os mesmos mantendo os seus hábitos de compra, assim como as modalidades. O crédito é na base da compra fiada, registrada nas cadernetas e os débito quitados quando recebem o benefício.

Já os que ascenderam ao patamar imediatamente superior, ingressam no mercado de crédito, mediante os carnês, nas grandes lojas. 

A maioria não tem noção (nem querem saber) quanto de juros estão pagando. A lógica é o valor específico da prestação mensal. Quanto eu posso pagar por mês. 

A noção de aumento dos preços está nas compras do dia a dia, principalmente de alimentos.

Os que melhoram um pouco mais, seja mediante um emprego fixo ou uma renda mensal estável, ingressam no mercado dos cartões de crédito e nos cheques especiais. 

Enquanto o carnê dá uma sensação de controle, pois o comprador sabe o quanto tem que pagar por mês, o cartão de crédito e o cheque especial geram uma falsa sensação de disponibilidade. Quando vem a contra, percebem que ultrapassaram a sua condição de liquidação dos compromissos. A fase de ingresso caracteriza uma bolha que estoura quando começam a chegar as faturas e não há mais possibilidade de renovar os créditos.

Esse processo de irrigação de recursos na pobreza, promovida pelos governos petistas (ainda que não tenham sido os criadores dos principais mecanismos, o que é irrelevante, do ponto de vista econômico) promoveu e sustentou um crescimento econômico, mas se esgotou.

Não agora, mas já à alguma tempo, mas a percepção real é mais presente. 

O risco do retrocesso não está no futuro. Não está na eventual vitória da oposição, mas já está ocorrendo. 

Mas, provavelmente, os novos integrantes da classe média estão se sustentando, com vários expedientes, com a cabeça fora da água, mas pedido e rezando para não fazerem marola.

Dai a mensagem do programa do PT que cala fundo no "imaginário popular": os fantasmas do retrocesso já estão ai e só Dilma terá condição de afastá-los.

A classe média tradicional e a elite que forma as ditas classes
B e A não são capazes de se colocar na pele da classe C e avaliar os reais medos.


A oposição vem reagindo de forma errada, por conta dessa incompreensão.

Os fantasma não são futuros. São presentes. O retrocesso não irá ocorrer. Já está ocorrendo. O medo não é em relação ao futuro, mas ao presente. 

E de quem é a culpa?

E o que as oposições propõe para repelir esses fantasmas?

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