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Vai ter segundo turno?

A enquete eleitoral feita pelo IBOPE, logo após o programa de TV do PT, mostra uma repercussão favorável de parte do eleitorado à estratégia do "medo" adotada pelo PT. 
Dilma não só parou de perder, como acrescentou 3 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

Alcançando 40% do total de votos, venceria ainda no primeiro turno. Se viesse a ocorrer um segundo turno, ainda seria reeleita com 42% da totalidade dos votos, mas acima de 50% dos votos válidos.

É um bom resultado, porém não o suficiente para tranquilizá-la. Por vários motivos:

  1. O ganho dela é pela migração de votos brancos ou nulos, ou seja dos votos inválidos;
  2. Os votos válidos no conjunto cresceram mais pelos ganhos dos seus principais adversários, que agregaram, na soma dos dois, mais 11 pontos, O nanicos perderam 1 ponto. Com esse crescimento dos votos válidos, Dilma passou de 58,7% dos votos válidos em abril para 52,6%, uma queda de 6,1%;
  3. Mantendo os seus 40 pontos, se o crescimento dos votos válidos for até 4 pontos, ela venceria no primeiro turno;
  4. Acima de 4 pontos nos votos válidos já haveria segundo turno;
  5. No segundo turno ela ainda mantém uma vantagem folgada, porém o volume de votos inválidos ainda é alta (33 pontos na disputa com Aécio e 37 pontos na disputa com Campos). A redução de parte desses votos a favor do adeversário, para chegar ao patamar médio de 20% das últimas eleições, ela perderia. 
  6. Campos tem um potencial de crescimento maior do que Aécio, porém ainda está longe de chegar ao segundo turno.
O ganho com a estratégia do medo dos "fantasmas do passado" tem efeitos positivos e negativos. O positivo é que surtiu efeito num segmento da população, cujo volume real é desconhecido, dadas as manipulações estatísticas para demonstrar um volume seguramente superior ao da realidade. Por outro lado essa questão é menos estatística do que cultural, ou seja, da percepção das pessoas sobre a melhoria e dos riscos de perda dessa melhoria. Ou seja, surtir efeito, mas em que proporções do eleitorado, cada um avalia em função do seu interesse.

O ponto negativo é que em função do sucesso da estratégia, ainda que parcial, Dilma insista no tema, correndo o risco de que se mostre qu o retrocesso não é futuro. Não ocorreria a partir de 2015, mas já está ocorrendo e o principal fantasma não é ilusório, mas real: chama-se carestia.

Por outro lado, as imagens que a sua campanha mostrou, como sendo do passado ainda são realidades atuais. 

Para esses que não foram aquinhoados pelos benefícios, mas esperam conseguí-los qual é a visão deles de quem melhor pode realizar as suas esperanças?

A probabilidade maior, mais uma vez, é que a esperança vença o medo. Os esperançosos são em maior número do que os receosos. 

Dilma, com a campanha do medo pode assegurar os votos dos receosos, mas corre o risco de perder os esperançosos.

Para esses a sua mensagem será "quem já fez, fará muito mais" A oposição retrucará com "quem não conseguiu fazer, depois de 12 anos, não vai conseguir fazer, com mais 4 anos". A "esperança foi atropelada pela corrupção e pela incompetência". 

Se a oposição cair na "armadilha" petista e focar a disputa dos votos dos receosos, perderá as eleições. O foco principal deve continuar sendo os esperançosos. Entre esses os receosos que não querem apenas preservar o pouco que ganharam: querem mais.

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