sexta-feira, 16 de maio de 2014

Manifestações populares durante a Copa

Ao longo do dia de ontem, 15 de maio, ocorreram diversas manifestações de rua e a grande indagação é se essas se repetirão durante a Copa?

Na cidade de São Paulo foram 4 manifestações cada qual com características diferentes e estratégias das autoridades específicas.

A maior teve características conhecidas. Foi uma marcha por uma das suas principais vias (a Avenida 23 de maio) de professores municipais em greve desde 23 de abril, na busca de melhoria da remuneração. Foram para as ruas diante da intransigência ou resistência do Governo Municipal em negociar as suas reivindicações. Até a Copa as pendências serão resolvidas, porque o Prefeito petista não pode se tornar responsável por manifestações que a Presidente da República quer evitar a todo custo. 

É um jogo conhecido: os grevistas pressionam a Prefeitura, sabendo que ela terá que ceder. O Prefeito resiste, afirmando, como sempre, que não tem como pagar, e pressiona o Governo Federal para aumentar as verbas para o Município de São Paulo.

A sua passeata é pacífica e apenas acompanhada pela Polícia Militar. O risco, de sempre, está na infiltração dos black blocs que aproveitam a mobilização para a prática de atos de vandalismo. Eles, no entanto, mais atrapalham do que ajudam e se aparecerem fardados serão repelidos pelos próprios professores. Eles preferiram se concentrar em outra manifestação que ocorreu, praticamente, no mesmo período.

Elas (mais do que eles), as mestras, não estarão nas ruas durante a Copa. 

O segundo grupo foi de trabalhadores vinculados à Força Sindical, com objetivo claro de embaraçar a gestão da Presidente Dilma e tentar obter o apoio dos candidatos oposicionistas que contam com o novo partido organizado pelo Paulinho da Força: o Solidariedade.

Está isolado porque nem a CUT, tampouco a UGT e a Nova Central, as demais centrais com grande volume de filiados  apoiam a movimentação do Paulinho.

Ademais os trabalhadores, na sua maioria, preferirá acompanhar os jogos do que ir às ruas para protestar contra qualquer coisa ou defender uma pauta irrealista da Força Sindical.

Poderá fazer novas manifestações até a Copa, mas não terá condições de sustentá-las durante a Copa.

As mais importantes manifestações foram promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores de Sem Teto, com reivindicações objetivas que dificilmente serão atendidos. As suas lideranças prometem repetir as manifestações nos próximos dias, inclusive durante a realização da Copa, enquanto não forem atendidos.

Como não serão atendidos as manifestações se repetirão. Ou seja, as manifestações dos ditos "sem teto" irão ocorrer, inevitavelmente. 

Preliminarmente devemos avaliar as razões pelas quais eles não serão atendidos. 

O que eles querem é a desapropriação de áreas invadidas com a construção de moradias populares pelo programa Minha Casa, Minha Vida e o atendimento aos invasores.

Eles atuam de forma estratégica e promovem a invasão de áreas fora do mercado por restrições, sejam institucionais ou físicas. A partir da invasão eles pressionam para que a ocupação por moradia seja legalizada. Dai a pressão inicial sobre a Câmara Municipal. 

Eles usam as invasões de grandes áreas de terreno desocupadas ou de edificios vazios e a reivindicação a moradia em manifestações de rua. Pacíficas, com pequenos números, porém persistentes, causando sempre transtornos no trânsito para serem notados.

A principal resistência às reivindicações do MTST é dos setores conservadores contra convalidação das ilegalidades e dos atentados à propriedade de terceiros. Nesse confronto, esses setores conservadores, com apoio do Ministério Público e do Judiciário, impedem ou dificultam o atendimento pelos Governos aos sem teto. Esses mantém as manifestações públicas como forma de pressão, mas diante dos não atendimentos continuarão a pressão popular.

Há um problema crítico antes da Copa que é a reitegração de posse da área invadida próxima ao Itaquerão. Houve uma pressão para que a liminar fosse adiada, porém a mais recente decisão do Judiciário foi de sua manutenção. O Governo Estadual tentará adiar o uso da força policial para efetivar a reintegração, mas terá a pressão do Judiciário e do Ministério Público para a sua realização o quanto antes. Pouco interessa a esses órgãos o conflito social.

O MTST não conta com muitos recursos financeiros próprios o que limita as suas ações para os locais próximos às suas invasões. 

Para chegarem ao centro, ou outras concentrações distantes das suas invasões, precisam fretar ônibus e propiciar lanches aos manifestantes, o que tem um custo, elevados para o seu nível de renda.

Dessa forma, fazem as manifestações próximas aos locais onde se instalaram, movimentando-se a pé.

Como se instalaram numa área próxima ao Itaquerão, podem se movimentar a pé em direção ao novo estádio. Foi o que fizeram mas encontraram barreira policiais e das torcidas organizadas dispostas a evitar que os manifestantes tentassem chegar mais próximo ao estádio e tentassem pichar ou mesmo quebrar.

A reação dos seus componentes é muito visceral, pois atinge a aspirações básicas reais e não ideológicas. Eles querem ter o direito a uma moradia digna. Entendem portadores desse direito e quando contrariados ou não atendidos reagem de forma violenta, queimando pneus, lixo e até ônibus.

A estratégia policial tem sido mais de proteger a manifestação e de evitar atos de vandalismo contra a propriedade privada. Permite que os manifestantes queimem pneus e lixo no meio da rua, para extravasar a sua contrariedade. Não há detenções, a menos de atentados à propriedade ou porte de armamentos. 

Eles continuarão saindo às ruas antes, durante e depois da Copa. 

Com exceção do Itaquerão as manifestações não serão percebidas pelos turistas, a menos de ampla cobertura pela mídia. Como tendem a ser rotineiras, perde também o interesse geral, limitando-se aos problemas no trânsito em áreas periféricas. 

As mobilizações são convocadas diretamente nas comunidades, nem sempre percebidas ou informadas à polícia. 

No caso do Itaquerão, no entanto, qualquer convocação será imediatamente transmitida para alguma das torcidas organizadas, que poderá ter membros dentro dessas comunidades.

Essas torcidas irão se mobilizar prontamente para proteger o patrimônio do clube, mas emocionalmente a sua casa, o seu "teto" , impedindo que os sem teto cheguem próximo. 

Há o risco de confronto entre os grupos e a polícia terá que intervir para apartá-los. 

A quarta manifestação foi dos "anti-copa" com o retorno das ações dos black blocs.  Mas isso será objeto de outro artigo.


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