terça-feira, 27 de maio de 2014

Quando e por que a sociedade se voltou contra a Copa

A sociedade brasileira ficou feliz e até eufórica com a escolha do Brasil como sede da Copa 2014, no final de 2007.

Em junho de 2013 explodiu uma reação popular levando milhares às ruas contra a Copa. Embora o estopim das manifestações tenha sido o aumento das tarifas do transporte coletivo o que ganhou proeminência e permaneceu como foco das manifestações subsequentes foi a Copa do Mundo.

O que levou o país do futebol a se virar contra a Copa? Ainda que os protestos não sejam contra a Copa, em si, mas aos gastos do país com a sua preparação, foi gerado um ambiente desfavorável à Copa.

No "país do futebol" a sociedade virou-se contra a competição máxima desse esporte.

Já nos referimos à sensação da sociedade sentir-se traída, acreditando nas fantasias criadas por Lula e perceber, ao longo do processo e do tempo, uma realidade inversa da prometida.

A Copa vai ser um sucesso, por conta da organização da FIFA, altamente profissional. A sua realização vai mobilizar grande parte da população brasileira, como da mundial, para acompanhar a disputa pelo trofeu. Apenas uns poucos irão às ruas ainda para protestar e alguns irão com o objetivo de criar tumultos para chamar atenção da mídia internacional.

O Brasil, com a sua seleção européia, tem possibilidade de alcançar o título, disputando com outras seleções européias, entre elas a Argentina: tão européia quanto o Brasil.

Considerando o cenário mais otimista que é seria a conquista do título pela seleção do Brasil, qual será o comportamento da sociedade brasileira no pós Copa?

Com a vitória essa sociedade levará mais em conta os aspectos positivos do que negativos, achará que valeu a pena e que Lula fez bem em trazer a Copa ao Brasil?

A resposta poderá estar nas urnas nas eleições de outubro. A Copa não influiria negativamente na disputa presidencial. Mas teria um efeito deletério aos Governadores que não conseguiram completar a tempo as obras de infraestrutura necessárias.

Passadas as eleições, pode-se supor que a organização da Copa será esquecida, a menos de alguma grande gafe da FIFA, o que é pouco provável.

Os atrasos nas obras terão repercussão regional ou local, perdendo a importância nacional. 

O que ficará na lembrança da sociedade brasileira será o resultado do Brasil em campo: restrita ao noticiário esportivo. O futebol retomará o seu papel usual dentro da cultura brasileira, mas com a formação de mais oponentes ativos.


Não caberão mais os protestos contra a Copa ou aos seus gastos, porém os anteriores deixarão um legado: a reivindicação pelo "padrão FIFA". 

No fundo, o que irá se reivindicar será um gasto público maior com saúde, com educação, com transporte coletivo e outros serviços públicos, para alcançar melhor qualidade. 

Se a FIFA exigiu e os Governos correram atrás para atendê-la, agora será o povo que irá às ruas para que seja atendido: será o "padrão Povo".

A população se mobilizará e irá às ruas para pedir o novo padrão para saúde, educação e outros?

Como reagirão as autoridades diante dessa nova realidade que começou no pré-Copa mas deverá se consolidar nos pós-Copa? 

Estaremos diante de uma nova sociedade? Uma sociedade não conformada com o que está ocorrendo? Uma sociedade não conformista?

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