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Fim de uma era

José Sarney desiste de concorrer ao Senado e irá abandonar a política. Com ele sucumbirá o "sarneyzismo" que ainda domina a administração estadual no Maranhão. Não conseguirá eleger o seu candidato e todos os seus afilhados perderão os seus cargos na Administração Federal, mesmo que Dilma seja reeleita. Dilma que continua sendo - efetivamente - Ministra de Minas e Energia teria dificuldade de encontrar um novo "fac-totum".
No Judiciário não haverá perdas diretas, pois os cargos são vitalícios, mas haverá uma perda de prestígio e de poder. O que poderá afetar as decisões, anteriormente sempre favoráveis a ele, Sarney e seus correligionários.

Quais serão as consequências políticas dessa perda (ou ganho)? 

Haverá, sem dúvida, um perda no processo fisiológico da gestão administrativa pública. Mas o que o substituirá? Um novo e renovado processo fisiológico, comandado por Renan Calheiros ou Romero Jucá? O processo de aparelhamento petista? Ou um processo mais tecnocrático? 

Como funcionará o Senado Federal, com a retirada de Sarney do cenário político? 

Sarney é um político resiliente, capaz de suportar as adversidades e retornar sempre no topo. Sempre governista, a menos do início da sua carreira política, qualquer que seja o governo. Com capacidade de assegurar ao Governo uma base de apoio parlamentar. 

Com a sua saída o seu sucessor mais provável é Romero Jucá, um político igualmente resiliente. Renan Calheiros é hoje forte, mas não tem o mesmo nível de resiliência. 


Jucá e Calheiros são de uma geração posterior a Sarney, que teve como grande companheiro Antonio Carlos Magalhães, O carlismo sucumbiu com a morte do seu líder, mas ameça reemergir. Já elegeu o Prefeito de Salvador e ameaça ganhar o Governo da Bahia. Mas apenas como fantasma do carlismo. Sem o mesmo poder. Sem o "grande chefe". 

Essa era dos coronéis tinha como um dos principais lemas "aos amigos tudo, aos inimigos o rigor das leis". Esse lema teve transformações e adaptações, mas nunca  mais será praticada da mesma forma. 

O que virá na política brasileira com o final dos clãs e dos velhos coronéis da política? 

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