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Um resultado contrário ao desejado

O MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto é um dos movimentos sociais mais importantes da cidade de São Paulo, com um grande crescimento numérico e atuação que corre o risco de perder importância como consequência do seu sucesso junto às autoridades petistas.
Se de um lado obtêm o apoio da Presidente e do Prefeito de São Paulo, ambos do PT acirra a oposição, com dificuldades crescentes de aprovação das medidas reivindicadas na Câmara Municipal.

A estratégia é muito clara e objetiva. Começam com uma invasão de áreas públicas ou privadas, resistem fisicamente às reintegrações de posse, e pressionam as autoridades e o legislativo para a legalização da ocupação, em nome do direito à moradia e ao combate à especulação imobiliária. 

Contam para isso com apoio da sociedade, incluindo parte da "elite branca", jovens de boas famílias e rendas auferidas no regime capitalista que abraçam as causas sociais.  Dentre eles muitos jovens jornalistas. Os jovens "de direita" vão estudar engenharia, medicina, direito e outras carreiras com grande potencial de carreira e boas remunerações. Administração, economia são perspectivas intermediárias, que atraem os jovens que trabalham e estudam e precisam de um diploma para melhorar a sua posição profissional. Os "de esquerda" preferem as ciências sociais ou filosofia e tem no jornalismo uma oportunidade profissional de sobrevivência e independência econômica.

Dai estarem, enquanto focas ou repórteres em início de carreira  mais favoráveis aos movimentos sociais. No entanto, poucos conseguem alcançar as posições mais elevadas dentro das empresas de mídia, cada vez mais empresas capitalistas. Os espaços dado aos jovens esquerdistas é para captar os jovens leitores de posições ideológicas similares. Mas a sua linha editorial continua dominado pela "direita".

Esse quadro dá uma falsa impressão sobre o real apoio da sociedade aos movimentos sociais.

A esquerda vai às ruas. O "centro" forma a maioria silenciosa que se manifesta na hora do voto. Em raros casos vai também às ruas como ocorreu em junho de 2013.

Os não esquerdistas são contra essa estratégia do MTST. Percebem que com o sucesso de algumas investidas, elas se alastram e colocam em risco o direito de propriedade. A esquerda se vale do conceito de uso social da propriedade, estabelecida pela Constituição, Porém de um lado esse direito é institucionalizado e reconhecido em lei, mas pouco praticado. De outro os movimentos sociais querem a sua efetivação "na marra".

O Prefeito que não tem uma eleição à vista, a curto prazo, segue mais as suas convicções do que as estratégias eleitorais, mas perde, cada vez mais, o apoio na Câmara dos Vereadores, que tem permanentemente, a prioridade na reeleição.

Já para a Presidente, o dilema está muito próximo. Atender à estratégia do MTST, que se repete em outros movimentos sociais, pode lhe dar o apoio da esquerda, mas pode resultar em perdas cada vez maiores no resto do eleitorado. Esse não é revolucionário. É essencialmente conservador.

O MTST vai intensificar cada vez mais a sua atuação e pressão, mediante manifestações coletivas. Os resultados vão depender da ação da Polícia Militar.

Os manifestantes seguem uma tática ostensiva de provocação dos policiais para gerar respostas violentas e com isso obter o apoio da sociedade tende a se posicionar contra a violência policial.

Na Câmara Municipal a complicação para o MTST não é a discussão do seu projeto, mas a discussão sobre as Zonas Estritamente Residenciais que envolve controvérsias com as classes de renda mais alta. Os vereadores aproveitam essa discussão para postergar a aprovação das medidas reivindicadas pelo movimento dos sem teto, esperando maior reação dos contrários às medidas.

O mais provável é que os contrários não saiam também as ruas, mas darão a resposta no voto. Esse é o maior receio do Governo, a esta altura do "campeonato".











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