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A montanha russa da Copa

No começo foi só euforia. No final de 2007 o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo da FIFA em 2014. Dezenove Capitais brasileiras queriam sediar os jogos, mais de 50 queriam sediar as seleções estrangeiras e os campos de treinamento.
2008 foi o ano de disputas entre as cidades, com muita expectativa. O Governo Federal conseguiu "emplacar" 12 cidades, duas a mais do que queria a FIFA, 4 a mais que o necessário. As que não foram escolhidas ficaram muito tristes.
Somente em 2009 começaram efetivamente as obras, dos estádios, ainda que não todas. Em 2010 foi consolidada uma lista de obras na infraestrutura, assegurando - no papel - os recursos financeiros para a implantação. 
As obras não andaram conforme o planejado, e dentro do esperado os valores reais começaram a ultrapassar os orçamentos iniciais, gerando suspeitas de superfaturamento e corrupção. A euforia começou a dar lugar a preocupações.

Quando chegou junho de 2013, junto com a Copa das Confederações, o povo foi às ruas para protestar contra a situação em geral, e acabou ficando com os gastos com a Copa como um dos principais motivos de protesto. O movimento seguiu com o lema "não vai ter Copa" ou "padrão FIFA" para escolas e hospitais.
Foi se ampliando um ambiente de pessimismo, apesar da campanha do Governo e dos patrocinadores para gerar mais otimismo a expectativa e a imagem da Copa entraram em queda. 
Quando a seleção brasileira começou a treinar em Teresópolis e as outras seleções começaram a chegar os problemas com as obras e com a segurança começaram a ser superadas pelo interesse pelo futebol.
A Copa voltou a entrar em fase ascendente e até ontem às 17 horas, gerando a expectativa de que o Brasil seria Hexa e a Copa da FIFA - edição 2014,  a Copa das Copas. 
Meia hora depois  tinha entrado em  queda e despencando da altura que havia alcançado. Segundo ensinava Billy Blanco, quanto mais alto o coco, maior a queda.
A fragorosa derrota diante da Alemanha mudou o clima. A alegria e o bom humor foi - imediatamente - substituida pela tristeza, misturada com muita revolta. 
O pior para o povo brasileiro é que esta edição da Copa do Mundo da FIFA, conforme expectativa e promessa do Governo será a Copa das Copas. Não houve até agora uma competição tão brilhantes, com grandes jogos, grandes craques, enfim o maior dos maiores espetáculos da terra. Com direito a espetaculares e inesperadas goleadas, começando com a Holanda colocando 5 gols na campeã da edição anterior: a Espanha. Ontem a Alemanha, num dia glorioso colocou 7 no adversário, numa semifinal, onde sobraram os quatro melhores.
Infelizmente e para nossa tristeza esse adversário era o Brasil.
Para o mundo a Copa da FIFA de 2014 será a Copa das Copas. Mas não aquela "prometida" por Dilma.


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