Pular para o conteúdo principal

Profecias auto-realizadas

A Presidenta vem repelindo, com a sua habitual irritação, as previsões pessimistas do mercado e de analista políticos, contrapondo a essas o que ocorreu com a Copa.
As previsões pessimistas foram de que "ia dar tudo errado", maculando a imagem externa do Brasil e causando a maior vergonha:

  • os estádios não iriam ficar prontos, levando ao cancelamento de alguns obrigando a remanejamentos;
  • as obras de mobilidade urbana não ficariam prontas, gerando problemas de mobilidade e de acesso aos estádios;
  • nos dias de jogos as cidades iriam parar, com os congestionamentos;
  • o comércio teria perdas com os feriados e restrições nesses dias;
  • as obras dos aeroportos não ficariam prontas, gerando caos com o maior afluxo de turistas;
  • haveria brigas dentro dos estádios, entre as torcidas, com quebra-quebras;
  • haveria tumultos fora dos estádios, com os anti-copa e os black blocs promovendo manifestações que acabariam em vandalismo;
  • a falta de segurança generalizada afastaria os turistas, com grande volume de cancelamentos;
  • a elevação dos preços dos hotéis e dos restaurantes e dos produtos em geral ampliaria a impressão de que o Brasil é um país caro, para os turistas estrangeiros;
  • muitos turistas viriam atraidos pelo turismo sexual e, finalmente, 
  • a seleção da CBF não passaria das oitavas de final: mesmo que passasse da primeira fase, seria derrotada pela Espanha ou pela Holanda.
Muito das previsões pessimistas se efetivaram, mas foram abafadas pelas ocorrências favoráveis que geraram uma imagem positiva de organização da Copa da FIFA.

Os estádios não ficaram inteiramente prontos, mas com o essencial para a realização dos jogos. A falta do padrão FIFA foi abafada e esta teve que desembolsar -  a contragosto - o seu dinheiro para completar instalações temporárias. Não houve necessidade de nenhum remanejamento.

Das obras de mobilidade urbana programadas apenas uma pequena parte foi concluída à tempo, mas não causaram grandes transtornos a não ser em algumas cidades, como Natal. 

As obras dos aeroportos não ficaram prontas, com algumas exceções. Não houve caos e as que ficaram prontas tiveram subutilização porque os turistas de negócios que são os principais usuários dos voos aéreos deixaram de vir.

As manifestações contra a Copa foram abafadas por ação preventiva e repressiva das autoridades de segurança.

Muitos compradores prévios de pacotes da Match cancelaram os seus pedidos, dando origem à comercialização paralela de ingressos dos jogos das fases finais.

Mas acabaram vindo mais turistas do que o esperado, dada a invasão dos "hermanos" da América do Sul e também dos mexicanos. Mas foram os europeus que chamaram mais atenção.

Os turistas estrangeiros ficaram com a impressão de que o Brasil é um país caro e o turismo sexual andou solto, tanto o profissional como o não. 

Os levantamentos vão confirmar que o PIB ao invés de aumentar, como estimava o Governo, vai confirmar as previsões pessimistas, com queda no ano e, especificamente, nos meses de junho e julho.

Finalmente a seleção da CBF acabou passando das oitavas, não tendo que enfrentar nem a Espanha como a Holanda. Avançou na Copa América superando o Chile e depois a Colômbia, mas acabou sucumbindo de forma trágica e vergonhosa perante a Alemanha.

Mas nem a fragorosa derrota perante a Alemanha e depois contra a Holanda, superaram a imagem positiva promovida pelo povo brasileiro que, com a sua alegria e hospitalidade, encantaram os turistas e a mídia internacional que cobriu a Copa no Brasil.

A grande esperança de Dilma, x, é que nas eleições se repita o processo.

Mesmo que as previsões pessimistas sobre a economia e sobre o quadro geral do país se efetivem, o povo votaria pela alegria, pela esperança: e ... nela.

O problema de Dilma "uma mulher à beira de um ataque de nervos" não encarna essa alegria e essa esperança.

Nem os seus principais opositores. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

A decadência econômica e cultural da Av Paulista

A Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, criada como a principal via de um loteamento de alto padrão, foi sempre tomada pelo capital e tornou-se um grande símbolo do capitalismo brasileiro.
Sofreu transformações, mas sempre sob o predomínio do capitalismo.
Está sob forte ataque dos movimentos sociais anticapitalistas que a "ocupam" com as suas passeatas, muitas vezes acompanhadas pelos blackblocs que aproveitam para depredar as agências bancárias. Como símbolo de destruição do capitalismo. 

A atual gestão municipal, de esquerda, mas representando mais a classe média ideológica do que o povo, propriamente dito, também quer tomar a Avenida, combatendo outro grande símbolo da civilização capitalista ocidental: o automóvel.

Fecha a avenida para os veículos motorizados, inclusive os õnibus e a abre para a classe média e para alguns pobres, nos domingos.

A elite cultural havia eleita a Avenida Paulista e seu entorno, como o polo do cinema-arte. Para frequentá-lo nos fins de semana.