Pular para o conteúdo principal

Economia compartilhada e anarquica


A tecnologia da informação vem propiciando o desenvolvimento de uma nova economia, que vem sendo chamada de compartilhada.
Envolve o compartilhamento no uso de recursos como o carro, um imóvel para sua melhor utilização e redução da ociosidade. Em teoria parece bom, pois racionaliza o uso de recursos e reduz os desperdícios.

É um  compartilhamento feito por pessoas físicas e não por empresas.

Em tese seria o compartilhamento de ativos ou recursos, com compartilhamento dos gastos. O caso da carone é típico. Dois ou até cinco amigos que fazem o mesmo trajeto ou tenham em comum a origem e o destino podem utilizar um só carro, em vez de dois ou cinco, cada qual no seu e ratear ou compartilhar as despesas com combustível, podendo agregar as provisões para manutenção e até estacionamento. Na situação ideal não haveria remuneração ao motorista que não estaria exercendo uma atividade profissional, mas apenas compartilhando o seu veículo.

A tecnologia da informação permitiria expandir esse compartilhamento com pessoas que não se conheceriam anteriormente, mas conectados através de um aplicativo no seu celular ou computador.

As pessoas com coincidência de origem e destino na mesma hora conheceriam a disponibilidade de um veículo com motorista para compartilhar o percurso e os custos.

Enquanto um serviço compartilhado entre pessoas físicas seria uma atividade não econômica, que não pode ser confundido com serviços profissionais, como o dos taxis.

Muitas autoridades públicas que cuidam da mobilidade urbana ficam encantadas com a idéia e não vêm razões para proibir e até acham que devem incentivar, para reduzir a quantidade de carros em circulação.

Mas o difícil é estabelecer o limite entre uma atividade compartilhada com um serviço profissional. Por que nesse caso haveria uma concorrência desleal com os profissionais sujeitos a um conjunto de regras e pagamento de tributos.

Em primeiro lugar o motorista dono do veículo não pode ser remunerado. Se for remunerado estará se tornando um empreendedor com obrigações, pelo menos, tributárias.

Sendo remunerado por um serviço regulado pelo Poder Público e dependente de licença, estará exercendo ilegalmente a atividade, estando sujeito às penas da lei.

Por outro lado é preciso considerar como os custos são rateados. Em tese, se o carona for um, um custo hipotético deve ser dividido por dois. Se forem três caronas, esse mesmo custo tem que ser dividido por 4. Se o motorista estiver cobrando um valor fixo, qualquer que seja o número de caronistas, está configurado a cobrança de um preço e não o rateio de despesa.

A economia compartilhada pressupõe uma economia anárquica, sem Estado regulador e tributador. Para que funcione precisa eliminar o Estado, permitindo que a sociedade se organize por si, sem um poder maior, buscando as melhores práticas de convivência.

Deve-se aqui entender a Anarquia no seu sentido literal e não popular, que é confundido com desordem. Anarquia é um regime sem Estado, sem poder, em que a sociedade se organiza por si. A TI está criando mecanismos de auto organização e auto-regulação sem a participação do Estado.

A economia compartilhada, por enquanto, é apenas oportunista. Aproveita as brechas do sistema democrático para se tornar um grande negócio capitalista. O Uber é um bom negócio enquanto marginal. Quando se expande e se tornar um grande negócio que "espertos" fazem valer bilhões, vai levar o maior tombo.

De toda forma esses novos aplicativos chamam atenção para demonstrar que a economia democrática sobre a qual se funda o sistema capitalista está em crise. Principalmente pela excessiva expansão do Estado Regulador e Tributador.

É preciso repensar profundamente sobre a reforma dessa velha economia. A TI a está implodindo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…