domingo, 6 de julho de 2014

São Paulo vai sobreviver

A cidade de São Paulo é muito grande e vai sobreviver às tentativas de sua destruição, como está tentando agora o PT com um plano diretor, com boas intenções, mas equivocado em relação à dinâmica da cidade.
Não basta perceber que a cidade de São Paulo deixou de ser industrial e virou uma cidade de serviços. Porque os resultados visíveis são resultado de um processo econômico que será reprimido pelas regulações estabelecidas.

O grande motor da cidade de São Paulo passou a ser as atividades de gestão e controle das empresas, principalmente das grandes empresas, que do ponto de vista físico, se instala em escritórios concentrados em algumas localidades, segundo lógicas que não são as preferidas ou desejadas pelo Poder Público.
O principal polo de negócios da cidade de São Paulo está numa região lindeira à marginal e ao Rio Pinheiros, que não contam com uma oferta adequada de transportes coletivos. O único sistema de transporte de massa disponível é uma insuficiente linha de trem metropolitano, que os empresários e seus executivos mal usam. 
O acesso atual dos empresários e executivos que são também os empregadores é pelo automóvel, por vias congestionadas, com a disponibilidade de estacionamentos nos mesmos prédios onde trabalham. 

A tendência mais provável é que essa lógica e comportamento prossigam, com os empregadores preferindo os locais onde seus clientes, fornecedores ou financiadores se instalaram ou estão se instalando, com continuidade de oferta pelo mercado imobiliário. Os mais importantes lançamentos de torres para escritórios estã nessa região. O poder público vai atrás buscando a implantação de sistemas de transportes coletivos de massa, como o monotrilho. 

A Prefeitura Municipal quer mudar esse comportamento. Quer que as pessoas mudem para perto dessas concentrações de escritórios, alcançando=os a pé ou de bicicleta. Ou morem próximos às estações de metrô ou ponto dos futuros BRTs e deixem os carros em casa. Descendo da estação do trem, como por exemplo na estação Berrini ou Vila Olimpia, pegariam uma bicicleta até o seu escritório a cerca de 1 km. 
Como acham e dizem os planejadores e autoridades que ocorre em cidade mais desenvolvidas da Europa. Na relidade, em cidades mais desenvolvidas e decadentes da Europa, vivendo uma crise econômica sem precedentes.

Para forçar esse comportamento a Municipalidade quer conter ou até eliminar a oferta de vagas para estacionamento, o que na realidade é a pilula do suicídio.

Os empresários e os executivos que são os empregadores e decisores dos locais de trabalho não vão para onde a Prefeitura quer, mas - provavelmente - para onde ela não quer. Uma das alternativas indesejadas é eles se instalarem em outro Municipio, vizinho a São Paulo, o que é possível dada a conurbação. A cidade de São Paulo já perdeu muito das suas sedes empresariais para Barueri, com o empreendimento Alphaville e poderá perder para Arujá. 

A não ser poucas exceções o decisor vai trocar o carro pela bicicleta. Sem locais para estacionar o seu carro ele irá trocar de lugar para se instalar. 

A consequência danosa será a redução do turismo de negócios, que é hoje uma das principais fontes de ingresso de renda externa da cidade.

São Paulo é um grande exportador de serviços para o turismo de negócios. Sem a continuidade dessa renda, a cidade não se desenvolverá economicamente.

A realização da Copa do Mundo da FIFA em São Paulo demonstrou isso. Embora a impressão foi de uma grande invasão turística na cidade, na realidade o movimento total foi menor do que dos anos anteriores no mesmo período porque os turistas de negócios não vieram, antecipando ou adiando a sua vinda. Os hotéis e restaurantes com maior valor de ticket médio ficaram menos cheios, enquanto a Vila Madalena "ferveu", com muita gente concentrada e poucos gastos per capital.

O balanço do movimento econômico deverá mostrar um resultado pior que da temporada da Fórmula 1. 

Estacionamento tem um papel estratégico no desenvolvimento de uma cidade que tem nos negócios o seu principal motor econômico e não pode ser visto - segundo uma perspectiva provinciana - como um fator atrator de carros. 

Achar que o estacionamento tem um enorme poder de sedução para atrair o carro é um equívoco mortal.

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