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Beyoncée salvará o Castelão?


Para  justificar a construção ou reforma de modernos estádios para a Copa alegou-se que esses não serviriam apenas para jogos de futebol, mas também para grandes shows e outros eventos de grande público, tornando-se uma arena multiuso.
Em todos os estádios já abertos, em função da Copa das Confederações, tem sido realizados grandes shows, tanto nacionais como internacionais. 
Há algumas semanas atrás, passando por Recife, era a véspera de um grande e múltiplo show nacional, com a apresentação e gravação do novo disco de Cláudia Lette. Ela justificava todo o aparato montado para "O mais espetáculo do mundo", o nome do evento. Era um evento para grande público, mas esse só correspondeu parcialmente. Não chegou a lotar a arena. E a maior demanda do público não foi a loira cantora, promovida pela TV, mas a funkeira Anitta. A última a se apresentar já de madrugada, com o público permanecendo.
Por coincidência, estive em Fortaleza esta semana e me deparei, pelo menos na imprensa, com a ansiedade pelo primeiro show da turnê brasileira de Beyoncée. 
Com as novas arenas Fortaleza e Brasília entraram para o circuito dos mega-shows internacionais. Antes não tinham sequer localidade para receber grandes públicos. Minas já tinha alguns antecedentes e agora tem o Mineirão inteiramente reformado, que já recebeu Elton John, com casa cheia. O Rio de Janeiro já era referência. Recife e Salvador parecem perder para Fortaleza.
Nessa estada por Fortaleza, percebi o que seria o diferencial de Fortaleza, em relação às duas outras capitais nordestinas, com novas arenas multiuso. O "povo" de Fortaleza estava mais preocupado com os problemas no trânsito no dia do show. Tiveram enormes congestionamentos quando Paul McCartney se apresentou no Castelão, com lotação total.
A ansiedade maior estava entre os ricos, pelo menos, nas colunas sociais. 
Beyoncée, como uma pop-star, parece agitar e mobilizar toda a riqueza que quer estar presente para ver, mas principalmente, ser vista. 
O empresário produtor do evento local faz parte da elite. O seu diálogo com os empresários da cantora é de alto nível, onde os investimentos para a apresentação do show, assim como para o atendimento dos caprichos da diva não são economizados e prontamente atendidos. O investimento é elevado, mas a perspectiva de se pagar é com os ingressos mais caros. O grande público é mais um elemento de convencimento para a apresentação da cantora. E nesse sentido, Fortaleza desenvolveu uma boa estratégia. Trouxe, inicialmente, Paul McCartney, para um único show no Brasil, em Fortaleza, sucesso certo e passou a ser o cartão postal para mostar aos demais que a capital cearense tem um grande público para shows. E conta para isso o apoio do jovem governador Cid Gomes, presente em todos esses. E estaria, ainda pagando parte da conta, para que o "povo" tenha um valor de ingresso menor. Um "povo" que não é o povo que não tem condições de desmbolsar o equivalente a pouco mais do que dois salários mínimos mensais, para uma cadeira superior, bem longe do palco.
O show internacional é para os abastados, complementado por uma classe média. Quantos eventos por ano, essa demanda tem interesse em acompanhar? 
Os resultados econômicos não são divulgados, mas supõe-se que nos casos concretos de Fortaleza, sejam rentáveis. Contratualmente o concessionário da arena tem uma participação na bilheteria, superior aos dos jogos de futebol. Mas terá eventos em número suficiente para cobrir os seus custos? E o Governo do Estado que já pagou o investimento na reforma e tem que amortizar o financiamento do BNDES o que irá ganhar com o mega-show?
Com enormes investimentos e gastos comerciais e operacionais, tanto em arenas como na atração de eventos internacionais, Fortaleza e outras capitais com arenas multiuso estão se transformando num "lugar no mundo", percebida pela classe média alta, mundial e até mesmo pela classe alta. O coração do turismo emissor, de âmbito mundial.
Está o Brasil se preparando para auferir os benefícios?

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