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Os planos urbanos não funcionam porque não tem a participação da comunidade

São diversos os níveis de planejamento, assim como da sua abrangência.
Os planos estratégicos, como está implícito na denominação são planos de guerra do general ou da autoridade. Não pode ser participativo. 
Seja porque não cabe indagar ao soldado como, por onde e com o que ele quer lutar,  como não deve abrir previamente as estratégias, para conhecimento do inimigo. Quanto mais participativo maior o risco de vazamento.
Já os planos locais de resolução dos problemas existentes devem ser participativos para selecionar as prioridades definidas pela própria comunidade.
A comunidade tem a percepção dos problemas que a afligem, mas não tem visões maiores dos problemas estruturais da cidade, das necessidades das demais comunidades. Não tem condições de discutir as soluções ou prioridades para a "cidade como um todo". 
Não adianta perguntar às comunidades o que eles vão fazer no futuro, como onde pretendem instalar as novas gerações que requerem moradia adicionais? Que áreas vão ocupar? Onde pretendem invadir?
Pedem a regularização fundiária de onde se instalaram e quando muito a disponibilização de áreas contíguas ociosas. 
Perguntar ao mercado imobiliário os planejadores participativo podem: mas não querem. Para eles esses são os "inimigos", os especuladores, os predadores. 
No entanto, é o setor imobiliário que constrói e desenvolve fisicamente a cidade, selecionando os "pratos" do cardápio oferecido pelo Poder Público. 
Como num bom restaurante, com um cardápio amplo de pratos, o maitre ou o garção não determina ao cliente o que ele tem que comer. Ele deve escolher o prato entre as opções oferecidas. O cliente pode até pedir orientação, mas a decisão é dele. O garção tende a induzir a escolha, com colocações como "esse é o que mais sai", mas o cliente pode escolher outro prato, justamente, aquele que o cozinheiro não queria que fosse escolhido. 
Ele se esmera na preparação de alguns pratos, e os clientes preferem outros. Ai ele tem a frustração semelhante ao do planejador urbano, que não pode impor, mas gostaria que o mercado imobiliário escolhesse determinada área ou região, mas aquele escolhe outras. 
Imagina que oferecendo alguns benefícios adicionais, como um preço menor, enfeites e outros, o cliente o escolheria, mas a lógica e preferência desse é diferente do cozinheiro ou do dono do restaurante.
Da mesma forma, a lógica do empreendedor imobiliário é diversa do planejador urbano e não estão simplesmente em maior ou menor lucro. 
O lucro está vinculado a um risco, a uma aposta. Um lançamento imobiliário pode dar certo ou não. 
O planejador urbano não tem a lógica do risco econômico. 
Um planejamento participativo monta o cardápio a partir das reivindicações da comunidade e ela própria propõe as prioridades, cabendo ao cozinheiro preparar os pratos. É uma escolha entre coisas conhecidas.
Já o planejamento estratégico é baseado no risco. Parte de suposições que - no campo da batalha - podem se efetivar ou não.
Quem constrói (e também destrói) a cidade é a sociedade, o setor privado, como produtor ou consumidor, não o planejador urbano, tampouco a autoridade municipal.
Esses não tem o poder impositivo, mas apenas permissivo e indutivo. Dependem de como a sociedade reage, efetivamente, às proposições públicas. As quais, em geral, são diversas das desejadas pelo planejador.
Por que se baseiam em sonhos, em utopias e não na realidade. 

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