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O maior custo é não ter a obra pronta

A frase foi usada pela Ministra do Planejamento, Miriam
Belchior, para justificar a contratação de obras do PAC sem o projeto executivo.

Segundo ela, o país parou de contratar projetos e obras no setor aeroportuário, nos últimos 30 anos, desmantelando o setor e o Governo não poderia ficar na espera da elaboração prévia dos projetos.
Ela caiu numa "armadilha" montada pela TV Globo, porque a sua entrevista foi ao final do programa, com todo o tempo anterior mostrando obras paradas e críticas do TCU, de especialistas e mesmo de outros Ministros de que sem um bom projeto executivo não se chega ao final de uma obra, dentro dos orçamentos estimados e prazos definidos.
Ademais, o que ela disse é um inverdade, talvez por desinformação. A Infraero, nos últimos 30 anos, movimentou - ainda que com graves distorções - a engenharia brasileira.
O mais grave é que o que ela afirmou não é apenas um discurso, mas uma lógica equivocada que tem levado o Brasil a enormes desperdícios de recursos públicos e prejuízos, agravados pela ansiedade e estilo gerencial da Presidente Dilma.
Desde que instituído o PAC e ela designada "a mãe do PAC" ela quer ver as obras começando e cobra agressivamente por isso. Ela acredita para para terminar uma obra mais cedo é preciso contratar o quando antes. A reportagem da Globo News, mostrou o contrário, já comprovado pelos países mais desenvolvidos.
Para assegurar a execução de uma obra, no menor tempo e dentro do orçamento, é preciso gastar mais tempo no planejamento e no projeto, de tal forma que uma vez contratada e iniciais a obra não existam surpresas, percalços, com tudo previsto no detalhe e com todos os recursos técnicos, materiais e serviços mobilizados.
Em termos de cronograma pode-se dizer cerca de 3/4 do tempo para o planejamento e projeto e 1/4 para a execução da obra.
No entanto, o "estilo da Presidenta" faz com que seus subordinados temerosos inventem atalhos como o Regime Diferenciado de Contratações, com todo o seu ilusório brilho de menor tempo de contratação, seduzindo muitos, principalmente advogados que atuam na área de licitações, mas cujas obras estão com andamentos comprometidos. 
Grande parte das obras de mobilidade urbana estão paradas porque não se previu adequadamente as desapropriações. 
E, no caso de Porto Alegre, depois de iniciada a obra de um viaduto teria aparecido "uma pedra no caminho": uma rocha. Pelo menos foi o divulgado pela mídia. 
Porém os especialista afirmam que a sua existência já era conhecida, mas por erro de projeto, elaborado às pressas e ao menor custo, desprezaram o fato.
Agora com o RDC o Governo Dilma impõe a contratação apenas com um "anteprojeto" para João Santana mostrar um enorme volume de contratações e a Presidente mostrar serviço à sua base aliada. 
As obras vão começar mais cedo, mas só vão terminar mais tarde, isso se terminarem.


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